Segundo informações divulgadas pelo portal da Auto Esporte, a Chevrolet vendeu por R$ 1 milhão dois Opala SS restaurados ao estilo restomod em leilão realizado no Museu Carde, em Campos do Jordão (SP). O exemplar verde, de 1979, recebeu mais de 25 lances e o amarelo, de 1976, pelo menos 30 ofertas. Cada um foi arrematado por R$ 500 mil. Os carros foram restaurados pela BTS Performance com motor 4.1 de seis cilindros, injeção eletrônica FuelTech, câmbio Tremec de cinco marchas e freios a disco de alta performance. Os novos donos poderão receber os cupês na fábrica original de São Caetano do Sul.
A Chevrolet pegou dois Opala dos anos 70 que poderiam estar enferrujando em algum galpão e os transformou em máquinas que fizeram mais de 30 pessoas disputarem cada lance em um leilão que terminou com R$ 1 milhão no total. O exemplar verde, de 1979, atraiu mais de 25 ofertas. O amarelo, de 1976, recebeu pelo menos 30. Cada um dos cupês foi arrematado por R$ 500 mil, superando os R$ 437 mil alcançados na venda de um Omega em dezembro de 2025 e confirmando que o Opala é o maior ícone da indústria automotiva brasileira.
O que a Chevrolet fez com esses carros vai além de uma restauração convencional. Os dois Opala foram submetidos ao processo chamado restomod, que mantém a identidade clássica mas atualiza mecânica, visual e tecnologia. A BTS Performance, oficina renomada do antigomobilismo nacional, comandou a transformação sob acompanhamento dos engenheiros da GM, que avaliaram os carros no Campo de Provas da Cruz Alta, em Indaiatuba (SP), com os mesmos critérios aplicados a veículos novos. O resultado é um Opala que parece saído dos anos 70 mas dirige como um carro de 2026.
O que é restomod e por que ele valoriza tanto o Opala
O restomod é uma filosofia de restauração que preserva a identidade visual do carro clássico enquanto moderniza tudo o que o proprietário não vê à primeira vista: motor, câmbio, suspensão, freios, eletrônica e conforto. Diferente da restauração pura, que busca devolver o veículo ao estado original de fábrica, o restomod aceita que um carro de 1976 pode ser melhor do que era quando novo se receber tecnologia e engenharia que não existiam na época.
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A Chevrolet dividiu seu projeto Vintage em duas categorias justamente para atender os dois públicos. A restauração pura resgata a originalidade de fábrica mantendo especificações em todos os detalhes, até os parafusos dos bancos. O restomod dá liberdade criativa para as oficinas customizarem visual e mecânica. Os dois Opala leiloados seguiram o caminho do restomod, e o valor de R$ 500 mil cada comprova que o mercado de carros clássicos modernizados paga mais por criatividade e desempenho do que por originalidade absoluta.
O que mudou na mecânica dos dois Opala

O motor 4.1 de seis cilindros em linha, marca registrada do Opala SS, foi mantido mas recebeu injeção eletrônica FuelTech e coletor de inox que melhoram potência, resposta e eficiência. O câmbio original de quatro marchas foi substituído por um Tremec de cinco velocidades, transmissão de alto desempenho que permite ao carro aproveitar melhor a faixa de rotação do motor em estrada.
A suspensão foi recalibrada com amortecedores Bilstein, referência em competições e carros de alto desempenho, e os freios passaram a ser a disco de alta performance nas quatro rodas. Na prática, o Opala restaurado freia, faz curva e acelera em um nível que o carro original dos anos 70 jamais alcançou, mas mantém o ronco do seis cilindros e a presença visual que fizeram do modelo um dos carros mais desejados da história brasileira.
O visual que nunca existiu de fábrica
A GM deu liberdade para que Batistinha, dono da BTS Performance, criasse algo diferenciado. No caso do Opala verde, a tonalidade da carroceria nunca existiu na linha original do cupê, tampouco os acabamentos em preto fosco que substituíram partes que eram originalmente cromadas. O resultado é um carro que parece ter saído de um universo alternativo onde o Opala continuou evoluindo.
O amarelo seguiu linha semelhante de personalização, e ambos receberam rodas de liga leve de 15 polegadas, pneus especiais, volante esportivo da Lotse e bancos de couro legítimo. A montagem foi feita com precisão superior à da fábrica original, com tolerâncias de encaixe que replicam os critérios de carros novos da Chevrolet. Os “gaps” entre as peças da carroceria, que nos anos 70 tinham folgas generosas, foram ajustados artesanalmente para o padrão de qualidade atual.
O leilão que superou todas as expectativas
O leilão aconteceu no Museu Carde, em Campos do Jordão (SP), e a disputa foi intensa. O Opala verde foi leiloado primeiro e atraiu mais de 25 lances antes de ser arrematado por R$ 500 mil. Na sequência, o amarelo gerou pelo menos 30 ofertas e alcançou o mesmo valor, totalizando R$ 1 milhão pelos dois exemplares. Uma S10 que venceu o Rali dos Sertões também foi arrematada por R$ 450 mil no mesmo evento.
O valor arrecadado será revertido aos projetos sociais do Instituto GM, o que adiciona uma camada de propósito à compra. Os novos donos dos cupês poderão receber os carros diretamente na fábrica da Chevrolet em São Caetano do Sul, onde o Opala foi originalmente produzido, experiência que transforma a entrega em um momento simbólico para colecionadores que cresceram vendo o modelo sair daquela linha de montagem.
O projeto Chevrolet Vintage e o que vem pela frente
O leilão dos Opala faz parte do projeto Chevrolet Vintage, anunciado no início de 2025. A GM adquiriu dez carros que marcaram época e fechou parcerias com oficinas renomadas para restaurá-los em duas categorias: restauração original e restomod. Os engenheiros da Chevrolet acompanham todo o processo, desde a compra dos veículos até a avaliação final no Campo de Provas.
O projeto nasceu da constatação de que o público de carros clássicos da Chevrolet é diverso e apaixonado. Há quem pague fortuna por um Opala idêntico ao que saiu da fábrica e há quem prefira um restomod que combina nostalgia com desempenho moderno. O Vintage atende os dois perfis e transforma modelos que poderiam estar esquecidos em peças de coleção que valem centenas de milhares de reais, provando que a história automotiva brasileira tem valor de mercado que poucos imaginavam.
Você pagaria R$ 500 mil por um Opala restaurado ou acha que esse valor é loucura para um carro dos anos 70? Conte nos comentários se tem memórias com o Opala e qual clássico da Chevrolet você gostaria de ver no próximo leilão do projeto Vintage.
