Pesquisa da CNI mostra preocupação com custos, produção e competitividade, enquanto o governo defende a escala 5×2 e a manutenção integral dos salários
O fim da escala 6×1 avançou no Congresso Nacional e abriu um dos debates trabalhistas mais relevantes dos últimos anos no Brasil.
A proposta prevê jornada máxima de 40 horas semanais, dois dias de descanso remunerado e manutenção dos salários.
Dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria, a CNI, em 2 de julho de 2026, mostram forte resistência empresarial.
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O levantamento aponta que 70% das indústrias temem perder competitividade caso a mudança seja aprovada definitivamente.
Outro dado revela que 68% das empresas projetam redução no volume produzido.
A gestão federal, por sua vez, apoia a proposta e sustenta que mais tempo livre poderá favorecer renda, qualificação e empreendedorismo.
Pesquisa revela preocupação entre empresas industriais
A sondagem da CNI foi realizada entre 2 e 11 de março de 2026.
Representantes de 1.664 indústrias de pequeno, médio e grande porte participaram do levantamento.
Desse total, 1.366 empresas pertencem às indústrias extrativa e de transformação. Outras 298 atuam no setor da construção.
A pesquisa mostra que 85% das indústrias utilizam atualmente a jornada semanal de 44 horas.
O impacto da mudança deverá alcançar 97% das empresas consultadas, segundo a entidade.
Os principais resultados foram:
- 85% projetam aumento dos custos com empregados;
- 82% esperam despesas maiores com fornecedores;
- 70% preveem perda de competitividade;
- 68% estimam redução no volume de produção;
- 73% rejeitam a redução obrigatória da jornada;
- 57% são contrárias ao fim da escala 6×1.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o mercado interno precisa permanecer forte, produtivo e preparado para enfrentar a concorrência estrangeira.
Câmara aprova jornada de 40 horas em dois turnos
A Câmara dos Deputados aprovou a PEC 221/2019 em 27 de maio de 2026.
O primeiro turno registrou 472 votos favoráveis e 22 contrários.
O segundo turno terminou com 461 votos favoráveis e 19 contrários.
O texto chegou ao Senado Federal em 28 de maio de 2026.
A aprovação exigirá, no mínimo, 49 votos entre os 81 senadores, em dois turnos de votação.
O calendário para análise da proposta ainda não foi definido.
Redução da jornada ocorrerá em etapas
A proposta estabelece uma transição de 14 meses até a implantação completa da jornada semanal de 40 horas.
A primeira mudança ocorrerá dois meses após a promulgação.
O limite semanal cairá de 44 para 42 horas, com garantia de dois dias de descanso remunerado.
Uma das folgas deverá ocorrer preferencialmente aos domingos.
A segunda etapa começará 12 meses depois.
O limite definitivo passará para 40 horas semanais, sem redução nominal ou proporcional dos salários.
Acordos e convenções coletivas incompatíveis com a nova jornada perderão validade após os dois primeiros meses.
Profissionais de alta renda poderão ficar fora da regra
A proposta estabelece exceções para determinados trabalhadores.
Profissionais com diploma de nível superior e remuneração acima de 2,5 vezes o teto do INSS poderão ficar fora das limitações de jornada.
O valor corresponde atualmente a aproximadamente R$ 21,1 mil mensais.
O controle de ponto também não será aplicado a esses profissionais.
O descanso remunerado de dois dias por semana, contudo, deverá ser preservado.
Senado avalia aplicação imediata das mudanças
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reuniu-se com parlamentares e representantes sindicais em 1º de julho de 2026.
A duração da transição foi um dos principais pontos discutidos no encontro.
A assessoria legislativa do Senado passou a avaliar uma emenda de redação.
A alteração poderá permitir que o fim da escala 6×1 e a jornada reduzida entrem em vigor imediatamente após a promulgação.
O formato definitivo ainda dependerá das negociações entre os senadores.
Governo e indústria apresentam visões diferentes
O governo federal avalia que mais tempo livre poderá estimular pequenos negócios, capacitação profissional e geração de renda.
A indústria alerta para aumento dos custos trabalhistas, redução da produção e perda de competitividade.
Representantes empresariais defendem cautela, negociação coletiva e prazo suficiente para adaptação.
O debate reúne temas como qualidade de vida, produtividade, emprego, custos, produção e competitividade nacional.
A redução da jornada poderá representar uma transformação importante no mercado de trabalho brasileiro.
A grande dúvida, porém, permanece: o país conseguirá trabalhar menos sem aumentar custos, reduzir empregos ou encarecer produtos e serviços?
Na sua opinião, o fim da escala 6×1 deve ser aplicado imediatamente ou precisa de uma transição maior? Deixe seu comentário!

