Operação da FAB usou um H-36 Caracal para retirar dois tripulantes doentes de um navio longe da costa de Recife, em uma missão aeromédica que exigiu voo pairado, guincho, equipe especializada e coordenação entre unidades de salvamento.
A Força Aérea Brasileira resgatou, em 24 de agosto de 2024, dois tripulantes da embarcação Bourdeaux que estavam a cerca de 80 milhas náuticas do litoral de Recife, em Pernambuco, com infecção gastrointestinal, febre, suspeita de sepse e outras enfermidades.
Realizada com um helicóptero H-36 Caracal, a operação utilizou içamento por guincho depois que os pacientes passaram a necessitar de atendimento em unidade de terapia intensiva, condição que tornou a evacuação aeromédica a alternativa mais rápida para levá-los a terra.
A missão ficou sob responsabilidade do Primeiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação, o Esquadrão Falcão, unidade sediada na Base Aérea de Natal, em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, e especializada em operações de busca e salvamento.
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Após contato com o Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Recife, o SALVAERO-RECIFE, o Comando de Operações Aeroespaciais coordenou o acionamento da aeronave e a resposta operacional necessária para alcançar a embarcação em alto-mar.
Resgate em alto-mar exigiu voo pairado sobre o navio

Às 03h35, o H-36 Caracal decolou de Parnamirim, seguiu até Recife para abastecimento e, depois, prosseguiu em direção ao ponto onde estava a embarcação, em uma área distante da costa pernambucana.
Sobre o navio, a aeronave precisou permanecer em voo pairado enquanto a equipe SAR descia até o convés para preparar a retirada dos dois pacientes, sem que houvesse possibilidade de pouso na embarcação.
Usada em operações de busca e salvamento, a sigla SAR vem do inglês Search and Rescue e identifica equipes treinadas para atuar em situações de emergência, inclusive em ambientes de difícil acesso, como áreas marítimas afastadas do litoral.
Nesse tipo de missão, o helicóptero precisa manter estabilidade sem tocar o navio, enquanto o guincho cria uma ligação vertical entre a cabine e o convés, que pode se movimentar conforme as condições do mar.
Segundo a FAB, os militares empregaram maca e alça de resgate para retirar os tripulantes enfermos, procedimento adotado diante da impossibilidade de pouso, da distância em relação ao litoral e das limitações de acesso por outros meios.
Equipe tinha dez militares a bordo do H-36 Caracal
Dez militares participaram da operação a bordo da aeronave, entre eles dois pilotos, um mecânico de aeronave, um operador de guincho, três homens de resgate, um médico e dois enfermeiros.
Cada função integrou uma sequência coordenada para retirar os pacientes do convés, garantir a segurança do içamento e manter a assistência durante o deslocamento aéreo até Recife, onde equipes em solo aguardavam a chegada do helicóptero.
Durante a etapa principal da missão, foram realizados seis içamentos em 32 minutos, incluindo os movimentos necessários para descer a equipe de resgate e elevar os tripulantes até a cabine do H-36 Caracal.

Encerrada a retirada dos pacientes, a aeronave retornou para Recife e pousou às 07h20, quando uma ambulância já aguardava para encaminhar os enfermos à rede hospitalar especializada e dar continuidade ao atendimento médico.
Guincho transforma helicóptero em acesso médico no mar
A imagem de um H-36 Caracal pairando sobre um navio mostra como helicópteros de grande porte podem atuar em emergências fora do alcance imediato de ambulâncias, portos, pistas de pouso ou deslocamentos terrestres.
Em alto-mar, a aeronave passa a funcionar como meio de transporte, plataforma de resgate e ponte para atendimento médico, permitindo que uma equipe especializada chegue ao ponto da ocorrência sem depender de estrutura fixa no local.
Entre as etapas mais sensíveis da missão está o uso do guincho, já que o procedimento ocorre com a aeronave suspensa e exige controle constante de altitude, distância e posição em relação à embarcação.
Enquanto os pilotos mantêm o helicóptero estabilizado no ar, o operador do equipamento controla o cabo e acompanha a movimentação abaixo da aeronave, em comunicação com os resgatistas que trabalham no convés.
No navio, os homens de resgate precisam organizar maca, alça e deslocamento dos pacientes sem perder a referência da cabine, do cabo e do movimento da embarcação, que pode variar conforme o balanço do mar.
Além da instabilidade natural do ambiente marítimo, estruturas como mastros, antenas e equipamentos do navio exigem distância segura da aeronave, o que torna o planejamento e a coordenação por rádio partes decisivas da operação.
Esquadrão Falcão atua em busca e salvamento
Sediado na Base Aérea de Natal, o Esquadrão Falcão atua em missões de busca e salvamento e evacuação aeromédica, com capacidade para operar em áreas afastadas e cenários onde o acesso por meios convencionais é limitado.
Na ocorrência envolvendo a embarcação Bourdeaux, o SALVAERO-RECIFE recebeu o contato inicial, avaliou a necessidade da missão e integrou a resposta com o Comando de Operações Aeroespaciais e a tripulação mobilizada.
Uma evacuação aeromédica desse tipo envolve mais do que o deslocamento de uma aeronave, porque exige identificação da emergência, escolha do meio adequado, extração segura dos pacientes e acionamento de suporte terrestre na chegada.
O resgate também mostra como a aviação militar amplia o alcance do atendimento médico em regiões onde não há acesso rápido por terra, especialmente quando a emergência ocorre longe da costa e depende de uma resposta coordenada.
No caso do navio Bourdeaux, a retirada dos tripulantes enfermos reuniu pilotos, operadores, resgatistas e profissionais de saúde em uma operação na qual o H-36 Caracal serviu como ligação direta entre o convés e a rede hospitalar.

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