Quebrado após crise em Anápolis, empresário goiano deixa filhas no Brasil, parte para os Estados Unidos, volta em 2011, troca terreno na BR-060 por 32 caminhões bitrem, cria condomínio de chácaras e hoje vive de renda imobiliária consolidada às margens da rodovia entre Anápolis e Brasília, em bairro fechado planejado
A trajetória de um empresário goiano de Anápolis voltou a chamar atenção ao mostrar como uma decisão tomada ainda em 2003, em plena crise e endividado, abriu caminho para que ele deixasse o país sem vender barato um terreno às margens da BR-060 e retornasse anos depois com 32 caminhões bitrem nas mãos. Ao longo do período entre 2004 e 2011, ele viveu e trabalhou nos Estados Unidos para sustentar a família, manter três filhas na faculdade no Brasil e preservar o patrimônio que mais tarde seria trocado por frotas inteiras de caminhões.
Na volta ao Brasil, em 2011, esse mesmo imóvel na rodovia já havia valorizado de forma significativa em relação ao cenário de 2003, quando o mercado estava em crise. A venda do terreno, somada à experiência acumulada no exterior, permitiu que o empresário goiano reorganizasse os negócios, estruturasse renda de aluguel com imóveis urbanos e investisse em um loteamento de chácaras na BR-060, entre Anápolis e Brasília, que hoje compõe o condomínio Colina dos Pássaros e garante a renda da família.
Da crise em Anápolis à decisão de partir para os Estados Unidos

O empresário goiano construiu sua vida em Anápolis desde a década de 1970, trabalhando com compra, venda e reforma de caminhões usados.
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Em um terreno de aproximadamente 24 mil metros quadrados à margem da BR-060, ele montou uma garagem de caminhões, investiu pesado em um galpão e planejou viver da renda gerada pelo aluguel do espaço a transportadoras.
Uma ventania forte, no entanto, destruiu a cobertura recém-instalada do galpão e comprometeu o capital que havia sido aplicado na estrutura.
Ao mesmo tempo, três filhas em idade de faculdade elevavam as despesas mensais e empurravam o orçamento ao limite.
Sem fluxo de caixa, com dificuldade para girar os caminhões e diante da perspectiva de ter de vender o imóvel por um preço baixo em pleno momento de crise, ele decidiu adiar a venda do terreno e buscar outra saída.
A alternativa encontrada foi seguir o caminho de muitos brasileiros no início dos anos 2000 e tentar recomeçar nos Estados Unidos.
A ideia, segundo ele próprio relata, era clara desde o início: ir para fora para ganhar em dólar, pagar as dívidas, manter os estudos das filhas e voltar ao Brasil preservando o terreno da BR-060 para um negócio melhor no futuro.
Sete anos de trabalho pesado em dólar para sustentar a família
Entre 2004 e 2011, o empresário e a esposa viveram em uma cidade americana, enquanto as filhas permaneceram inicialmente no Brasil.
Ele acumulou funções em sequência: trabalhou de madrugada entregando jornal na porta das casas, cuidou de gramados em clube de golfe, atuou em serviços de paisagismo e encarou a rotina pesada da construção civil, aproveitando qualquer oportunidade de trabalho para aumentar a renda enviada a Anápolis.
A esposa, que já tinha experiência com salão de beleza no Brasil, montou e operou um salão na cidade em que o casal vivia, ajudando a reforçar o orçamento.
Com o tempo, as filhas também passaram a morar por um período nos Estados Unidos, mas o plano sempre foi voltar.
Em paralelo, parte do dinheiro ganho em dólar foi direcionada à compra de um apartamento em Anápolis, financiado em cerca de 30 parcelas e quitado com esforço em aproximadamente dois anos e meio.
Ao fim dessa etapa, em 2011, a família retornou ao Brasil.
O saldo da experiência não foi uma fortuna acumulada no exterior, mas um conjunto de ativos estruturados: um apartamento quitado, a manutenção do terreno na BR-060 e a tranquilidade de ter atravessado o período de faculdade das filhas sem vender o imóvel “na baixa”.
A troca do terreno por 32 caminhões bitrem e a nova fase nos transportes
Quando o empresário goiano voltou a olhar para o terreno rodoviário, o cenário era outro.
Entre a ida para os Estados Unidos, em 2003, e o retorno em 2011, os preços dos imóveis na região de Anápolis subiram de forma significativa, impulsionados pela expansão da cidade e pela valorização de áreas logísticas ao longo da BR-060.
A negociação decisiva veio quando ele encontrou, nas palavras do próprio empresário, “a pessoa certa na hora certa”.
O terreno, com cerca de 120 metros de frente e 24 mil metros quadrados de área total, foi vendido por um valor muito superior ao que se conseguia antes da viagem, em uma operação que resultou na entrega de 32 conjuntos completos de caminhões bitrem, com cavalo mecânico e carretas, além de uma parcela complementar em dinheiro.
Nem todos os veículos chegaram a passar fisicamente pelas mãos do vendedor, pois alguns já estavam rodando em outros estados e foram recebidos “no número”, apenas com a documentação e os contratos. Ainda assim, o salto patrimonial foi claro.
Aquele imóvel que quase foi liquidado em época de crise acabou se transformando em uma frota inteira, capaz de reposicionar o empresário goiano no setor de transporte rodoviário e abrir novas fontes de renda.
Do transporte de carga às chácaras de alto padrão na BR-060
Depois de consolidar a troca do terreno por caminhões e reorganizar as contas, o empresário passou a direcionar parte do capital para investimentos imobiliários de longo prazo.
Em Anápolis, ergueu um prédio com nove apartamentos residenciais e uma sala comercial, cujo aluguel gera renda recorrente.
Ao mesmo tempo, ele e a família iniciaram um loteamento de chácaras em área estratégica da BR-060, entre Anápolis e Brasília, na região de Abadiânia.
O empreendimento, batizado de Colina dos Pássaros, foi planejado com 126 lotes de, no mínimo, 1.000 metros quadrados, chegando a unidades de aproximadamente 2.300 metros quadrados voltadas diretamente para a rodovia.
A proposta é oferecer espaço para chácaras e casas de padrão mais alto, em um condomínio cercado por áreas verdes, mas suficientemente próximo das duas cidades para permitir deslocamento diário de trabalho.
Nos relatos, os lotes são ofertados a partir de cerca de 150 mil reais, com entrada acessível e possibilidade de parcelamento em dezenas de prestações, sem juros, diretamente com os proprietários.
A estratégia combina valorização futura da terra com fluxo de caixa imediato das vendas, mantendo o foco em um público que busca espaço maior do que os tradicionais terrenos urbanos de 180 ou 300 metros quadrados.
Renda de aluguel, condomínio de chácaras e vida mais tranquila em Goiás
Com o prédio de nove apartamentos e uma sala comercial alugados em Anápolis, somados à casa em que vive e às receitas do loteamento na BR-060, o empresário goiano passou a depender menos da rotina intensa dos transportes e mais de uma renda imobiliária pulverizada em vários contratos.
Ele próprio resume o resultado afirmando que “dá para viver dessa renda”, depois de décadas exposto a crises, ventanias, dívidas e incertezas no Brasil e fora dele.
Hoje, parte da família se dedica diretamente à gestão do Colina dos Pássaros, mostrando terrenos, acompanhando obras de infraestrutura e conduzindo a burocracia de licenças e escrituras, considerada um dos maiores obstáculos para quem tenta empreender em loteamentos no país.
O antigo caminhoneiro e comerciante de usados virou referência local em um condomínio de chácaras exclusivo, com vista aberta para o campo e acesso direto à BR-060 entre Anápolis e Brasília.
Diante de uma trajetória em que um terreno quase vendido na crise virou 32 caminhões bitrem e hoje sustenta um condomínio de chácaras na BR-060, você acha que mais brasileiros deveriam seguir o exemplo desse empresário goiano e transformar imóveis simples em renda de longo prazo ou o risco continua alto demais para quem está começando do zero?


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