Os túneis de Burhanpur, na Índia, captam água subterrânea e usam galerias em leve descida para conduzir o fluxo sem energia elétrica. A obra de 1615 reúne oito sistemas hidráulicos, poços de inspeção e canais ainda ativos. A engenharia hidráulica histórica ajuda a explicar como a cidade preserva esse abastecimento. O volume citado chega a 1,8 milhão de litros por dia.
Os túneis construídos em 1615 sob Burhanpur, na Índia, ainda levam água por gravidade, sem depender de bombas elétricas para empurrar o fluxo durante o percurso.
A informação foi publicada pela UNESCO, agência da ONU para educação, ciência e cultura. A cidade aparece na Lista Indicativa apresentada pela Índia em 8 de fevereiro de 2024.
O dado de 1,8 milhão de litros por dia integra o material enviado para a Lista Indicativa. Esse volume não deve ser entendido como uma medição independente recente, mas como informação declarada no dossiê sobre o sistema histórico.
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Burhanpur precisava levar água para áreas onde os rios não resolviam o problema
Burhanpur fica no estado de Madhya Pradesh, na Índia, perto dos rios Tapti e Utavali. Mesmo com esses rios por perto, as margens altas dificultavam e encareciam o transporte de água até diferentes partes da cidade.
No período Mughal, Burhanpur cresceu como ponto militar e comercial. A necessidade de abastecer moradores, tropas e viajantes fez surgir uma solução que buscava água no subsolo e a levava para dentro da cidade.
Foi nesse cenário que nasceu o Khooni Bhandara, um conjunto de estruturas criado para captar e conduzir água. A obra aproveitou as características do terreno em vez de depender de máquinas.
Oito sistemas hidráulicos escondidos no solo fazem a água seguir sozinha
O Khooni Bhandara reúne oito sistemas hidráulicos construídos em Burhanpur. Sistema hidráulico é o nome dado ao conjunto de estruturas que capta, leva, armazena e distribui água.
A água subterrânea é captada em áreas próximas às colinas de Satpura e entra em canais escondidos sob o solo. Depois, segue para pontos de armazenamento antes de chegar à cidade.
A lógica é simples, mas exige precisão. As galerias foram feitas com uma leve descida, permitindo que a água avance pela força da gravidade.
A ideia se aproxima de uma adutora por gravidade, que leva água de um ponto mais alto para outro mais baixo. Também lembra aquedutos antigos e obras de captação que usam os desníveis naturais do terreno.
Poços verticais levam ar e permitem reparar os túneis de Burhanpur
O sistema possui 103 kundis, estruturas semelhantes a poços que se conectam a túneis subterrâneos. Eles ajudam a chegar às galerias e tornam possível observar o estado da rede de água.
UNESCO, agência da ONU voltada a educação, ciência e cultura, registra que os poços verticais tinham duas funções importantes: levar ar para dentro dos túneis e dar acesso aos trabalhadores responsáveis pelos reparos.

Quando uma passagem ficava bloqueada, era possível descer pelo poço e limpar ou corrigir o problema. Esse acesso evitava que toda a área acima dos canais precisasse ser aberta.
A manutenção continua sendo decisiva para a sobrevivência da obra. Sem limpeza e cuidados frequentes, a água encontra mais dificuldade para atravessar os túneis.
Volume de 1,8 milhão de litros por dia aparece no dossiê da cidade indiana
O Khooni Bhandara já teve uma capacidade de armazenamento maior ao longo de sua história. O dossiê informa que o sistema fornece 1,8 milhão de litros de água por dia e ainda funciona sem custo de energia para movimentar a água.
Seis condutos subterrâneos permanecem preservados e ativos. Isso mostra que parte da engenharia feita há mais de quatro séculos continua útil para o abastecimento de Burhanpur.
A presença na Lista Indicativa não significa que Burhanpur já recebeu o título de Patrimônio Mundial. A relação reúne locais apresentados para possível análise futura.
O valor de 1,8 milhão de litros por dia precisa ser lido com cuidado. Ele pertence ao material apresentado pela Índia e não traz uma medição independente recente ligada ao volume informado.
Cálcio e magnésio estreitam as galerias e ameaçam o funcionamento da rede
A preservação dos túneis enfrenta um problema físico dentro das galerias. O acúmulo de cálcio e magnésio nas paredes reduz o espaço por onde a água passa.
Quando o caminho fica mais estreito, o fluxo perde força e a capacidade do sistema diminui. Por isso, conservar os túneis não significa apenas proteger uma construção antiga.
A manutenção ajuda a manter uma infraestrutura que ainda atende parte das necessidades de água da cidade. Os poços, os canais e os pontos de armazenamento precisam funcionar como uma rede única.
Burhanpur mostra que obras antigas não precisam ser apenas peças de museu. Quando recebem cuidado, elas podem continuar resolvendo problemas reais ligados ao acesso à água.
Os túneis de Burhanpur unem engenharia hidráulica, gravidade e conhecimento do terreno em uma obra construída em 1615. A água segue por galerias escondidas, passa por poços de inspeção e chega a partes da cidade sem bombas elétricas.
A estrutura também mostra que preservar obras antigas pode ser útil para o presente, principalmente em lugares onde a água precisa ser captada e conduzida com cuidado.
Você acredita que cidades brasileiras poderiam aproveitar melhor o relevo e obras antigas para reduzir o gasto de energia no abastecimento de água? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta história.

