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Enquanto empresas saem do Brasil e vão para o Paraguai, Haddad culpa Bolsonaro e dispara: “as empresas saíram para o Paraguai no governo Bolsonaro”; levantamento revela dimensão do movimento

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 09/06/2026 às 18:51
Atualizado em 09/06/2026 às 19:34
Haddad culpa Bolsonaro por saída de empresas ao Paraguai, mas levantamento mostra migração em diferentes governos desde 2007.
Haddad culpa Bolsonaro por saída de empresas ao Paraguai, mas levantamento mostra migração em diferentes governos desde 2007.
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Declaração de Haddad reacendeu a discussão sobre a saída de empresas brasileiras para o Paraguai e expôs dados que apontam um movimento mais antigo, distribuído por diferentes governos, com influência de carga tributária menor, incentivos à exportação e mudanças no regime paraguaio de maquila.

Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de São Paulo, atribuiu ao governo de Jair Bolsonaro (PL) e à passagem de Tarcísio de Freitas (Republicanos) pelo Ministério da Infraestrutura o avanço da ida de empresas brasileiras para o Paraguai.

A fala ocorreu no sábado (06.jun.2026), durante participação no podcast 3 Irmãos, transmitido pelo YouTube, em meio à discussão sobre competitividade, impostos e deslocamento de atividades produtivas para o país vizinho.

Ao tratar do assunto, Haddad disse que o movimento de saída de companhias brasileiras ocorreu durante a gestão anterior e vinculou o fenômeno ao período em que Bolsonaro estava na Presidência da República.

As empresas saíram pro Paraguai no governo Bolsonaro. O governo Bolsonaro foi o maior êxodo de empresas para o Paraguai junto com o governo Tarcísio”, afirmou o petista, segundo registro publicado pelo Poder360.

Dados reunidos pelo Poder360 com base em informações do governo paraguaio e da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai, porém, indicam que a migração não se concentra em uma única administração.

O maior acumulado por período aparece nos governos Lula 2 e Dilma Rousseff, ambos do PT, quando 74 empreendimentos brasileiros passaram a operar no país vizinho.

Migração de empresas brasileiras para o Paraguai começou antes de Bolsonaro

A série histórica mostra que a saída de empresas brasileiras para o Paraguai já ocorria antes do governo Bolsonaro e ganhou força em diferentes momentos da última década.

Na gestão de Michel Temer, entre 2017 e 2018, outras 46 companhias passaram a atuar no país vizinho, mantendo elevado o ritmo de adesão ao regime paraguaio de maquila.

Nos dois primeiros anos do governo Bolsonaro, em 2019 e 2020, o levantamento também registrou 46 empresas brasileiras indo para o Paraguai, número semelhante ao observado no biênio anterior.

Depois disso, entre 2021 e 2022, o total caiu para 26 companhias, em período que coincidiu com os efeitos mais fortes da pandemia de covid-19 sobre a economia e a atividade industrial.

Com a volta de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Planalto, em 2023, e Haddad no Ministério da Fazenda, a curva voltou a subir no recorte mais recente.

No biênio 2023-2024, 34 empresas brasileiras foram registradas no Paraguai, conforme os dados citados pela reportagem e atribuídos às bases paraguaias e à entidade empresarial brasileira no país.

Como o governo paraguaio divulga as novas empresas em blocos de dois anos, ainda não há número oficial consolidado para 2025.

Até a publicação da reportagem, haviam sido contabilizados 6 casos publicamente conhecidos, mas a divulgação oficial mais ampla só deve ocorrer em 2027.

Regime de maquila ajuda a explicar atração paraguaia

Haddad culpa Bolsonaro por saída de empresas ao Paraguai, mas levantamento mostra migração em diferentes governos desde 2007.
Haddad culpa Bolsonaro por saída de empresas ao Paraguai, mas levantamento mostra migração em diferentes governos desde 2007.

O Paraguai ampliou sua capacidade de atrair empresas estrangeiras por meio do regime de maquila, criado para permitir produção voltada à exportação com incentivos tributários e operacionais.

No caso brasileiro, 232 companhias passaram a produzir no país vizinho desde 2007, segundo levantamento publicado em 23 de maio de 2026.

Essas empresas brasileiras correspondem a cerca de 70% das mais de 320 companhias estrangeiras que escolheram o modelo paraguaio para instalar operações produtivas ou ampliar atividades voltadas ao mercado externo.

Entre os principais atrativos está a diferença de custos: segundo o Poder360, fábricas enquadradas nesse regime têm impostos e encargos trabalhistas totais de 12%, em média, contra 80% no Brasil.

A supervisão da maquila cabe ao Conselho Nacional da Indústria Maquiladora de Exportação, órgão ligado ao Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai.

Esse conselho formula diretrizes, avalia pedidos de programas de maquila e acompanha o cumprimento das regras aplicáveis às empresas instaladas no país sob esse enquadramento.

Além da estrutura já existente, o Paraguai atualizou o marco legal do setor para ampliar a atratividade do regime e reorganizar as regras aplicadas às empresas estrangeiras.

A Lei nº 7.547/2025 substituiu a legislação anterior de 1997, enquanto o Decreto nº 5.714/2026 regulamentou o novo modelo e passou a incluir serviços no regime de maquila.

Haddad defende estratégia econômica de escala nacional

Durante a entrevista, Haddad argumentou que o Brasil não deveria tentar competir com países menores apenas por meio da redução de impostos.

Na avaliação do petista, a estratégia brasileira precisa considerar o tamanho da população e da economia nacional, em vez de repetir modelos de baixa tributação adotados por países com menor escala.

Todo país pequeno, e eu não estou diminuindo o Paraguai falando isso, é um país de 6, 7 milhões de habitantes. Todo país pequeno pode atrair empresas. O Brasil, com 215 milhões de habitantes, não consegue ser um paraíso fiscal”, declarou Haddad no podcast.

Ao desenvolver o argumento, o ex-ministro citou Uruguai, Suíça e países do Caribe como exemplos de economias que conseguem usar incentivos fiscais de forma mais intensa por terem estrutura populacional menor.

Para ele, o Brasil precisa sustentar um plano de desenvolvimento compatível com suas dimensões, sem transformar a disputa tributária em eixo central da política econômica.

Não compensa, tem 215 milhões de habitantes para alimentar. Não adianta atrair cara que não quer pagar imposto para cá. O Brasil tem que ter um plano de desenvolvimento com a escala do Brasil, não adianta fazer com a escala do Paraguai”, afirmou.

Dados sobre empresas brasileiras exigem recorte por período

A discussão ganhou força porque o número de 232 empresas brasileiras no Paraguai passou a circular nas redes sociais associado ao período em que Haddad esteve no Ministério da Fazenda.

Uma checagem da AFP publicada em 29 de maio de 2026 apontou que essa associação é enganosa, já que o dado cobre o intervalo de 2007 a março de 2026.

Pelo mesmo levantamento, Haddad comandou a Fazenda de janeiro de 2023 a março de 2026, enquanto o auge do movimento, no recorte analisado pela AFP, ocorreu entre 2017 e 2020.

Essa distribuição temporal mostra que a migração de empresas brasileiras para o Paraguai atravessa governos de partidos diferentes e não pode ser atribuída integralmente a uma única gestão.

O quadro disponível reúne fatores tributários, custos trabalhistas, incentivos à exportação e mudanças regulatórias no Paraguai, que ajudam a explicar por que empresas brasileiras passaram a avaliar o país vizinho como alternativa produtiva.

Também fica evidente que a comparação entre governos depende do recorte adotado, já que a maior soma acumulada citada pelo Poder360 aparece nos anos Lula 2 e Dilma, enquanto outro agrupamento temporal destaca o avanço entre 2017 e 2020.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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