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Em apenas 3 anos, a Índia transformou uma área seca e rochosa na maior “bateria verde” do mundo, com dois lagos artificiais que fazem a água subir e descer para armazenar energia solar e eólica como se o terreno inteiro virasse uma pilha natural

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Escrito por Ana Alice Publicado em 07/05/2026 às 22:23 Atualizado em 07/05/2026 às 22:26
Assista o vídeoÍndia transforma terreno seco em bateria verde com reservatórios artificiais, sol, vento e água reciclada em projeto gigante. (Imagem: Ilustrativa)
Índia transforma terreno seco em bateria verde com reservatórios artificiais, sol, vento e água reciclada em projeto gigante. (Imagem: Ilustrativa)
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Projeto na Índia combina reservatórios artificiais, energia solar, vento e água reutilizada para armazenar eletricidade em larga escala, em uma solução que transforma uma paisagem seca em infraestrutura renovável.

Uma área seca e rochosa no distrito de Kurnool, no estado de Andhra Pradesh, no sul da Índia, passou a abrigar o Pinnapuram Integrated Renewable Energy Project, instalação da Greenko que combina energia solar, energia eólica e armazenamento hidrelétrico por bombeamento.

O projeto usa dois reservatórios artificiais para armazenar eletricidade na forma de energia potencial da água, em um modelo descrito pelo governo indiano como uma estrutura integrada de energia renovável em grande escala.

O funcionamento se baseia em uma lógica conhecida na engenharia hidrelétrica.

Em períodos de maior geração solar e eólica, a energia excedente aciona bombas que levam água de um reservatório inferior para outro, situado em nível mais alto.

Quando há necessidade de eletricidade na rede, essa água retorna por túneis e passa por turbinas, gerando energia de forma controlada.

A instalação é chamada de “bateria verde” porque armazena energia sem depender de baterias químicas.

Nesse caso, a água, a gravidade e a diferença de altura entre os reservatórios cumprem o papel de guardar o excedente produzido por fontes renováveis variáveis.

Como funciona a bateria verde de água na Índia

O projeto foi planejado para reunir 4.000 MW de energia solar, 1.000 MW de energia eólica e 1.680 MW de armazenamento hidrelétrico por bombeamento.

Segundo o Press Information Bureau, órgão oficial do governo indiano, o empreendimento tem investimento estimado em US$ 4,2 bilhões e capacidade de armazenamento de 10.080 MWh por dia em um ciclo.

Na operação, a energia produzida em horários de maior incidência solar ou de ventos favoráveis é usada para bombear a água para o reservatório superior.

Em outro momento, quando a geração renovável diminui ou a demanda aumenta, o fluxo é invertido e a água movimenta turbinas antes de voltar ao reservatório inferior.

Esse tipo de tecnologia é conhecido como usina reversível, armazenamento por bombeamento ou pumped storage.

Embora já seja utilizado em diferentes países, o modelo ganhou relevância com a expansão da energia solar e eólica, fontes cuja produção varia conforme as condições climáticas e o horário do dia.

Em Pinnapuram, a Greenko informa que o sistema foi concebido como circuito fechado.

De acordo com a empresa, os dois reservatórios são afastados de cursos d’água naturais e devem reutilizar a mesma água ao longo da operação, com reposições voltadas principalmente a perdas por evaporação.

Por que o armazenamento de energia renovável é necessário

A geração renovável variável impõe um desafio técnico às redes elétricas.

Painéis solares deixam de produzir à noite e reduzem a geração em dias nublados, enquanto turbinas eólicas dependem da intensidade e da regularidade dos ventos.

Essa oscilação exige mecanismos capazes de armazenar excedentes e liberar energia em horários de maior necessidade.

Nesse contexto, projetos de armazenamento em grande escala ajudam a reduzir a distância entre o momento em que a eletricidade é gerada e o momento em que ela é consumida.

Em sistemas como o de Pinnapuram, o armazenamento não ocorre em células eletroquímicas, mas na movimentação de água entre dois níveis.

Ao jornal The Times of India, Maurya Pydah, diretor de operações da Greenko, afirmou que a empresa avançou para o modelo de armazenamento por bombeamento após estudos sobre a intermitência das fontes renováveis.

Segundo ele, a geração solar depende da disponibilidade de luz e a eólica ocorre apenas quando a velocidade dos ventos é adequada.

Na mesma entrevista, Pydah comparou o sistema a uma “bateria natural gigante”, por armazenar energia solar e eólica excedente e liberá-la quando a rede precisa de eletricidade.

A declaração indica como a empresa apresenta o projeto: uma forma de transformar fontes variáveis em fornecimento programável.

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Dois reservatórios artificiais em uma região seca

Pinnapuram fica em uma área de clima seco no entorno de Kurnool, em Andhra Pradesh.

A região reúne características relevantes para projetos renováveis, como alta incidência solar e áreas disponíveis para infraestrutura de grande porte, além de acesso a sistemas de transmissão e reservatórios já existentes.

O componente de armazenamento hidrelétrico foi estruturado com dois reservatórios artificiais.

Documentos ambientais indianos informam que o projeto passou por reavaliações técnicas e teve mudanças de capacidade e de área ao longo do processo de análise.

Nos registros do Expert Appraisal Committee, a proposta aparece associada a ajustes na capacidade do sistema de armazenamento e a uma área de 785,58 hectares para o componente analisado.

A documentação também menciona revisão na necessidade de água para 1,30 TMC, no contexto das alterações examinadas pelo comitê.

Essas informações mostram que o modelo de circuito fechado não elimina a necessidade de licenciamento e acompanhamento ambiental.

A implantação envolve escavações, movimentação de terra, construção de reservatórios, túneis, casa de força, subestações e linhas de transmissão.

Energia solar, eólica e bombeamento em um único sistema

O aspecto central do projeto está na integração entre geração e armazenamento.

Em vez de operar energia solar, eólica e bombeamento como estruturas isoladas, a proposta é combiná-las em uma plataforma voltada a entregar eletricidade em horários definidos.

O governo indiano afirma que a instalação pode atender setores como aço verde, alumínio verde e hidrogênio verde, atividades que demandam grandes volumes de energia e maior previsibilidade no fornecimento.

A Greenko também apresenta Pinnapuram como parte de um modelo a ser replicado em outros estados indianos.

Segundo declarações publicadas pelo The Times of India, a empresa planeja projetos de armazenamento por bombeamento em Madhya Pradesh, Karnataka, Rajasthan e Uttar Pradesh.

No setor elétrico, o armazenamento por bombeamento é analisado como uma alternativa para grandes volumes de energia e períodos prolongados de descarga.

A tecnologia não substitui todas as formas de armazenamento, mas pode complementar baterias químicas, linhas de transmissão e outras soluções de equilíbrio da rede.

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O que Pinnapuram mostra sobre a rede elétrica

A experiência de Pinnapuram ilustra um dos pontos centrais da transição energética: ampliar a geração renovável não basta quando a produção varia ao longo do dia.

A estabilidade do sistema depende também de formas de armazenar excedentes, evitar cortes de geração e atender a picos de consumo.

No caso indiano, a água é bombeada para cima quando há energia renovável disponível e retorna para gerar eletricidade quando a rede precisa de reforço.

A operação transforma um terreno seco em parte de uma infraestrutura voltada à armazenagem de energia em larga escala.

A imagem de dois reservatórios artificiais em uma região árida chama atenção pelo contraste visual, mas o dado técnico mais relevante está no uso da gravidade como mecanismo de armazenamento.

Enquanto parte do debate global se concentra em baterias químicas e minerais críticos, Pinnapuram mostra uma aplicação de engenharia hidráulica adaptada à expansão das fontes renováveis.

Em uma economia com demanda crescente por eletricidade, projetos desse tipo indicam como a confiabilidade da rede pode depender da combinação entre geração limpa e armazenamento.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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