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Enquanto a produção de motos do Brasil se concentra na Zona Franca de Manaus por causa dos incentivos fiscais, a pernambucana Avelloz aposta em outra estratégia e vai investir R$ 8,3 milhões em peças e pós-venda para crescer a partir do Nordeste, já como a quinta marca mais emplacada do país

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 01/06/2026 às 20:59 Atualizado em 01/06/2026 às 21:04
A produção de motos se concentra em Manaus, mas a pernambucana Avelloz investe R$ 8,3 milhões em peças e pós-venda para crescer a partir do Nordeste.
A produção de motos se concentra em Manaus, mas a pernambucana Avelloz investe R$ 8,3 milhões em peças e pós-venda para crescer a partir do Nordeste.
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A estratégia inverte a lógica do setor: em vez de depender da Amazônia, a empresa monta as motos perto de onde elas mais vendem. A aposta não é em fábrica gigante, mas em logística e reposição de peças, justamente o calcanhar de aquiles de quem compra uma marca fora do eixo tradicional.

Enquanto a produção de motos do Brasil se concentra na Zona Franca de Manaus por causa dos fortes incentivos fiscais, a pernambucana Avelloz aposta em uma estratégia diferente. A empresa vai investir R$ 8,3 milhões em peças e pós-venda em 2026 para crescer a partir do Nordeste, apoiada na proximidade com um dos maiores mercados consumidores do país e já figurando como a quinta marca de motos mais emplacada do Brasil.

O anúncio do investimento foi divulgado em 31 de maio de 2026 pela publicação Movimento Econômico. Antes de tudo, vale uma observação importante para entender o caso: a Avelloz se apresenta como montadora, mas seu modelo de negócio é baseado na importação de peças, sobretudo da China, que são montadas em sua estrutura no Brasil. Ou seja, não se trata de uma fábrica verticalizada que produz tudo internamente, e sim de uma operação de montagem e, principalmente, de logística e pós-venda.

A aposta fora da Zona Franca de Manaus

A produção de motos se concentra em Manaus, mas a pernambucana Avelloz investe R$ 8,3 milhões em peças e pós-venda para crescer a partir do Nordeste.
O ponto central da estratégia da empresa é geográfico. 

Enquanto a produção de motos no Brasil se concentra historicamente na Zona Franca de Manaus, atraída pelos incentivos fiscais, a Avelloz fixou sua base em Paulista, no Grande Recife, apostando que a proximidade com o consumidor do Nordeste compensa a ausência dos benefícios tributários amazônicos, ao cortar etapas e custos de logística.

A lógica faz sentido quando se olha para os números do mercado.

O Nordeste é hoje a região onde as motos são mais presentes nos lares do que os carros, com 34,5% contra 30%, segundo o IBGE, e respondeu por cerca de 33% de todos os emplacamentos de motocicletas do país em 2025.

Estar perto desse mercado, na visão da empresa, é um trunfo competitivo que ajuda a entregar mais rápido e a baratear o produto final para o consumidor regional.

O foco no calcanhar de aquiles: as peças

O investimento anunciado não mira a fabricação em si, mas um problema clássico de marcas alternativas. 

O aporte de R$ 8,3 milhões, bem acima dos R$ 2,7 milhões de 2025, é voltado ao pós-venda e à reposição de peças, considerado um dos maiores gargalos do setor e o principal receio de quem compra uma moto de marca fora do eixo tradicional, segundo informações da própria empresa.

Para isso, a Avelloz afirma manter um estoque de quase meio milhão de itens e um centro de distribuição em Paulista, com 11 ruas logísticas e cerca de 1.500 posições de armazenagem, atendendo a uma rede de mais de 450 lojas.

A ideia é oferecer a previsibilidade que o consumidor exige: saber que, se precisar de uma peça, ela estará disponível rapidamente, o que costuma ser o ponto fraco de marcas que não são líderes de mercado.

Reduzindo a dependência da China

A produção de motos se concentra em Manaus, mas a pernambucana Avelloz investe R$ 8,3 milhões em peças e pós-venda para crescer a partir do Nordeste.
Um dos movimentos recentes da empresa ataca justamente a dependência externa. 

No fim de 2025, a Avelloz implantou uma área própria de pintura de peças, com o objetivo de reduzir o tempo de espera e a dependência de fornecedores na China, de onde os componentes levam de dois a três meses para chegar ao Brasil, segundo a empresa.

De acordo com o diretor de engenharia da marca, Guilherme Limeira, a estrutura permite pintar carenagens sob demanda, atendendo à reposição e à recuperação de peças, o que daria mais controle sobre o processo e agilidade no atendimento.

É um passo de verticalização parcial, ainda que a operação siga dependente da importação dos componentes principais, o que mostra que reduzir prazos logísticos é uma preocupação central do negócio.

Quem é a Avelloz e o que ela produz

Apesar de não ser tão conhecida do grande público, a marca cresceu de forma consistente. 

Fundada em 2008, a Avelloz monta cerca de 4.000 motocicletas por mês no Brasil, com modelos populares como a scooter AZ1, a AZ125 Alfa e a trail AZ160 Xtreme, e fechou 2025 como a quinta marca mais emplacada do país, com 33.095 emplacamentos, segundo dados da Fenabrave, a federação que reúne os distribuidores de veículos.

Esse resultado, segundo a empresa, foi alcançado mesmo sem atuação forte em grandes mercados como São Paulo, o que ajuda a explicar por que a marca agora mira a expansão para o Sul e o Sudeste.

Para 2026, a Avelloz confirmou o lançamento da street AZ170 Bravo e prevê outros modelos, ampliando o portfólio para disputar novos segmentos, embora nem todos os lançamentos tenham data garantida para este ano.

O peso da competição tributária

A trajetória da empresa também expõe um debate maior sobre a indústria nacional. 

O modelo de incentivos da Zona Franca de Manaus torna a competição tributária bastante desigual, e muitos projetos industriais no Nordeste acabam patinando diante dessa vantagem fiscal, o que faz da aposta da Avelloz um movimento ousado em um terreno difícil para quem está fora do polo amazônico.

É importante, porém, manter o equilíbrio na análise: a Zona Franca de Manaus é uma política pública que gera empregos e desenvolvimento na Amazônia, e o caso da Avelloz não significa que um modelo seja melhor que o outro, mas que há diferentes caminhos possíveis.

A discussão sobre concentração industrial, incentivos fiscais e desenvolvimento regional é complexa e tem defensores e críticos dos dois lados, sem uma resposta simples.

A aposta da Avelloz mostra que a produção de motos no Brasil pode seguir caminhos alternativos ao da Zona Franca de Manaus, usando a proximidade com o mercado consumidor e a eficiência logística como armas competitivas.

Ainda que se trate, na prática, de uma operação de montagem e pós-venda dependente da importação de peças, e não de uma grande fábrica verticalizada, o crescimento da marca pernambucana até a quinta posição nacional é um caso interessante de estratégia empresarial.

Resta acompanhar se a aposta no Nordeste se sustentará à medida que a empresa avança rumo aos mercados mais disputados do Sul e do Sudeste.

E você, conhecia a Avelloz ou já viu essas motos circulando na sua região? O que acha da estratégia de produzir fora da Zona Franca de Manaus, apostando no Nordeste? Deixe seu comentário, conte sua opinião sobre o mercado de motos no Brasil e compartilhe a matéria com quem se interessa por indústria, economia e o setor de motocicletas.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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