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Fim da escala 6×1 avança no Congresso e coloca a indústria em alerta: jornada de 40 horas, dois dias de folga e salário mantido parecem boa notícia, mas 70% das empresas temem perder competitividade, elevar custos e produzir menos — afinal, o Brasil está pronto para trabalhar menos sem pagar uma conta maior?

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 02/07/2026 às 14:11 Atualizado em 02/07/2026 às 14:13
Assista o vídeoFuncionário organiza produtos em prateleira de supermercado, ao lado de carrinho de reposição, em imagem que representa a rotina de trabalho impactada pelo debate sobre o fim da escala 6x1.
Cena de reposição de produtos em supermercado ajuda a ilustrar os setores que podem sentir os efeitos da proposta de redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1.
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Pesquisa da CNI mostra preocupação com custos, produção e competitividade, enquanto o governo defende a escala 5×2 e a manutenção integral dos salários

O fim da escala 6×1 avançou no Congresso Nacional e abriu um dos debates trabalhistas mais relevantes dos últimos anos no Brasil.

A proposta prevê jornada máxima de 40 horas semanais, dois dias de descanso remunerado e manutenção dos salários.

Dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria, a CNI, em 2 de julho de 2026, mostram forte resistência empresarial.

O levantamento aponta que 70% das indústrias temem perder competitividade caso a mudança seja aprovada definitivamente.

Outro dado revela que 68% das empresas projetam redução no volume produzido.

A gestão federal, por sua vez, apoia a proposta e sustenta que mais tempo livre poderá favorecer renda, qualificação e empreendedorismo.

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Pesquisa revela preocupação entre empresas industriais

A sondagem da CNI foi realizada entre 2 e 11 de março de 2026.

Representantes de 1.664 indústrias de pequeno, médio e grande porte participaram do levantamento.

Desse total, 1.366 empresas pertencem às indústrias extrativa e de transformação. Outras 298 atuam no setor da construção.

A pesquisa mostra que 85% das indústrias utilizam atualmente a jornada semanal de 44 horas.

O impacto da mudança deverá alcançar 97% das empresas consultadas, segundo a entidade.

Os principais resultados foram:

  • 85% projetam aumento dos custos com empregados;
  • 82% esperam despesas maiores com fornecedores;
  • 70% preveem perda de competitividade;
  • 68% estimam redução no volume de produção;
  • 73% rejeitam a redução obrigatória da jornada;
  • 57% são contrárias ao fim da escala 6×1.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o mercado interno precisa permanecer forte, produtivo e preparado para enfrentar a concorrência estrangeira.

Câmara aprova jornada de 40 horas em dois turnos

A Câmara dos Deputados aprovou a PEC 221/2019 em 27 de maio de 2026.

O primeiro turno registrou 472 votos favoráveis e 22 contrários.

O segundo turno terminou com 461 votos favoráveis e 19 contrários.

O texto chegou ao Senado Federal em 28 de maio de 2026.

A aprovação exigirá, no mínimo, 49 votos entre os 81 senadores, em dois turnos de votação.

O calendário para análise da proposta ainda não foi definido.

Redução da jornada ocorrerá em etapas

A proposta estabelece uma transição de 14 meses até a implantação completa da jornada semanal de 40 horas.

A primeira mudança ocorrerá dois meses após a promulgação.

O limite semanal cairá de 44 para 42 horas, com garantia de dois dias de descanso remunerado.

Uma das folgas deverá ocorrer preferencialmente aos domingos.

A segunda etapa começará 12 meses depois.

O limite definitivo passará para 40 horas semanais, sem redução nominal ou proporcional dos salários.

Acordos e convenções coletivas incompatíveis com a nova jornada perderão validade após os dois primeiros meses.

Profissionais de alta renda poderão ficar fora da regra

A proposta estabelece exceções para determinados trabalhadores.

Profissionais com diploma de nível superior e remuneração acima de 2,5 vezes o teto do INSS poderão ficar fora das limitações de jornada.

O valor corresponde atualmente a aproximadamente R$ 21,1 mil mensais.

O controle de ponto também não será aplicado a esses profissionais.

O descanso remunerado de dois dias por semana, contudo, deverá ser preservado.

Senado avalia aplicação imediata das mudanças

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reuniu-se com parlamentares e representantes sindicais em 1º de julho de 2026.

A duração da transição foi um dos principais pontos discutidos no encontro.

A assessoria legislativa do Senado passou a avaliar uma emenda de redação.

A alteração poderá permitir que o fim da escala 6×1 e a jornada reduzida entrem em vigor imediatamente após a promulgação.

O formato definitivo ainda dependerá das negociações entre os senadores.

Governo e indústria apresentam visões diferentes

O governo federal avalia que mais tempo livre poderá estimular pequenos negócios, capacitação profissional e geração de renda.

A indústria alerta para aumento dos custos trabalhistas, redução da produção e perda de competitividade.

Representantes empresariais defendem cautela, negociação coletiva e prazo suficiente para adaptação.

O debate reúne temas como qualidade de vida, produtividade, emprego, custos, produção e competitividade nacional.

A redução da jornada poderá representar uma transformação importante no mercado de trabalho brasileiro.

A grande dúvida, porém, permanece: o país conseguirá trabalhar menos sem aumentar custos, reduzir empregos ou encarecer produtos e serviços?

Na sua opinião, o fim da escala 6×1 deve ser aplicado imediatamente ou precisa de uma transição maior? Deixe seu comentário!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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