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Energia solar até depois que o sol se apaga: as duas tecnologias que disputam a atenção do governo e das empresas para saber quem vai manter o Brasil iluminado à noite

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 03/02/2026 às 08:18
Assista o vídeoA energia solar cresce sem freio no Brasil, mas o excesso de produção durante o dia vira desperdício e ameaça o sistema elétrico à noite. Megabaterias e hidrelétricas reversíveis disputam quem vai salvar o país do colapso energético.
A energia solar cresce sem freio no Brasil, mas o excesso de produção durante o dia vira desperdício e ameaça o sistema elétrico à noite. Megabaterias e hidrelétricas reversíveis disputam quem vai salvar o país do colapso energético.
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A energia solar cresce sem freio no Brasil, mas o excesso de produção durante o dia vira desperdício e ameaça o sistema elétrico à noite. Megabaterias e hidrelétricas reversíveis disputam quem vai salvar o país do colapso energético.

A energia solar deixou de ser promessa e virou realidade no Brasil. Em poucos anos, o país passou a produzir eletricidade em um ritmo tão acelerado que, ironicamente, começou a jogar parte dela fora. Sim, desperdiçar.

Hoje, os painéis solares já respondem por cerca de 23% da capacidade de geração elétrica do país, um salto impressionante frente aos apenas 2% registrados em 2019. 

Além disso, ao meio-dia, quando o sol está mais forte, 44% de toda a eletricidade do Brasil vem da energia solar. É um número que assusta — e, ao mesmo tempo, preocupa.

O motivo é simples: o sistema elétrico não foi feito para receber tanta eletricidade de uma vez. Por isso, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é obrigado a cortar parte da produção, prática conhecida como curtailment

O resultado? Cerca de 20% de toda a energia solar e eólica pronta para entrar nos fios acaba sendo descartada todos os dias.

Enquanto isso, à noite, quando o sol desaparece, o cenário se inverte. Falta eletricidade. E a pergunta que move bilhões de reais agora é direta: onde guardar a energia solar que sobra de dia para usar quando mais precisamos?

O plano do governo: transformar excesso de energia solar em dinheiro

Para tentar resolver esse caos silencioso, o governo federal prepara o primeiro leilão de reserva de potência, previsto para abril. Na prática, isso significa incentivar empresas a criarem grandes sistemas de armazenamento de energia.

O objetivo é simples e poderoso: comprar energia solar barata durante o dia, quando ela sobra, e vender à noite, quando ela falta e fica mais cara.

Essa lógica abre espaço para um novo tipo de negócio no setor elétrico. E duas tecnologias disputam esse mercado bilionário: as megabaterias de lítio e as hidrelétricas reversíveis.

Megabaterias: a aposta rápida para salvar a energia solar

As megabaterias, conhecidas no setor como BESSs, funcionam como enormes cofres de eletricidade. Elas usam baterias de lítio, as mesmas dos carros elétricos, só que em escala gigantesca.

Durante o dia, elas compram o excesso de energia solar que hoje seria desperdiçado. À noite, devolvem essa energia ao sistema e vendem por um preço maior. É uma operação simples e extremamente lucrativa.

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O crescimento dessa tecnologia é explosivo. Em 2023, o mundo tinha 91 GW de capacidade em baterias. Em 2025, esse número já chegou a 270 GW, um salto equivalente a sete usinas de Itaipu em apenas um ano.

Esse avanço só foi possível porque o preço das baterias despencou. Em 2025, elas custavam 55% menos do que em 2023, tornando o armazenamento por lítio mais barato que muitas hidrelétricas.

Além disso, um sistema de baterias pode ser instalado em poucos meses. Já uma hidrelétrica leva anos.

Por isso, o leilão do governo mira justamente esse modelo: a meta é armazenar 2 GW de energia, metade do que hoje o Brasil desperdiça em cortes de energia solar e eólica.

A hidrelétrica que “rebobina” o sol

Mas as megabaterias não estão sozinhas nessa disputa. Existe uma tecnologia antiga, pouco conhecida no Brasil, mas usada em 42 países: a hidrelétrica reversível.

Ela funciona como uma usina que anda para trás.

Durante o dia, quando sobra energia solar, a usina usa essa eletricidade para bombear água de um reservatório mais baixo para outro mais alto. À noite, essa água desce, passa pelas turbinas e gera eletricidade novamente.

É como se a hidrelétrica guardasse o sol em forma de água.

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Hoje, 15% de toda a potência hidrelétrica do mundo vem desse tipo de usina, especialmente em países como China, Estados Unidos e várias nações da Europa.

No Brasil, nenhuma ainda opera nesse formato. Mas isso pode mudar. A Copel, do Paraná, planeja construir a primeira, com 70 MW, suficiente para abastecer uma cidade de 200 mil habitantes.

Segundo a empresa, também é possível adaptar usinas antigas para esse modelo. “Conseguimos fazer um investimento complementar nas hidrelétricas que já temos, colocando máquinas novas. Tudo isso com a vantagem de que as hidrelétricas duram 50 anos, 100 anos”, disse Diogo Mac Cord, VP da Copel.

Outro ponto a favor é a geografia. “O que você precisa para reversível? Precisa de água – não muita – e precisa de queda. E existem quedas muito boas na região costeira toda: Rio de Janeiro, São Paulo, Nordeste…”, afirmou Amílcar Guerreiro, ex-diretor da EPE.

Baterias ou hidrelétricas: quem vence a guerra da energia solar?

As megabaterias são rápidas, baratas e fáceis de instalar. Mas duram 15 a 20 anos e fornecem energia por apenas 2 a 4 horas.

Já as hidrelétricas reversíveis podem funcionar por décadas e liberar eletricidade por mais de 10 horas seguidas.

Na prática, isso significa que as duas tecnologias podem conviver. Em algumas regiões, as baterias serão a melhor solução. Em outras, as hidrelétricas serão imbatíveis.

O que fica claro é que a energia solar deixou de ser apenas uma solução ambiental. Agora, ela virou o centro de uma disputa bilionária que pode definir o futuro da eletricidade no Brasil.

E você, acha que o Brasil deveria investir mais em megabaterias ou em hidrelétricas para evitar o desperdício de energia solar e o risco de apagões à noite?

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Luiz Cunha
Luiz Cunha
09/02/2026 19:37

Eu tenho na minha casa placas fotovoltaicas desde 03/25 e estou economizando muito na minha conta de luz..! O governo deveria dar mais incentivo fiscal para as empresas investirem no Brasil.

Edison
Edison
09/02/2026 16:05

Eu quero que usem qualquer uma, mas usem! Pq vou continuar colocando energia na rede e devo esse ano ampliar minha usina! Kkkkkk

Cynthia fleury
Cynthia fleury
07/02/2026 09:17

Acho que mega baterias pensando na falta de água no mundo.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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