Segundo informações do swissinfo, a Suíça instalou painéis solares removíveis entre os trilhos de uma ferrovia em operação, usando um sistema que permite colocar e retirar quase 1.000 metros quadrados de módulos em poucas horas. O projeto piloto na vila de Buttes, no cantão de Neuchâtel, produzirá 16.000 kWh por ano, e se expandido para os 5.320 km da malha ferroviária suíça, geraria energia para 300 mil residências.
Os painéis solares costumam competir com a agricultura e com os ecossistemas naturais pelo mesmo recurso escasso: terreno. A startup suíça Sun-Ways encontrou uma solução ao olhar para baixo numa estação de trem: instalar painéis solares entre os trilhos das ferrovias, aproveitando uma superfície que já existe, já está urbanizada e não serve para mais nada além de sustentar os dormentes. O primeiro projeto piloto foi inaugurado em 24 de abril de 2025 em Buttes, uma pequena vila no oeste da Suíça, com 100 metros de painéis solares instalados sobre dormentes de uma linha ferroviária ativa por onde trens circulam normalmente.
O que diferencia a Sun-Ways de projetos similares na Alemanha, Itália, França e Japão é que seu sistema é removível. Os painéis solares podem ser instalados e retirados mecanicamente por uma máquina desenvolvida pela empresa suíça de manutenção ferroviária Scheuchzer, que consegue colocar ou remover quase 1.000 metros quadrados de módulos em apenas algumas horas. Essa capacidade de remoção rápida é essencial para permitir trabalhos de manutenção nos trilhos sem comprometer a operação ferroviária nem danificar os equipamentos solares.
Como funciona a instalação dos painéis solares nos trilhos

A instalação em Buttes consiste em 48 painéis solares posicionados sobre os dormentes da ferrovia, as peças retangulares de madeira que sustentam os trilhos de aço. Os módulos podem ser colocados manualmente ou pela máquina automatizada da Scheuchzer, que desenrola os painéis como se fossem um tapete estendido entre os trilhos.
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O processo foi projetado para ser rápido o suficiente para ser realizado nos intervalos de manutenção programada, sem exigir interrupções longas no tráfego ferroviário.

Embora os painéis solares sejam projetados para permanecerem no lugar enquanto os trens circulam por cima, a possibilidade de retirá-los facilmente é o que viabiliza o uso em ferrovias ativas. Trilhos precisam de manutenção regular, incluindo substituição de dormentes, ajuste de bitola e inspeção de soldas. Se os painéis fossem fixos, cada intervenção exigiria desmontagem complexa e custosa. Com o sistema removível, a equipe de manutenção retira os módulos, faz o trabalho nos trilhos e reinstala os painéis em questão de horas. Para manter os módulos limpos, uma escova cilíndrica pode ser acoplada à extremidade dos trens em operação.
De uma estação de trem à ideia que atraiu Coreia do Sul e Japão
A história dos painéis solares ferroviários começou em 2020, quando Joseph Scuderi esperava um trem na estação de Renens, a oeste de Lausanne. Olhando para o espaço vazio entre os trilhos, ele se perguntou por que ninguém fazia nada com aquela superfície ociosa. Cinco anos depois, a pergunta se transformou em uma startup, um projeto piloto inaugurado e interesse formal de pelo menos seis países em adotar a tecnologia.
A Coreia do Sul é um dos parceiros mais avançados. Taebon Park, CEO da Korean Rail Solar Power Generation Project Company, participou pessoalmente da inauguração em Buttes e pretende adaptar o sistema da Sun-Ways aos aproximadamente 6.600 km da malha ferroviária sul-coreana. Um projeto piloto deve começar ainda este ano no país. A Indonésia também demonstrou interesse, com planos de começar pela cidade de Bogor, em Java Ocidental, e expandir para toda a ilha. O Japão, através do Ministério da Infraestrutura e Transportes, acompanha o projeto como parte de suas metas de descarbonização até 2050.
Os números que justificam cobrir trilhos com painéis solares
O projeto piloto de 100 metros em Buttes produzirá até 16.000 kWh de eletricidade por ano, o equivalente ao consumo de quatro a seis residências. A Sun-Ways calcula que, se os painéis solares fossem instalados ao longo dos aproximadamente 5.320 quilômetros da rede ferroviária suíça, excluindo trechos em túneis ou com pouca incidência solar, a geração chegaria a 1 bilhão de kWh por ano. Esse volume corresponde ao consumo de 300 mil residências, ou cerca de 2% de toda a eletricidade utilizada na Suíça.
Para um país que precisa multiplicar por sete sua produção de energia solar até 2035, cada superfície disponível conta. A Suíça, como a maioria dos países europeus, enfrenta o dilema de expandir a geração renovável sem consumir terras agrícolas ou áreas naturais. Os trilhos oferecem uma solução que não compete com nenhum outro uso do solo: a ferrovia já está construída, a superfície entre os trilhos não serve para plantio nem para moradia, e a infraestrutura elétrica necessária para injetar a energia na rede muitas vezes já existe nas proximidades das linhas férreas.
As críticas e os riscos que o projeto precisa superar
Nem todos estão convencidos de que instalar painéis solares entre trilhos é a melhor ideia. Martin Heinrich, pesquisador do Instituto Fraunhofer de Sistemas de Energia Solar, o maior instituto de pesquisa solar da Europa, reconhece que aproveitar os trilhos para gerar energia é uma ótima ideia, mas questiona se a removibilidade dos módulos é realmente uma vantagem. Segundo Heinrich, módulos fotovoltaicos idealmente deveriam ser instalados uma única vez e permanecer no lugar pelos próximos 20 a 30 anos. Cada remoção aumenta custos e eleva o risco de danos ao equipamento.
A autoridade suíça de transportes também adotou uma postura cautelosa. Autorizou o teste em Buttes porque os trens na região circulam a velocidade máxima de 70 km/h, relativamente baixa para padrões ferroviários. A fase de testes foi estipulada em pelo menos três anos, e não seis meses como a Sun-Ways havia planejado, para que o comportamento dos trilhos, o desgaste dos painéis e os desafios de manutenção possam ser avaliados em todas as estações do ano e em condições reais de operação prolongada.
Painéis solares ferroviários pelo mundo
A Sun-Ways não é a única empresa explorando a ideia de colocar painéis solares em ferrovias, mas é a primeira a desenvolver um sistema removível para linhas em operação. Projetos na Alemanha, Itália, França e Japão também testam módulos fotovoltaicos entre trilhos, mas com sistemas fixos que exigem interrupção do tráfego para manutenção. A diferença do modelo suíço está na flexibilidade operacional que a remoção rápida proporciona, permitindo que a ferrovia continue funcionando sem restrições enquanto os painéis geram energia.
A Sun-Ways acredita que painéis solares poderiam ser instalados em metade das linhas ferroviárias do mundo, uma estimativa ambiciosa que considera a exclusão de trechos em túneis, viadutos cobertos e regiões com baixa irradiação solar. Além da Coreia do Sul, Indonésia e Japão, a startup colabora em projetos na Espanha e na Romênia e mantém conversas exploratórias com potenciais parceiros na China e nos Estados Unidos. O orçamento para a fase inicial de testes em Buttes foi de 585 mil francos suíços, equivalentes a aproximadamente US$ 704 mil.
Três anos para provar que trilhos podem ser usinas solares
O projeto piloto de Buttes marca o início de um período de testes que definirá se a ideia que Joseph Scuderi teve numa estação de trem pode se tornar padrão global. Os painéis solares entre os trilhos já estão gerando energia, os trens continuam passando por cima normalmente e a máquina da Scheuchzer já demonstrou que instalar e remover quase 1.000 metros quadrados de módulos é questão de horas. O que resta provar é se o sistema resiste a anos de operação contínua, a variações climáticas extremas e ao desgaste causado pelo tráfego ferroviário diário.
Você acha que instalar painéis solares entre os trilhos de trem é uma solução viável para o Brasil, que possui milhares de quilômetros de ferrovias? Conte nos comentários o que pensa sobre a ideia da Sun-Ways, se a remoção rápida dos módulos é uma vantagem real ou um complicador e qual país deveria adotar essa tecnologia primeiro. Queremos ouvir a sua opinião sobre energia solar em lugares inesperados.

Séria ótimo ter aqui nó Brasil , pois o Brasil nesses sita de muito mais energia limpa, e inovação
Seria muito bom aqui no Brasil essa energia solar mais temos que ter as lei mais segura para ter essa energia solar nos trilhos de trem,
Instalar essas placas no Brasil? Só se for pra serem roubadas ou vandalizadas. Lembram dos orelhões?