Artigo de matemáticos da Universidade da Califórnia, Davis, publicado nos Proceedings of the Royal Society A, questiona a energia escura ao apontar instabilidades nos espaços-tempos de Friedmann e no modelo Lambda-matéria escura fria, base da cosmologia padrão usada para explicar a expansão acelerada do universo
Estudo de matemáticos da Universidade da Califórnia, Davis, publicado nos Proceedings of the Royal Society A, questiona a necessidade da energia escura para explicar a expansão acelerada do universo e aponta instabilidades nos modelos de Friedmann usados pela cosmologia padrão.
A energia escura, usada há quase 30 anos para explicar a expansão acelerada do universo, foi colocada em xeque por matemáticos da Universidade da Califórnia, Davis, em artigo publicado nos Proceedings of the Royal Society A.
Energia escura e o modelo padrão
O estudo questiona o modelo Lambda-matéria escura fria, base do Big Bang na cosmologia atual. Blake Temple, professor emérito da UC Davis e autor correspondente, afirma que os cálculos indicam instabilidades nas equações de Einstein-Euler.
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Essas equações combinam relatividade geral e dinâmica dos fluidos para modelar galáxias, buracos negros e expansão cósmica. Para Temple, os espaços-tempos de Friedmann, usados na expansão do universo, seriam instáveis no Big Bang.
Ele compara o modelo a um lápis equilibrado na ponta: embora seja uma solução das equações, qualquer perturbação o derruba. Na avaliação do matemático, soluções instáveis não seriam observadas na natureza.
Expansão sem constante cosmológica
A constante cosmológica apareceu nas equações de Albert Einstein em 1915, quando ele buscava um universo estático. Depois da descoberta da expansão por Edwin Hubble, em 1929, Einstein abandonou essa ideia, retomada nos anos 1990.
Temple e colegas defendem que a aceleração pode surgir diretamente das equações de Einstein-Euler, sem inserir energia escura. O grupo utilizou uma versão autossimilar das equações de Einstein para analisar a estabilidade dos modelos de Friedmann.
O artigo afirma que os espaços-tempos de Friedmann são instáveis a perturbações radiais em grandes escalas, com ou sem energia escura. Para os autores, isso coloca em dúvida a viabilidade do modelo Lambda-matéria escura fria.
O que muda na leitura do universo
Os cálculos reacendem o debate sobre o princípio copernicano, que sustenta que a Terra não ocupa posição especial no universo. Temple afirma que tanto o modelo padrão quanto um espaço-tempo esfericamente simétrico exigem um lugar especial para serem plausíveis.
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