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Empresa quer fornecer robôs soldados ao Exército dos EUA e aposta em humanoides de 1,80 m para invadir áreas perigosas, carregar equipamentos e assumir missões que hoje colocam militares em risco

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Escrito por Ana Alice Publicado em 24/03/2026 às 01:05
Empresa quer fornecer robôs soldados ao Exército dos EUA com o Phantom, humanoide voltado a missões militares e apoio em risco. (Imagem: Reprodução)
Empresa quer fornecer robôs soldados ao Exército dos EUA com o Phantom, humanoide voltado a missões militares e apoio em risco. (Imagem: Reprodução)
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Projeto de robótica militar avança nos Estados Unidos com testes, contratos e planos de expansão, enquanto o uso de humanoides em operações de defesa amplia a atenção sobre tecnologia, estratégia e limites da automação em cenários de risco.

A Foundation Future Industries, empresa de robótica sediada em San Francisco, busca se consolidar como fornecedora militar dos Estados Unidos com o Phantom, um robô humanoide que a companhia apresenta como apto a operar em cenários industriais e de defesa.

A empresa informa ter contratos de pesquisa que somam US$ 24 milhões com o Exército, a Marinha e a Força Aérea dos EUA, além de citar um acordo no modelo SBIR Phase 3, etapa usada na transição de tecnologias financiadas com recursos públicos para a fase de aquisição e comercialização.

Segundo a empresa, a proposta é posicionar o robô como uma ferramenta para assumir missões consideradas perigosas, repetitivas ou de alto risco para tropas humanas.

Nesse grupo, a Foundation inclui vigilância, apoio logístico, reconhecimento, atuação em áreas contaminadas e operações em ambientes hostis.

A companhia afirma que o objetivo não é lançar um combatente totalmente autônomo, mas um sistema operado com supervisão humana, por telepresença e com apoio de inteligência artificial.

Robô humanoide Phantom e aplicações em defesa

No material institucional da Foundation, o Phantom aparece como o primeiro humanoide de produção da empresa.

O robô tem 1,80 metro de altura, pesa cerca de 80 quilos e foi projetado para circular em espaços pensados para pessoas, o que inclui fábricas, armazéns e outros ambientes já estruturados para a presença humana.

A fabricante também afirma que o sistema foi concebido para combinar força e fluidez de movimento.

A arquitetura do projeto reúne modelos de linguagem e sistemas voltados à execução de tarefas no mundo físico.

Na prática, a empresa busca conectar comandos em linguagem natural a ações mecânicas do robô, associando percepção do ambiente, decisão assistida por software e movimento corporal.

(Imagem: Reprodução)
(Imagem: Reprodução)

Outro ponto destacado pela companhia é o uso de atuadores cicloidais próprios, tratados pela Foundation como peça central para garantir precisão, torque e operação contínua em contextos exigentes.

Embora a empresa divulgue o Phantom como um sistema aplicável a diferentes setores, a área de defesa aparece com destaque em sua comunicação pública.

No plano institucional, a Foundation afirma que considera o segmento militar uma frente relevante para a expansão tecnológica que pretende desenvolver nos próximos anos.

O texto também menciona a disputa internacional por sistemas robóticos voltados à defesa.

Testes militares, Ucrânia e uso em reconhecimento

Um dos episódios mais citados nessa estratégia apareceu em reportagem da revista Time publicada em março de 2026.

Segundo a publicação, dois robôs Phantom foram enviados à Ucrânia em fevereiro, inicialmente para apoio a missões de reconhecimento próximas à linha de frente.

A informação levou o projeto para um contexto de conflito real, ainda que em caráter inicial de suporte operacional.

De acordo com a mesma reportagem, a Foundation se prepara para iniciar testes ligados ao curso de “methods of entry”, do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA.

A proposta, segundo a Time, é treinar os robôs para posicionar explosivos em portas durante ações de invasão, com a justificativa de reduzir a exposição direta de militares nesse tipo de operação.

Esse movimento reforça a mensagem que a empresa tenta consolidar junto ao setor de defesa: a de que humanoides podem atuar ao lado de combatentes em locais complexos e de alto risco.

Ao mesmo tempo, a presença do Phantom em um teatro de guerra e em treinamentos militares ampliou o debate sobre os limites do uso de sistemas robotizados em operações desse tipo.

Foundation, setor militar e estratégia de expansão

A Foundation sustenta que robôs humanoides podem reduzir baixas ao assumir funções que hoje recaem sobre soldados.

Em entrevista à Time, o diretor-executivo Sankaet Pathak afirmou que uma corrida armamentista de soldados humanoides “já está acontecendo”.

A declaração resume a visão da companhia sobre o avanço desse mercado.

No material institucional, a empresa também afirma que pretende colaborar com o Departamento de Defesa dos EUA para assegurar a superioridade tecnológica de aliados.

A formulação aparece de forma explícita na comunicação pública da Foundation e ajuda a definir o posicionamento da companhia no setor.

Esse plano também está ligado à estratégia industrial da empresa.

Em sua comunicação oficial, a Foundation diz que pretende ampliar rapidamente a produção de humanoides, com meta de chegar a dezenas de milhares de unidades em 2027.

Em paralelo, a companhia apresenta planos mais amplos que incluem veículos autônomos para transporte terrestre e aéreo, fontes de energia de operação contínua e materiais voltados a ambientes extremos.

@olhardigitaloficial

🤖🪖 Startup dos EUA quer produzir robôs humanoides para uso militar Empresa planeja fabricar até 50 mil robôs para missões perigosas, com humanos mantendo o controle das decisões críticas. #robô #robôhumanoide

♬ som original – OlharDigital – OlharDigital

Debate sobre inteligência artificial e robôs na guerra

A entrada de humanoides em operações militares tem sido acompanhada por discussões que vão além da engenharia.

Entre os pontos mais citados nesse debate estão a responsabilidade em caso de falhas, abusos ou decisões equivocadas em campo.

Mesmo quando há controle humano remoto, o uso de sistemas apoiados por inteligência artificial em ambientes caóticos levanta dúvidas sobre rastreabilidade, comando e responsabilização.

Também há questionamentos sobre os riscos operacionais.

Plataformas conectadas dependem de comunicação, software, sensores e infraestrutura digital, o que abre espaço para interferência eletrônica, sabotagem e ataques cibernéticos.

Em cenários de guerra, esse tipo de vulnerabilidade pode comprometer a missão e afetar quem opera o sistema ou atua ao lado dele.

(Imagem: Reprodução)
(Imagem: Reprodução)

Outro ponto recorrente envolve os efeitos políticos e éticos do uso dessas ferramentas.

Pesquisadores, organizações e críticos do emprego militar de inteligência artificial discutem se a ampliação de sistemas robóticos no campo de batalha pode reduzir barreiras para o uso da força.

Também fazem parte desse debate o grau de autonomia desses equipamentos e o papel que eles podem assumir em ações armadas.

Enquanto isso, o Pentágono e empresas do setor acompanham o avanço desse mercado.

O caso da Foundation mostra que a disputa por contratos militares já alcançou a nova geração de robôs humanoides e que a fronteira entre automação industrial e aplicação militar passou a ser observada mais de perto por governos, empresas e analistas do setor.

Como esse tipo de tecnologia será incorporado às operações militares nos próximos anos é uma questão que segue em aberto.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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