Dawa Sherpa desapareceu durante a descida do Everest, foi dado como morto pela própria família e reapareceu vivo perto do Acampamento Base após dias de frio, queda, fome e isolamento
O guia nepalês Dawa Sherpa sobreviveu a uma sequência extrema no Monte Everest depois de ficar seis dias desaparecido nas encostas da montanha mais alta do mundo. Ele havia sido visto pela última vez em 29 de maio de 2026, durante a descida, e foi encontrado vivo em 4 de junho, próximo à região da Khumbu Icefall, pouco acima do Acampamento Base.
De acordo com a Reuters e a Associated Press, Dawa estava descendo após uma tentativa de cume quando se separou do grupo entre os acampamentos altos do Everest. A situação ficou ainda mais grave porque ele enfrentou trechos da montanha sem cilindro de oxigênio suplementar, com pouco alimento e sem conseguir acionar seus equipamentos de comunicação.
A história ganhou repercussão porque o guia não apenas resistiu ao frio e à altitude. Segundo relatos divulgados após o resgate, ele também caiu em uma fenda de gelo, ficou preso por dias e só conseguiu sair depois que uma avalanche acumulou neve suficiente para permitir a escalada de volta à rota.
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O desaparecimento começou na parte mais perigosa da descida

Dawa Sherpa trabalhava para a empresa Himalayan Traverse e acompanhava alpinistas estrangeiros na rota do Everest. Segundo a AP, ele foi visto pela última vez durante a descida, perto da região conhecida como Yellow Band, acima do Acampamento 3, que fica a cerca de 7.200 metros de altitude.
O ponto é crítico porque a descida, muitas vezes, é tão perigosa quanto a subida. O corpo já está desgastado, o oxigênio fica escasso, a temperatura cai rapidamente e qualquer atraso pode transformar uma situação difícil em emergência.
Segundo o Guardian, o britânico Chris Thrall estava entre os alpinistas que viram Dawa antes do desaparecimento. Thrall relatou que precisou seguir descendo para ajudar outro escalador em situação grave, enquanto Dawa indicou que continuaria depois.
A partir dali, o guia não chegou ao Acampamento Base junto com os demais. Como a temporada de escalada já estava no fim, parte da rota começava a ser desmontada, o que tornava o deslocamento ainda mais arriscado.
Sem oxigênio suplementar, frio extremo transformou cada metro em uma disputa pela vida
O Everest tem 8.849 metros de altitude e a área acima de 8.000 metros é conhecida como zona da morte, justamente porque o corpo humano não consegue permanecer por muito tempo ali sem riscos graves. A National Geographic explica que, nessa faixa, a baixa pressão e a falta de oxigênio aumentam a chance de mal de altitude, confusão mental e perda de força.
Dawa teria ficado sem oxigênio suplementar durante a descida, o que comprometeu seus movimentos e a capacidade de reagir rapidamente. Em montanhas extremas, esse tipo de falha pode ser decisivo, porque mãos e pés perdem sensibilidade e o raciocínio fica mais lento.
Ele conseguiu encontrar algum alimento pelo caminho, incluindo itens simples, como macarrão instantâneo e mantimentos que carregava nos bolsos. Esses pequenos recursos ajudaram a manter energia mínima para continuar tentando descer.
Mesmo assim, o frio, a desidratação e a exaustão avançaram. Dawa tinha telefone via satélite e rádio, mas os equipamentos não resolveram a emergência, seja por falha de funcionamento, seja por falta de bateria.
A queda na Khumbu Icefall colocou o guia dentro de uma fenda de gelo
O momento mais dramático ocorreu quando Dawa chegou à região da Khumbu Icefall, uma das passagens mais instáveis e perigosas da rota pelo lado nepalês do Everest. A área é formada por blocos de gelo, escadas, fendas e estruturas que mudam com o movimento do glaciar.
De acordo com a Reuters, ele foi encontrado perto dessa região por uma equipe do Sagarmatha Pollution Control Committee, o SPCC. O grupo atua na proteção ambiental da região do Khumbu e também participa da manutenção e retirada de estruturas usadas na rota de escalada.
Segundo a AP, a equipe do SPCC é responsável por instalar escadas e cordas no início da temporada e remover esses equipamentos quando os alpinistas deixam a montanha. Isso explica por que o resgate chamou tanta atenção: Dawa estava atravessando uma área já mais vazia, com a temporada praticamente encerrada.
Durante essa travessia, ele caiu em uma fenda. Conforme relatou depois, levava uma carga pesada e acabou perdendo forças. No fundo do gelo, passou dias tentando sobreviver com biscoitos, chocolate congelado, café liofilizado e pedaços de gelo usados para aliviar a sede.
A avalanche que poderia matar acabou ajudando na fuga
O detalhe mais impressionante do caso é que uma avalanche, normalmente associada a tragédias no Everest, teria ajudado Dawa a escapar. Segundo o relato divulgado pela CBS News e por outros veículos, a neve acumulada dentro da fenda criou uma espécie de rampa natural.
Com isso, ele conseguiu subir lentamente, usando crampons e se agarrando ao gelo. O processo teria levado cerca de uma hora, em condições físicas já muito debilitadas.
Depois de sair da fenda, Dawa encontrou uma corda e a seguiu em direção à rota principal. Mesmo ferido, desidratado e com sinais de congelamento, continuou avançando até ser visto por integrantes do SPCC perto do Acampamento Base.
A cena surpreendeu até alpinistas experientes. O guia, que já era considerado morto por muitos, reapareceu vivo depois de uma sequência que combinou falta de oxigênio, isolamento, queda, ferimentos e temperaturas extremas.
Resgate reacendeu debate sobre riscos, demora nas buscas e pressão sobre sherpas
Após ser localizado em 4 de junho de 2026, Dawa foi levado de helicóptero para Catmandu. Segundo a CBS News, médicos trataram congelamento, desidratação severa e uma fratura no fêmur.
A família do guia, porém, questionou a demora nas buscas. De acordo com a AP, parentes apresentaram queixas contra a empresa Himalayan Traverse e também ao Departamento de Turismo do Nepal, alegando negligência e lentidão na operação de resgate.
A temporada de 2026 reforçou essa pressão. Segundo a Reuters, o Nepal emitiu 494 permissões para escalar o Everest naquele ano, e mais de mil pessoas, entre alpinistas e guias, chegaram à montanha durante a temporada. Em 21 de maio, 274 climbers alcançaram o cume pelo lado nepalês em um único dia, um recorde que reacendeu críticas sobre superlotação e segurança.
O que você acha desse caso: a sobrevivência de Dawa Sherpa foi um milagre da resistência humana ou também revela falhas graves na forma como expedições comerciais tratam os guias locais? Deixe sua opinião nos comentários e participe da discussão.


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