Leilão de energia solar no Chile reúne 1,5 TWh por ano, separa eletricidade para o dia e a noite, usa baterias para guardar parte da produção e prevê fornecimento entre o segundo e o terceiro trimestre de 2028, mostrando como o armazenamento de energia pode ampliar o uso da geração solar.
Como vender energia solar à noite quando os painéis não estão produzindo? A Grenergy abriu no Chile um leilão de energia que reúne 1,5 TWh por ano, com uma parte reservada para o período noturno.
A oferta inclui 960 GWh por ano de energia guardada em baterias para a noite e 540 GWh por ano de geração solar para o dia. As informações foram divulgadas por Grenergy, multinacional espanhola que desenvolve energia solar e armazenamento.
As baterias não criam eletricidade. Elas guardam uma parcela da energia gerada pelas usinas solares nas horas de maior sol e liberam esse volume mais tarde, em um horário definido no contrato.
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Como a energia solar pode chegar à noite sem depender do sol
A energia solar é produzida enquanto há luz. Quando a produção é maior, as baterias podem receber parte dessa eletricidade e mantêla armazenada para uso posterior.
Esse processo muda o horário de entrega, não a origem da energia. A eletricidade continua vindo das usinas solares, mas pode ser usada quando o sol já se pôs.
Na prática, o armazenamento de energia funciona como uma reserva. Ele ajuda a levar a produção solar para períodos em que a rede e os consumidores precisam de mais eletricidade.
Leilão de energia solar reúne 1,5 TWh por ano no Chile
O leilão disponibiliza 1,5 TWh por ano para empresas que desejam contratar eletricidade. Desse total, 960 GWh por ano serão entregues no período noturno a partir de baterias.
Os outros 540 GWh por ano serão fornecidos durante o dia por geração solar fotovoltaica. Essa é a eletricidade produzida pelos painéis solares quando recebem luz.
A oferta será formada por energia de diferentes usinas solares e sistemas de armazenamento localizados no norte e no centro do Chile. Os volumes são separados para permitir compras maiores ou menores.
Empresas poderão contratar blocos de 20 GWh por até 15 anos
O processo permite disputar o volume inteiro ou apenas uma parte da oferta. Cada unidade de contratação terá 20 GWh, o que abre espaço para compras mais ajustadas à necessidade de cada empresa.
Os contratos poderão ter 6, 8, 10, 12 ou 15 anos. Esse prazo define por quanto tempo o comprador poderá receber a energia contratada.
Grenergy, multinacional espanhola que desenvolve energia solar e armazenamento, colocou o leilão sob gestão da subsidiária GR Power e direcionou a oferta para geradoras, comercializadoras e grandes consumidores.
Fornecimento de energia está previsto para 2028
O leilão foi anunciado em 1º de julho de 2026. O fornecimento de energia está previsto para ocorrer entre o segundo e o terceiro trimestre de 2028.
As empresas poderão enviar dúvidas até 7 de julho de 2026. O prazo de inscrição vai até 22 de julho de 2026, por meio da plataforma Match Energía.
Essas datas deixam claro que o fornecimento ainda não começou. O processo está na fase de contratação, enquanto a entrega da eletricidade faz parte do cronograma para 2028.
Modelo conversa com desafio brasileiro de aproveitar melhor o sol
O Brasil também enfrenta a necessidade de usar melhor a energia solar gerada perto do meio dia. Nesse horário, muitas usinas produzem ao mesmo tempo e o sistema precisa lidar com um grande volume de eletricidade.

Guardar uma parte dessa geração pode reduzir o desencontro entre o momento em que o sol está forte e o momento em que a energia é mais necessária. Esse é um dos caminhos para reduzir cortes de energia renovável.
Cortes de geração acontecem quando uma usina não consegue entregar toda a eletricidade que poderia produzir. As baterias podem ajudar a aproveitar parte desse volume em outro horário.
Baterias ajudam a dar previsibilidade, mas não substituem todas as usinas
O leilão chileno não significa que baterias vão substituir todas as fontes de energia. Usinas termelétricas, que usam combustíveis para gerar eletricidade, e hidrelétricas continuam tendo funções importantes no sistema.
O ponto central é a complementariedade. A energia solar à noite pode ser oferecida com mais previsibilidade quando uma parcela da produção diurna é guardada em baterias.
Esse tipo de contrato permite que empresas saibam melhor em qual período receberão eletricidade. Para um sistema com mais fontes renováveis, essa previsibilidade pode se tornar cada vez mais relevante.
O Chile abriu espaço para vender energia solar em dois horários diferentes, com 960 GWh por ano para a noite e 540 GWh por ano para o dia. A entrega prevista para 2028 mostra que o armazenamento passa a ter papel mais visível nos contratos de eletricidade.
A proposta não elimina a necessidade de outras usinas, mas ajuda a mostrar como a produção solar pode ser aproveitada além das horas de sol. Para o Brasil, o modelo reforça a discussão sobre guardar energia renovável em vez de limitar parte da geração.
Você acredita que baterias podem ajudar o Brasil a aproveitar melhor a energia solar produzida durante o dia e reduzir desperdícios na rede elétrica? Compartilhe sua opinião nos comentários.

