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O Brasil prepara o diesel B16 e coloca mais óleo de soja no tanque de todo caminhão ainda em 2026

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 06/07/2026 às 17:56 Atualizado em 06/07/2026 às 17:58
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O tanque de todo caminhão que roda pelo Brasil está prestes a receber uma dose maior de óleo de soja: o governo iniciou os testes para elevar a mistura de biodiesel no diesel de 15% para 16% ainda neste ano, num movimento que liga diretamente a bomba do posto à lavoura do Centro-Oeste.

A mudança tem nome técnico, passar do B15 para o B16, mas o efeito é bem concreto. Cada litro de diesel vendido no país passaria a conter 16% de biodiesel, quase todo ele produzido a partir de óleo de soja. É mais combustível renovável no tanque e menos derivado de petróleo puro rodando nas estradas.

Confesso que esse é um daqueles temas que parecem chatos à primeira vista, mas que mexem com um monte de coisa ao mesmo tempo: o preço do frete, a demanda por soja, a conta de importação de diesel e até a poluição das cidades. Tudo isso cabe dentro de um único ponto percentual.

De onde vem essa escada de mistura

A obrigatoriedade de misturar biodiesel no diesel não é nova, mas vem subindo degrau a degrau. Desde 1º de agosto de 2025, o país adota o B15, com 15% de biodiesel, seguindo o cronograma previsto na chamada Lei do Combustível do Futuro. A ideia sempre foi ir aumentando o teor de forma gradual, à medida que a indústria comprova que os motores aguentam a mudança sem problemas.

Agora a meta é dar o próximo passo. O governo confirmou a intenção de aprovar a elevação para 16% ainda em 2026, e a decisão final está nas mãos do Conselho Nacional de Política Energética, o CNPE, que aguarda os relatórios técnicos antes de bater o martelo.

Planta industrial de produção de biodiesel a partir de óleo vegetal
Quase todo o biodiesel brasileiro sai do óleo de soja, ligando a bomba do posto à lavoura. Foto: divulgação.

Por que os testes vêm antes

Antes de despejar mais biodiesel nas bombas, o governo iniciou neste mês uma bateria de testes rigorosos. A cautela tem motivo. Em anos anteriores, aumentos de mistura levantaram queixas sobre acúmulo de resíduos e formação de borra em motores mais antigos, algo que preocupa caminhoneiros que dependem do veículo para trabalhar.

Por isso a decisão passa por laudos técnicos que atestem que o B16 pode circular sem prejudicar o motor. Ninguém quer repetir o cenário de frotas paradas por causa de combustível fora do padrão. A gente sabe que, para o caminhoneiro, um dia com o veículo na oficina é um dia sem faturamento.

Caminhão abastecendo diesel em bomba de posto de combustível
O B16 elevaria a demanda por biodiesel para mais de 10 milhões de metros cúbicos ao ano. Foto: divulgação.

O elo com a soja e com o preço

Aqui está o detalhe que amarra tudo. Se o B16 entrar em vigor, a demanda por biodiesel pode superar 10,7 milhões de metros cúbicos por ano, uma alta de quase 11%, o que exigiria até 8,6 milhões de toneladas de óleo de soja. Ou seja, mais um ponto de mistura significa muito mais soja indo parar no tanque em vez do prato ou da exportação.

Não à toa, entidades do agronegócio, como a Confederação da Agricultura, já vinham defendendo o aumento da mistura como forma de escoar a supersafra e ajudar a segurar o preço do diesel, que depende em parte do combustível importado. É biocombustível, agricultura e política de preços dentro do mesmo tanque.

O que ainda falta para virar realidade

Nada disso está fechado. O B16 só vira obrigatório quando o CNPE formalizar a mudança, e isso depende dos tais relatórios técnicos que estão sendo produzidos agora. Se os testes derem sinal verde, o novo diesel pode chegar às bombas antes do fim do ano.

Fico de olho porque esse ponto percentual carrega mais coisa do que aparenta. O diesel B16 é, ao mesmo tempo, uma jogada energética, agrícola e ambiental, e um bom lembrete de que, no Brasil, o que abastece o caminhão nasce, cada vez mais, na roça.

Você é a favor de colocar mais biodiesel no tanque dos caminhões ou teme que isso encareça o diesel e desgaste os motores?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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