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Energia solar perde espaço no novo plano da Petrobras; empresa reforça foco em petróleo, gás e biocombustíveis

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Escrito por Rannyson Moura Publicado em 28/11/2025 às 14:37 Atualizado em 28/11/2025 às 14:38
Petrobras corta em 60% o orçamento para energia solar e eólica onshore no Plano Estratégico 2026-2030, enquanto prioriza petróleo, gás e biocombustíveis nos próximos cinco anos.
Petrobras corta em 60% o orçamento para energia solar e eólica onshore no Plano Estratégico 2026-2030, enquanto prioriza petróleo, gás e biocombustíveis nos próximos cinco anos.
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Petrobras corta em 60% o orçamento para energia solar e eólica onshore no Plano Estratégico 2026-2030, enquanto prioriza petróleo, gás e biocombustíveis nos próximos cinco anos.

A energia solar passou a ocupar uma posição secundária no novo ciclo de investimentos da Petrobras. No Plano Estratégico 2026–2030, divulgado nesta quarta-feira, 27 de novembro, a estatal reduziu de forma significativa os recursos destinados à geração renovável, especialmente aos projetos solares e de eólica onshore.

A decisão ocorre em meio à queda do preço do petróleo, que impactou diretamente a revisão das prioridades financeiras da companhia.

Segundo o documento, a redução no valor do barril contribuiu para um corte de 1,8% no volume total de investimentos previstos pela empresa nos próximos cinco anos. Como reflexo direto, as ambições da Petrobras no segmento de energia solar e eólica em terra foram revisadas para baixo.

Corte de 60% redefine espaço das renováveis no plano 2026–2030

No novo planejamento, a alocação voltada a fontes renováveis perdeu US$ 2,6 bilhões em relação ao Plano Estratégico anterior. Esse valor representa uma retração de aproximadamente 60% no orçamento originalmente projetado para energia solar e eólica onshore.

Com isso, a Petrobras passa a prever investimentos totais de US$ 6,4 bilhões na área de Gás, Energias e Baixo Carbono. Esse montante engloba diversas frentes, mas deixa claro que a geração elétrica renovável deixou de ser prioridade imediata dentro da estratégia corporativa.

Considerando todas as áreas de atuação, a companhia planeja investir US$ 109 bilhões até 2030. Desse total, a maior parcela segue concentrada nos segmentos tradicionais do negócio.

Biocombustíveis ganham protagonismo no portfólio de baixo carbono

Ao mesmo tempo em que reduz a aposta direta em energia solar, a Petrobras sinaliza uma mudança de foco dentro da transição energética. A empresa informou que pretende priorizar biocombustíveis, como etanol, biodiesel, biometano, diesel R, SAF e biobunker.

De acordo com a companhia, essa estratégia está “em linha com o avanço regulatório e o mercado, aproveitando as sinergias com as operações da companhia”. Na prática, isso significa direcionar recursos para áreas que dialogam mais diretamente com a infraestrutura existente da Petrobras e apresentam maior previsibilidade de retorno.

Metas de potência instalada em energia solar são revisadas para baixo

Uma das mudanças mais evidentes do novo Plano Estratégico está nas metas de capacidade instalada. As ambições da Petrobras em energia eólica onshore e energia solar caíram de 4,5 gigawatts (GW) até 2030 para apenas 1,7 GW no mesmo horizonte temporal.

Na avaliação da estatal, a demanda por geração elétrica renovável deverá se acelerar apenas após 2030. Até lá, a companhia afirma que continuará buscando parcerias para projetos solares e eólicos em terra, tanto para oportunidades comerciais quanto para iniciativas de autogeração.

Esses projetos poderão ser implementados por meio de joint-ventures ou estruturas próprias voltadas à descarbonização das operações.

Energia solar ainda não saiu do papel, apesar de nova diretoria

Mesmo com a criação da Diretoria de Transição Energética e Sustentabilidade em 2023, a Petrobras ainda não anunciou projetos concretos de geração solar ou eólica onshore. Essa diretoria também é responsável pelas operações de gás natural, o que reforça a centralidade desse segmento no planejamento atual.

Segundo o Plano Estratégico, a expectativa é que as operações da companhia em energia solar e eólica onshore tenham início apenas a partir de 2026, indicando um ritmo mais cauteloso na execução desses projetos.

Geração térmica e armazenamento de energia entram no radar

Enquanto reduz os investimentos em energia solar, a Petrobras avalia ampliar sua atuação em geração térmica. A estatal estuda a implantação de uma nova usina com capacidade de 800 megawatts (MW) no Complexo de Energias Boaventura.

O projeto já foi confirmado pela companhia e deverá ser ofertado no leilão de reserva de capacidade na forma de potência, previsto para março de 2026. Além disso, o novo Plano Estratégico indica, pela primeira vez, a intenção de investir em tecnologias de armazenamento de energia, com cronograma de partida em 2025, embora os valores não tenham sido detalhados.

Participação da energia solar encolhe dentro do orçamento de baixo carbono

Com a revisão do planejamento, a geração eólica onshore e a energia solar passam a representar 27% do capital destinado à área de Gás, Energias e Baixo Carbono. No Plano Estratégico anterior, essa fatia era significativamente maior, alcançando 49% do total.

Cabe destacar que, além da redução percentual, o orçamento total da área também diminuiu cerca de 28%, o que reforça a perda de espaço relativo das fontes renováveis no conjunto dos investimentos planejados.

Biometano e biodiesel lideram crescimento nos aportes previstos

Entre os segmentos de baixo carbono, o biodiesel e o biometano foram os que mais ganharam destaque no novo Plano Estratégico. Os investimentos previstos saltaram de US$ 620 milhões para US$ 1,15 bilhão.

O etanol, mercado para o qual a Petrobras já anunciou intenção de retornar, também registrou leve aumento, passando de US$ 2,14 bilhões para US$ 2,18 bilhões. Já iniciativas de captura e estocagem de carbono mantiveram a projeção de US$ 900 milhões em aportes.

Por outro lado, as parcerias em biorrefino perderam os US$ 450 milhões anteriormente previstos e deixaram de aparecer no novo plano.

Hidrogênio de baixo carbono segue no planejamento da empresa

No segmento de hidrogênio, os investimentos permaneceram estáveis, com previsão de US$ 450 milhões. Em 2026, a Petrobras pretende iniciar a operação de uma planta piloto no Rio Grande do Norte, com potência de 2 MW em eletrólise.

Outro projeto relevante é a planta prevista para a Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, com capacidade de 20 MW em eletrólise e entrada em operação estimada para 2029. O Plano Estratégico também indica que iniciativas em hidrogênio poderão ocorrer via joint-ventures.

Petróleo segue no centro da estratégia de investimentos

Principal área de atuação da Petrobras, o segmento de Exploração e Produção (E&P) continua concentrando a maior fatia dos recursos. Mesmo com uma redução de 9,42% nos investimentos previstos, a área soma US$ 69,2 bilhões até 2030, o equivalente a 75,4% do total planejado.

A maior queda ocorre em projetos que ainda não receberam decisão final de investimento, que perderam US$ 8,4 bilhões em provisões. Para compensar, a companhia pretende implementar medidas de redução de custos e aumento de eficiência, como a diminuição de gastos com plataformas sem produção e a otimização da logística aérea e marítima.

Além disso, a Petrobras indica que buscará articulações para reduzir tarifas de transporte de gás natural, reforçando a centralidade desse insumo mesmo diante dos avanços graduais em energia solar e outras fontes de baixo carbono.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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