Zelide Vedovatto, a Nona Zelide, trabalhou na lavoura até os 70 e se tornou influenciadora aos 83 com 23,5 mil seguidores em Nova Erechim, cidade de 5,4 mil habitantes no Oeste de SC, onde circula de motinha e conquista a internet com receitas típicas, dialeto italiano e passeios espontâneos.
Uma agricultora que passou a vida inteira trabalhando na lavoura se tornou influenciadora numa cidade de pouco mais de 5 mil habitantes no Oeste de Santa Catarina, e a história de como isso aconteceu é tão improvável quanto encantadora. Zelide Vedovatto, moradora de Nova Erechim, acumulou 23,5 mil seguidores nas redes sociais como Nona Zelide, a vovó influenciadora que conquistou a internet com vídeos espontâneos gravados por um neto que começou filmando o dia a dia da avó como brincadeira e acabou criando fenômeno digital que ultrapassou em quatro vezes a população inteira da cidade onde ela mora. “Jamais pensei nisso. Teve um neto meu que fez umas imagens minhas e se animamos só por isso”, conta a influenciadora que deixou o campo após problemas de saúde e encontrou na internet audiência que a lavoura nunca ofereceu.
A motinha que Zelide usa para circular pelas ruas de Nova Erechim virou personagem tão importante dos vídeos quanto a própria influenciadora. “Faz seis anos que tenho a motinha e ando pela cidade toda. Como aqui é cidade pequena, é bem tranquilo. Eu nunca dirigi carro nenhum e a motinha é bem fácil de dirigir”, relata a Nona Zelide, para quem os passeios representam mais do que deslocamento: “Quando a gente dá uns piques, dá uma sensação de liberdade.” A imagem de uma senhora pilotando sua motinha por ruas tranquilas do interior catarinense é o tipo de cena que gera identificação imediata em quem cresceu em cidade pequena e saudade em quem saiu.
Como uma agricultora do Oeste de SC virou influenciadora

A trajetória de Zelide até se tornar influenciadora não seguiu roteiro planejado. A agricultora trabalhou na lavoura durante grande parte da vida e só deixou o campo aos 70 anos quando problemas de saúde, incluindo artrose que ainda lhe causa dor no joelho, tornaram a atividade rural insustentável. A mudança para a área urbana de Nova Erechim poderia ter significado aposentadoria silenciosa como tantas outras no interior catarinense, mas um neto com celular e bom humor transformou o cotidiano da avó em conteúdo que a internet abraçou.
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O processo foi orgânico e sem pretensão. Os primeiros vídeos mostravam cenas simples do dia a dia da influenciadora: receitas de pudim, batata-doce assada e polenta preparadas do jeito que gerações de famílias ítalo-brasileiras aprenderam, passeios de motinha pelas ruas pacatas de Nova Erechim e conversas em que o dialeto italiano da colonização do Oeste catarinense tempera cada frase. O público reconheceu naqueles vídeos algo que algoritmos de redes sociais não conseguem fabricar: autenticidade, e a Nona Zelide se tornou influenciadora sem precisar estudar tendências, editar thumbnails ou calcular horários de postagem.
Por que os vídeos da influenciadora conquistam tanta gente

O segredo da Nona Zelide como influenciadora é justamente não ter segredo. A espontaneidade com que fala, cozinha e pilota sua motinha transmite simplicidade que funciona como antídoto para o conteúdo polido e artificial que domina as redes sociais, e os seguidores respondem a isso com engajamento genuíno que influenciadores profissionais gastam fortunas para tentar reproduzir. Quando Zelide mostra uma polenta feita no fogão a lenha ou uma batata-doce assada na brasa, não está criando conteúdo gastronômico: está compartilhando memória afetiva que conecta milhares de pessoas às suas próprias avós e às cozinhas onde cresceram.
O humor natural da influenciadora complementa a simplicidade. Zelide usa expressões e dialetos italianos que são marca forte da colonização do Oeste catarinense, e a forma como mistura português e italiano em frases cotidianas diverte seguidores que reconhecem naquela fala a voz de suas próprias famílias. Num dos vídeos que mais repercutiram, a influenciadora mostrou que sua motinha encara até morros sem dificuldade, demonstração de que a disposição para aventura não diminuiu, apenas mudou de endereço: saiu da lavoura e foi para as ruas de Nova Erechim.
O que mudou na vida da influenciadora depois da fama digital
A repercussão trouxe momentos que emocionaram Zelide. O humorista Badin O Colono, cujo conteúdo a influenciadora acompanhava como espectadora, compartilhou um vídeo dela para sua audiência, reconhecimento que para uma senhora em cidade de 5 mil habitantes tem peso que números de visualização não medem. Outro marco foi a primeira publicidade feita nas redes sociais: a Nona Zelide contou que se emocionou ao ver o “dinheirinho” cair na conta, experiência que para quem trabalhou décadas na lavoura ganha significado especial porque demonstra que o valor que ela oferece ao mundo não depende mais de esforço físico.
Apesar da fama, a influenciadora garante que nada mudou na essência. “Algumas pessoas me chamam de famosa e pedem para tirar fotos, mas é tudo brincadeira. Eu sou a mesma”, afirma Zelide, declaração que os seguidores confirmam ao assistir vídeos em que a rotina permanece simples: a mesma motinha, as mesmas ruas, as mesmas receitas e o mesmo jeito de falar que conquistou 23,5 mil pessoas. As gravações acontecem “quando podemos, nas horas vagas que a gente tem”, sem calendário editorial, sem equipe de produção e sem a pressão por métricas que consome influenciadores convencionais.
O que a Nona Zelide representa para Nova Erechim e para o Oeste de SC
Para uma cidade de 5,4 mil habitantes, ter uma influenciadora com 23,5 mil seguidores é fenômeno que coloca Nova Erechim no mapa digital de forma que nenhuma campanha institucional conseguiria. Cada vídeo da Nona Zelide mostra ruas tranquilas, paisagem rural e ritmo de vida interiorano que funciona como propaganda involuntária do município e da região, conteúdo que turistas em potencial e pessoas cansadas de grandes centros assistem com interesse que vai além do entretenimento. A influenciadora é embaixadora não oficial de um estilo de vida que o Oeste catarinense oferece e que as redes sociais ajudam a divulgar para audiência que jamais ouviria falar de Nova Erechim por outros meios.
Zelide também representa algo maior do que números de seguidores. A influenciadora prova que idade não é limite para relevância, que simplicidade pode competir com produção profissional e que a vida no interior de Santa Catarina tem valor que a internet reconhece quando alguém autêntico decide compartilhar. Com artrose no joelho e uma motinha como companheira, a Nona Zelide faz algo que muita gente com metade da idade não consegue: inspira pessoas a saírem de casa, passearem e aproveitarem a vida independentemente dos obstáculos que o tempo impõe.
E você, conhece alguma “nona” parecida com a Zelide? Acha que o interior de SC merece mais visibilidade nas redes? Deixe sua opinião nos comentários.

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