Jesús Malverde teria vivido em Sinaloa no século 19 e se transformou em símbolo de proteção para pobres, marginalizados e integrantes do narcotráfico mexicano.
Uma das figuras mais controversas da religiosidade popular mexicana teria iniciado sua trajetória como um fora da lei.
Conhecido como Jesús Malverde, ele teria roubado fazendeiros ricos e autoridades corruptas para ajudar moradores pobres de Sinaloa, no norte do México.
A fama dessas ações fez Malverde ser comparado a Robin Hood. Décadas depois, ele também passou a ser chamado de “santo dos traficantes”.
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A enorme devoção popular, porém, não foi suficiente para garantir o reconhecimento da Igreja Católica. A própria existência histórica de Malverde permanece cercada por dúvidas.
O suposto Robin Hood mexicano que ajudava os pobres
Relatos populares afirmam que Jesús Malverde teria vivido no final do século 19, no estado mexicano de Sinaloa.
Naquele período, ele atacaria grandes proprietários e autoridades consideradas corruptas. Parte dos bens roubados seria distribuída entre comunidades pobres.
Essa postura teria conquistado a admiração das camadas mais marginalizadas da população. O governo local, por sua vez, teria oferecido uma recompensa pela captura do criminoso.
Durante um dos assaltos, Malverde teria sido baleado. Cercado e sem possibilidade de fuga, ele teria se entregado às autoridades.
Execução em 1909 ajudou a construir a lenda
Uma narrativa apresentada pelo Equal Times afirma que Jesús Malverde teria sido executado em 3 de maio de 1909.
As autoridades também teriam proibido o sepultamento. O corpo teria permanecido exposto em uma árvore para intimidar outros criminosos.
Moradores da região começaram, com o passar do tempo, a cobrir os restos mortais com pedras.
A prática teria dado origem ao mito do “bandido dos pobres”, uma figura que atravessou gerações e se tornou objeto de devoção.
Registros apresentados pela revista piauí, contudo, destacam as incertezas históricas sobre Malverde. Sua trajetória pode ter sido construída pelo imaginário popular mexicano.
Ligação com o narcotráfico surgiu décadas depois
A associação entre Jesús Malverde e o narcotráfico apareceu muito tempo depois de sua suposta morte.
Sinaloa se transformou em um dos principais centros do tráfico de drogas no México. A origem regional de Malverde, portanto, aproximou sua imagem desse universo.
Uma história popular também envolve Raymundo Escalante, filho de um traficante influente.
Raymundo teria sofrido uma tentativa de assassinato ordenada pelo próprio pai. Ferido, ele teria rezado para Malverde e sobrevivido, segundo a narrativa dos devotos.
Traficantes passaram, a partir desse episódio, a visitar os altares do santo popular em busca de proteção.
Entre os nomes associados à devoção aparecem Rafael Caro Quintero, Amado Carrillo e seguidores de Joaquín Guzmán, o El Chapo.
Devoção a Malverde vai além do crime
Limitar Jesús Malverde ao narcotráfico ignora uma parcela expressiva de seus seguidores.
Moradores de regiões marcadas pela pobreza e pela violência enxergam nele uma figura próxima das dificuldades enfrentadas diariamente.
Os devotos também recorrem a Malverde para fazer pedidos relacionados a:
- emprego e prosperidade;
- proteção para familiares;
- segurança em momentos de risco;
- conforto diante de dificuldades.
Malverde funciona, dessa maneira, como um santo popular acessível. O reconhecimento oficial da Igreja Católica, entretanto, nunca foi concedido.
Altares recebem tequila, cigarros e dinheiro
Altares dedicados a Jesús Malverde são encontrados atualmente em diferentes regiões do México.
A devoção também chegou a cidades dos Estados Unidos e da Colômbia.
Uma das capelas mais conhecidas da Cidade do México fica na Colonia Doctores, conforme registros do Excélsior e do portal Chilango.
Imagens de Malverde dividem o espaço com representações da Santa Morte. O ambiente costuma permanecer tomado pelo cheiro de tabaco.
Os seguidores deixam diferentes oferendas diante das imagens:
- flores e maçãs;
- garrafas de tequila;
- cigarros e charutos;
- dinheiro;
- objetos religiosos personalizados.
Visitantes esperam receber proteção, alcançar graças ou agradecer por pedidos atendidos em troca das oferendas.
Celebrações reúnem devotos duas vezes por mês
Os dias 3 e 17 de cada mês são marcados por celebrações dedicadas a Jesús Malverde.
Fiéis se reúnem nessas datas para rezar, agradecer por graças alcançadas e apresentar novos pedidos.
A história do “bandido dos pobres” permanece viva na cultura popular mexicana mais de um século após a suposta execução de 1909.
Para você, Jesús Malverde representa principalmente um protetor dos marginalizados ou um símbolo ligado ao narcotráfico? Deixe sua opinião!
