Uma empresa estatal chinesa concluiu o primeiro içamento da estrutura de aço do Estádio Nacional da Sérvia, que será o primeiro estádio-jardim do mundo. Segundo informações divulgadas pelo portal da NSC, a arena, localizada em Belgrado, terá 52 mil lugares, 76 mil metros quadrados de área total, 12,6 mil toneladas de aço e quatro anéis de jardins suspensos por cabos que farão os terraços parecerem flutuar ao redor da arena, num projeto de R$ 6 bilhões com previsão de conclusão até o final de 2026.
Quem executa a obra é a China State Construction Engineering Corporation (CSCEC), empresa estatal chinesa responsável pelo projeto, fabricação e instalação da estrutura de aço do estádio. A cerimônia de lançamento da pedra fundamental aconteceu em 1º de maio de 2024, no Dia do Trabalho, e o primeiro içamento da estrutura metálica foi concluído recentemente, em vez de uma fachada convencional de concreto ou vidro, a arena terá quatro anéis gigantes compostos por jardins e áreas de lazer sustentados por uma complexa rede de cabos de aço, numa engenharia de suspensão considerada única no mundo. Por que a Sérvia está investindo R$ 6 bilhões nesse projeto: o país não possui nenhum estádio que atenda simultaneamente aos padrões da Copa do Mundo da FIFA e das competições continentais da UEFA, e a arena será a nova casa da seleção sérvia de futebol.
O projeto foi debatido por mais de uma década antes do início das obras. As discussões começaram em 2013 com estimativa inicial de 250 milhões de euros, mas o custo final chegou a cerca de 1 bilhão de euros (R$ 6 bilhões), financiados pelo governo sérvio. O estádio está sendo erguido no subúrbio de Surčin, em Belgrado, decisão tomada em 2018 após anos de indefinição sobre o local.
Jardins suspensos por cabos de aço: o que torna esse estádio único

O grande diferencial do Estádio Nacional da Sérvia é a engenharia de suspensão que sustenta seus quatro anéis de jardins. Em vez de uma fachada convencional, arbustos e árvores serão plantados em cada terraço, transformando o estádio em um imenso jardim vertical que circunda toda a arena. Esses terraços não se apoiam em pilares tradicionais: são sustentados por uma complexa rede de cabos de aço que cria a ilusão de que os jardins flutuam ao redor da estrutura.
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Esse design é considerado um dos poucos do tipo no mundo e justifica o alto custo do projeto. A combinação entre vegetação viva, estrutura metálica e sistema de cabos de suspensão exige cálculos de engenharia que levem em conta não apenas o peso da estrutura de aço, mas também o peso da terra, da água de irrigação e das plantas que crescerão ao longo dos anos. Um estádio convencional de 52 mil lugares custa uma fração dos R$ 6 bilhões previstos para este projeto. A diferença está inteiramente na complexidade da engenharia que transforma uma arena esportiva no primeiro estádio-jardim do planeta.
12,6 mil toneladas de aço e 76 mil metros quadrados

Os números estruturais do estádio impressionam pela escala. A arena ocupará uma área total de 76 mil metros quadrados e incorporará aproximadamente 12,6 mil toneladas de aço na sua estrutura, volume que inclui as vigas de sustentação, os cabos de suspensão dos terraços e toda a armação metálica da cobertura e das arquibancadas. O primeiro içamento de estrutura de aço, concluído recentemente pela CSCEC, marca o início da fase em que o estádio começa a ganhar forma visível.
Para efeito de comparação, o Estádio Mané Garrincha, em Brasília, cuja estrutura circular é frequentemente comparada ao projeto sérvio, tem formato semelhante mas não conta com jardins suspensos. O estádio da Sérvia vai além da referência brasileira ao adicionar a dimensão vegetal à estrutura metálica, criando um híbrido entre engenharia civil e paisagismo em escala que nenhuma arena esportiva experimentou antes.
A empresa chinesa por trás da construção
A China State Construction Engineering Corporation (CSCEC) é uma das maiores construtoras do mundo e a responsável pelo projeto, fabricação e instalação da estrutura de aço do estádio. A Power Construction Corporation of China (PowerChina) também participa do projeto como empreiteira principal, consolidando a presença de empresas estatais chinesas na maior obra de infraestrutura esportiva da Sérvia. Para a China, construir o estádio em Belgrado é mais um capítulo da estratégia de exportação de engenharia que Pequim executa em dezenas de países.
A escolha de construtoras chinesas para um projeto de R$ 6 bilhões financiado pelo governo sérvio reflete a influência econômica que a China exerce nos Bálcãs. Empréstimos, investimentos em infraestrutura e parcerias comerciais vêm aproximando a Sérvia de Pequim nos últimos anos, e o estádio-jardim é a manifestação mais visível dessa relação. Para a Sérvia, que não integra a União Europeia, o financiamento chinês oferece uma alternativa aos fundos europeus que vêm com exigências políticas que Belgrado nem sempre aceita.
De 2013 a 2026: a década que uma ideia levou para virar estádio
A construção do Estádio Nacional da Sérvia foi debatida pela primeira vez em 2013. Na época, a estimativa era de 250 milhões de euros e não estava definido se a arena seria nova ou uma reforma de instalações existentes de um dos dois maiores clubes do país, Estrela Vermelha ou Partizan. A indefinição durou cinco anos, até que em 2018 o governo decidiu que o estádio seria construído do zero no subúrbio de Surčin.
O projeto não avançou tão rápido quanto o anunciado, e a pandemia de COVID-19 atrasou ainda mais o cronograma. A cerimônia de lançamento da pedra fundamental só aconteceu em 1º de maio de 2024, mais de seis anos após a decisão sobre o local. O custo saltou de 250 milhões para 1 bilhão de euros ao longo desse período, refletindo tanto a inflação nos materiais de construção quanto a complexidade do design que transformou o estádio de uma arena convencional no primeiro estádio-jardim do mundo.
O que o estádio representará para o futebol sérvio
Quando concluído, o estádio será a única arena da Sérvia a atender simultaneamente aos padrões da Copa do Mundo da FIFA e das competições da UEFA. Com 52 mil lugares, a capacidade é suficiente para receber partidas de fases de grupos e até quartas de final de competições internacionais, o que abre a possibilidade de a Sérvia sediar jogos de Eurocopa ou participar de candidaturas conjuntas para Copas do Mundo.
A arena também poderá ser utilizada por clubes locais em competições europeias ou durante o clássico entre Estrela Vermelha e Partizan, dois dos maiores rivais do futebol sérvio, cujos estádios atuais não atendem plenamente às exigências da UEFA para fases avançadas da Champions League. Para a seleção sérvia, o estádio será a casa permanente dos jogos como mandante, substituindo soluções provisórias que o país utilizava até agora.
Um estádio que é jardim e uma obra que ainda precisa virar realidade
O Estádio Nacional da Sérvia terá 52 mil lugares, 12,6 mil toneladas de aço, quatro anéis de jardins suspensos por cabos e custo de R$ 6 bilhões financiados pelo governo sérvio e construídos por empresas chinesas. A primeira estrutura de aço já foi içada e a previsão é que a obra esteja concluída até o final de 2026. Se o cronograma for cumprido, a Sérvia terá o primeiro estádio-jardim do planeta e a única arena do país nos padrões da Copa do Mundo e da UEFA.
Você gostaria de ver um estádio-jardim no Brasil? Conte nos comentários o que achou do projeto sérvio, se a comparação com o Mané Garrincha faz sentido e como avalia o investimento de R$ 6 bilhões numa arena esportiva com jardins flutuantes. Queremos ouvir a sua opinião.


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