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Agricultora que trabalhou na lavoura até os 70 anos virou influenciadora aos 83 com uma motinha e 23 mil seguidores em cidade de 5 mil habitantes no Oeste de SC

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 02/05/2026 às 13:57
Atualizado em 02/05/2026 às 14:24
Agricultora virou influenciadora aos 83 com motinha e 23 mil seguidores em Nova Erechim, cidade de 5 mil habitantes em SC. Conheça a Nona Zelide.
Agricultora virou influenciadora aos 83 com motinha e 23 mil seguidores em Nova Erechim, cidade de 5 mil habitantes em SC. Conheça a Nona Zelide.
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Zelide Vedovatto, a Nona Zelide, trabalhou na lavoura até os 70 e se tornou influenciadora aos 83 com 23,5 mil seguidores em Nova Erechim, cidade de 5,4 mil habitantes no Oeste de SC, onde circula de motinha e conquista a internet com receitas típicas, dialeto italiano e passeios espontâneos.

Uma agricultora que passou a vida inteira trabalhando na lavoura se tornou influenciadora numa cidade de pouco mais de 5 mil habitantes no Oeste de Santa Catarina, e a história de como isso aconteceu é tão improvável quanto encantadora. Zelide Vedovatto, moradora de Nova Erechim, acumulou 23,5 mil seguidores nas redes sociais como Nona Zelide, a vovó influenciadora que conquistou a internet com vídeos espontâneos gravados por um neto que começou filmando o dia a dia da avó como brincadeira e acabou criando fenômeno digital que ultrapassou em quatro vezes a população inteira da cidade onde ela mora. “Jamais pensei nisso. Teve um neto meu que fez umas imagens minhas e se animamos só por isso”, conta a influenciadora que deixou o campo após problemas de saúde e encontrou na internet audiência que a lavoura nunca ofereceu.

A motinha que Zelide usa para circular pelas ruas de Nova Erechim virou personagem tão importante dos vídeos quanto a própria influenciadora. “Faz seis anos que tenho a motinha e ando pela cidade toda. Como aqui é cidade pequena, é bem tranquilo. Eu nunca dirigi carro nenhum e a motinha é bem fácil de dirigir”, relata a Nona Zelide, para quem os passeios representam mais do que deslocamento: “Quando a gente dá uns piques, dá uma sensação de liberdade.” A imagem de uma senhora pilotando sua motinha por ruas tranquilas do interior catarinense é o tipo de cena que gera identificação imediata em quem cresceu em cidade pequena e saudade em quem saiu.

Como uma agricultora do Oeste de SC virou influenciadora

Agricultora virou influenciadora aos 83 com motinha e 23 mil seguidores em Nova Erechim, cidade de 5 mil habitantes em SC. Conheça a Nona Zelide.

A trajetória de Zelide até se tornar influenciadora não seguiu roteiro planejado. A agricultora trabalhou na lavoura durante grande parte da vida e só deixou o campo aos 70 anos quando problemas de saúde, incluindo artrose que ainda lhe causa dor no joelho, tornaram a atividade rural insustentável. A mudança para a área urbana de Nova Erechim poderia ter significado aposentadoria silenciosa como tantas outras no interior catarinense, mas um neto com celular e bom humor transformou o cotidiano da avó em conteúdo que a internet abraçou.

O processo foi orgânico e sem pretensão. Os primeiros vídeos mostravam cenas simples do dia a dia da influenciadora: receitas de pudim, batata-doce assada e polenta preparadas do jeito que gerações de famílias ítalo-brasileiras aprenderam, passeios de motinha pelas ruas pacatas de Nova Erechim e conversas em que o dialeto italiano da colonização do Oeste catarinense tempera cada frase. O público reconheceu naqueles vídeos algo que algoritmos de redes sociais não conseguem fabricar: autenticidade, e a Nona Zelide se tornou influenciadora sem precisar estudar tendências, editar thumbnails ou calcular horários de postagem.

Por que os vídeos da influenciadora conquistam tanta gente

Agricultora virou influenciadora aos 83 com motinha e 23 mil seguidores em Nova Erechim, cidade de 5 mil habitantes em SC. Conheça a Nona Zelide.

O segredo da Nona Zelide como influenciadora é justamente não ter segredo. A espontaneidade com que fala, cozinha e pilota sua motinha transmite simplicidade que funciona como antídoto para o conteúdo polido e artificial que domina as redes sociais, e os seguidores respondem a isso com engajamento genuíno que influenciadores profissionais gastam fortunas para tentar reproduzir. Quando Zelide mostra uma polenta feita no fogão a lenha ou uma batata-doce assada na brasa, não está criando conteúdo gastronômico: está compartilhando memória afetiva que conecta milhares de pessoas às suas próprias avós e às cozinhas onde cresceram.

O humor natural da influenciadora complementa a simplicidade. Zelide usa expressões e dialetos italianos que são marca forte da colonização do Oeste catarinense, e a forma como mistura português e italiano em frases cotidianas diverte seguidores que reconhecem naquela fala a voz de suas próprias famílias. Num dos vídeos que mais repercutiram, a influenciadora mostrou que sua motinha encara até morros sem dificuldade, demonstração de que a disposição para aventura não diminuiu, apenas mudou de endereço: saiu da lavoura e foi para as ruas de Nova Erechim.

O que mudou na vida da influenciadora depois da fama digital

A repercussão trouxe momentos que emocionaram Zelide. O humorista Badin O Colono, cujo conteúdo a influenciadora acompanhava como espectadora, compartilhou um vídeo dela para sua audiência, reconhecimento que para uma senhora em cidade de 5 mil habitantes tem peso que números de visualização não medem. Outro marco foi a primeira publicidade feita nas redes sociais: a Nona Zelide contou que se emocionou ao ver o “dinheirinho” cair na conta, experiência que para quem trabalhou décadas na lavoura ganha significado especial porque demonstra que o valor que ela oferece ao mundo não depende mais de esforço físico.

Apesar da fama, a influenciadora garante que nada mudou na essência. “Algumas pessoas me chamam de famosa e pedem para tirar fotos, mas é tudo brincadeira. Eu sou a mesma”, afirma Zelide, declaração que os seguidores confirmam ao assistir vídeos em que a rotina permanece simples: a mesma motinha, as mesmas ruas, as mesmas receitas e o mesmo jeito de falar que conquistou 23,5 mil pessoas. As gravações acontecem “quando podemos, nas horas vagas que a gente tem”, sem calendário editorial, sem equipe de produção e sem a pressão por métricas que consome influenciadores convencionais.

O que a Nona Zelide representa para Nova Erechim e para o Oeste de SC

Para uma cidade de 5,4 mil habitantes, ter uma influenciadora com 23,5 mil seguidores é fenômeno que coloca Nova Erechim no mapa digital de forma que nenhuma campanha institucional conseguiria. Cada vídeo da Nona Zelide mostra ruas tranquilas, paisagem rural e ritmo de vida interiorano que funciona como propaganda involuntária do município e da região, conteúdo que turistas em potencial e pessoas cansadas de grandes centros assistem com interesse que vai além do entretenimento. A influenciadora é embaixadora não oficial de um estilo de vida que o Oeste catarinense oferece e que as redes sociais ajudam a divulgar para audiência que jamais ouviria falar de Nova Erechim por outros meios.

Zelide também representa algo maior do que números de seguidores. A influenciadora prova que idade não é limite para relevância, que simplicidade pode competir com produção profissional e que a vida no interior de Santa Catarina tem valor que a internet reconhece quando alguém autêntico decide compartilhar. Com artrose no joelho e uma motinha como companheira, a Nona Zelide faz algo que muita gente com metade da idade não consegue: inspira pessoas a saírem de casa, passearem e aproveitarem a vida independentemente dos obstáculos que o tempo impõe.

E você, conhece alguma “nona” parecida com a Zelide? Acha que o interior de SC merece mais visibilidade nas redes? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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