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Energia solar no Rio Grande do Norte desacelera no 3º trimestre de 2025, mas mantém expansão em quase todo o estado

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 16/12/2025 às 14:07
Energia solar registra queda nas novas instalações no 3º trimestre de 2025 no Rio Grande do Norte, segundo a Sedec, em meio a incertezas regulatórias e debate sobre tarifas.
Energia solar registra queda nas novas instalações no 3º trimestre de 2025 no Rio Grande do Norte, segundo a Sedec, em meio a incertezas regulatórias e debate sobre tarifas.
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Energia solar registra queda nas novas instalações no 3º trimestre de 2025 no Rio Grande do Norte, segundo a Sedec, em meio a incertezas regulatórias e debate sobre tarifas.

A energia solar no Rio Grande do Norte apresentou desaceleração nas novas instalações ao longo do terceiro trimestre de 2025. 

Dados divulgados pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado (Sedec) mostram que, entre julho e setembro, foram instalados 3.018 novos sistemas de geração distribuída (GD), somando 27,15 megawatts (MW) de potência. 

Apesar do avanço territorial e da consolidação da fonte, o desempenho do período foi o mais fraco do ano até agora.

Ainda assim, a geração distribuída com energia solar alcançou 163 dos 167 municípios potiguares. Esse dado reforça o alto nível de descentralização da tecnologia e evidencia a capilaridade do mercado fotovoltaico no estado.

Comparação entre trimestres revela queda acentuada nas instalações

Quando comparado aos dois trimestres anteriores, o resultado do terceiro trimestre chama atenção. No primeiro trimestre de 2025, o estado havia registrado 9.539 novos sistemas de energia solar, com 74,01 MW de potência instalada. Já no segundo trimestre, foram contabilizados 8.048 sistemas e 64,90 MW.

Dessa forma, a redução foi de 68,3% na comparação entre o terceiro e o primeiro trimestre do ano. Na relação com o segundo trimestre, a queda foi de 62,5%. No acumulado de 2025 até setembro, a retração nas novas instalações chegou a 6,68% em relação ao mesmo período de 2024.

Ao observar o acumulado até o terceiro trimestre de cada ano, os números reforçam a desaceleração. Em 2024, o Rio Grande do Norte havia registrado 22.082 novos sistemas de energia solar. Em 2025, esse número caiu para 20.605.

No que diz respeito à potência instalada, o comportamento foi semelhante. Até setembro de 2025, foram contabilizados 166,05 MW. No mesmo intervalo de 2024, o total havia sido de 176,95 MW, o que representa uma queda de 6,16%.

Primeiro trimestre impulsionou o mercado de energia solar

Apesar da retração recente, o início de 2025 foi marcado por forte crescimento. Segundo a Sedec, o primeiro trimestre apresentou um aumento de 50,36% em relação ao mesmo período de 2024, quando haviam sido instalados 6.344 sistemas.

Já no segundo trimestre, mesmo com uma queda de 15,63% em relação aos três primeiros meses do ano, o volume de novas conexões ainda superou o desempenho de 2024. Na comparação anual, houve crescimento de 6,44%, já que naquele período do ano passado foram registradas 7.561 instalações.

O cenário mudou de forma mais intensa no terceiro trimestre. Nesse intervalo, o número de novos sistemas ficou 63,13% abaixo do mesmo período de 2024, sinalizando maior cautela do mercado.

Insegurança regulatória impacta decisões de investimento

De acordo com a Sedec, a oscilação observada ao longo dos trimestres reflete uma fase de estabilidade do mercado de energia solar no estado. Um dos principais fatores apontados é a possibilidade de alterações nos descontos da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), discutidas no âmbito da Medida Provisória 1.304/2025.

Embora as mudanças não tenham sido confirmadas no texto final aprovado, o debate regulatório gerou incertezas. Para Hugo Fonseca, secretário-adjunto da Sedec, esse contexto ajuda a explicar o desempenho mais fraco do terceiro trimestre.

“O mercado local continua aquecido, mesmo com a retração de instalação de novos sistemas, que a gente considera leve, levando em conta o acumulado de cada ano [6,68%]”, avalia Hugo Fonseca.

O secretário-adjunto também destacou que a discussão sobre tarifas e regras de compensação trouxe insegurança temporária. “Essa retração foi provocada por inseguranças regulatórias que ficaram em discussão por um tempo, além da questão das tarifas envolvendo a TUSD. Mas nós entendemos que iremos fechar 2025 de forma positiva, com um cenário de estabilidade”, acrescentou.

Para representantes do setor, a tendência é que o mercado volte a ganhar tração à medida que o ambiente regulatório se torne mais previsível.

Capacidade instalada ainda é considerada baixa frente ao potencial

Atualmente, o Rio Grande do Norte conta com 106.446 sistemas de energia solar conectados à rede, totalizando 957,88 MW de capacidade instalada. Para Williman Oliveira, presidente da Associação Potiguar de Energias Renováveis do RN (Aper), os números ainda estão aquém do potencial do estado.

“Por pouco, a GD não teve uma tarifa que iria inviabilizar o setor, por conta de mudanças propostas pela Lei 14.300. Com isso, a geração distribuída sofreu muito, culminando nos números do terceiro trimestre de 2025. Minha perspectiva é que em 2026, diante do que foi aprovado na lei, o consumidor continue entendendo os benefícios de produzir a própria energia”, frisa Oliveira.

Mossoró e Natal lideram novas instalações no trimestre

No ranking municipal do terceiro trimestre, Mossoró voltou à liderança estadual em potência instalada, posição que havia perdido no segundo trimestre. O município foi responsável por cerca de 15% de toda a potência instalada no estado, com 4.068 kW.

Natal aparece logo em seguida, com 12,4% do total e 3.374 kW instalados. Campo Grande ocupou a terceira posição, com 1.996 kW, superando municípios que historicamente apresentam maior volume de instalações, como Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Extremoz e Macaíba.

Além da potência, Mossoró também liderou em número de sistemas instalados no período. O município concentrou 15,8% de todos os sistemas de energia solar conectados no estado durante o terceiro trimestre. Natal respondeu por 14,1%, enquanto Parnamirim ficou com 8,1%.

Os 15 municípios com maior número de instalações foram responsáveis, juntos, por 62,4% de todos os sistemas implantados entre julho e setembro, reforçando a concentração regional mesmo em um cenário de desaceleração.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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