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Empresa que domina energia geotérmica há 50 anos aposta US$ 25 milhões em tecnologia capaz de arrancar calor de rochas secas e quentes, mirando uma nova geração de usinas e armazenamento de energia limpa em escala comercial

Escrito por Carla Teles
Publicado em 30/04/2026 às 15:11
Atualizado em 30/04/2026 às 15:53
Empresa que domina energia geotérmica há 50 anos aposta US$ 25 milhões em tecnologia capaz de arrancar calor de rochas secas e quentes, mirando uma nova geração de usinas e
Ormat aposta em energia, armazenamento de energia e rochas secas e quentes para acelerar a transição energética.
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Energia entra em uma nova fase com investimento da Ormat em tecnologia geotérmica de próxima geração, teste em usina já existente e plano para transformar calor subterrâneo e armazenamento em uma aposta comercial de longo alcance

A energia geotérmica ganhou um novo impulso com o anúncio da Ormat Technologies, que decidiu investir US$ 25 milhões na startup Sage Geosystems em uma rodada Série B superior a US$ 97 milhões. A operação foi divulgada em 21 de janeiro de 2026, em Reno, Nevada, e marca um passo importante na tentativa de acelerar soluções capazes de tirar calor de rochas secas e quentes, levando esse modelo para uma nova fase de geração elétrica e armazenamento em escala comercial.

O movimento chama atenção porque parte de uma empresa que acumula mais de cinco décadas de experiência no setor geotérmico e que agora decide ampliar sua aposta em tecnologias mais avançadas. Além do aporte financeiro, a Ormat quer testar a tecnologia proprietária da Sage em uma usina geotérmica já existente, com a meta de acelerar o lançamento de soluções de próxima geração e abrir caminho para novas plantas e projetos de armazenamento de energia.

O que a Ormat anunciou e por que isso chamou o mercado

A Ormat informou que está co-liderando, ao lado da Carbon Direct Capital, a rodada Série B da Sage Geosystems. O objetivo é apoiar o avanço das soluções de geração geotérmica e armazenamento de energia desenvolvidas pela empresa, incluindo a construção de sua primeira usina geotérmica comercial de última geração.

Na prática, o anúncio mostra que a Ormat não quer apenas acompanhar a evolução do setor, mas participar diretamente da próxima etapa. A empresa trata o investimento como um marco dentro da estratégia de expandir presença em Sistemas Geotérmicos Aprimorados, também conhecidos como EGS, e acelerar a comercialização de tecnologias mais sofisticadas de energia subterrânea.

Como a nova tecnologia quer arrancar calor de rochas secas e quentes

A Sage pretende testar sua tecnologia chamada de Geotermia por Pressão em uma usina geotérmica já operada pela Ormat. A proposta é usar esse sistema para extrair calor de rochas secas e quentes, um tipo de recurso que pode ampliar bastante o alcance da geotermia além das áreas tradicionalmente mais favoráveis.

Esse ponto é importante porque ajuda a explicar por que o projeto ganhou tanto peso. Em vez de depender apenas de condições geotérmicas mais convencionais, a nova tecnologia tenta abrir espaço para uma geração de energia mais ampla e mais adaptável, com potencial para abastecer novas usinas e também fortalecer o armazenamento energético.

Os números que explicam o tamanho da aposta

O investimento direto da Ormat na Sage foi de US$ 25 milhões, dentro de uma rodada Série B que ultrapassou US$ 97 milhões. Esse volume por si só já mostra que o setor vê valor na possibilidade de transformar tecnologia geotérmica avançada em aplicação comercial concreta.

Os números da própria Ormat também ajudam a dar dimensão ao movimento. A companhia afirma ter projetado, fabricado e construído usinas que somam aproximadamente 3.600 MW de capacidade bruta ao redor do mundo. Seu portfólio atual de geração totaliza 1.695 MW, sendo 1.310 MW de geração geotérmica e solar e 385 MW de armazenamento de energia, concentrado nos Estados Unidos.

O que muda para a geotermia e para o armazenamento de energia

Se o teste da tecnologia da Sage for bem-sucedido, a Ormat terá o direito de desenvolver, construir, possuir e operar usinas geotérmicas e projetos de armazenamento usando essa solução. Isso muda o jogo porque conecta inovação técnica a um caminho claro de implantação industrial.

Na prática, essa combinação pode acelerar uma nova etapa do setor. Em vez de ficar restrita ao laboratório ou a demonstrações isoladas, a tecnologia passa a ter uma ponte direta com uma empresa já consolidada, capaz de transformar pesquisa em projetos comerciais de energia com escala e presença internacional.

Por que a Ormat entra com tanto peso nessa nova fase

A força da movimentação também vem do histórico da Ormat. A empresa se apresenta como líder em energia geotérmica e como a única verticalmente integrada atuando em geração geotérmica e recuperação de energia. Ao longo de mais de cinco décadas, ela construiu presença em mercados como Estados Unidos, Quênia, Guatemala, Indonésia, Honduras e Guadalupe.

Esse histórico faz diferença porque dá à aposta um peso maior do que um simples investimento financeiro. Quando uma companhia com essa trajetória coloca capital e estrutura em uma nova tecnologia, o mercado tende a ler o movimento como um sinal de confiança de longo prazo na expansão da energia geotérmica avançada.

O que a empresa quer construir a partir desse investimento

Segundo o CEO da Ormat, Doron Blachar, a parceria reforça a confiança da empresa na tecnologia de pressão da Sage e está alinhada com a estratégia de impulsionar inovação geotérmica, acelerar a chegada de novos produtos ao mercado e ampliar a implantação da geotermia no cenário energético global.

Isso mostra que a companhia não está olhando apenas para um projeto isolado. A ambição é ampliar portfólio, ganhar novas capacidades e abrir espaço para uma geração de energia mais constante, renovável e com maior integração entre produção e armazenamento.

Como essa aposta se conecta à transição energética

A geotermia tem um apelo crescente porque oferece uma fonte de energia limpa capaz de operar de forma contínua, sem depender diretamente de sol ou vento no mesmo ritmo de outras renováveis. Quando somada a sistemas de armazenamento, ela pode ganhar ainda mais relevância dentro da transição energética.

Nesse contexto, a aposta da Ormat e da Sage chama atenção por tentar atacar dois pontos ao mesmo tempo: ampliar a capacidade de geração geotérmica e fortalecer tecnologias de armazenamento. Essa combinação pode ajudar a construir um sistema energético mais estável, com menos emissão e maior capacidade de resposta comercial.

As próximas etapas para a tecnologia da Sage

O próximo passo será o teste da tecnologia em uma usina geotérmica existente da Ormat. Esse piloto é o ponto decisivo para validar a capacidade de extrair calor de rochas secas e quentes e, a partir daí, acelerar a entrada da solução no mercado.

Se a fase de teste confirmar o potencial esperado, a Ormat poderá avançar para o desenvolvimento de usinas e projetos de armazenamento baseados nessa tecnologia. É justamente essa possibilidade que transforma o anúncio em algo maior do que uma rodada de investimento e coloca a energia geotérmica avançada sob um novo holofote.

Na sua visão, a energia geotérmica pode se tornar uma das grandes apostas comerciais da transição energética nos próximos anos?

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Carla Teles

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