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Eles compraram uma empresa quebrada com R$ 700 milhões em dívidas, apostaram no lixo ignorado pelo Brasil e criaram um império bilionário transformando resíduos em energia, lucro e poder econômico sustentável

Escrito por Carla Teles
Publicado em 04/01/2026 às 10:16
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Como dois empresários criaram um império bilionário com Orizon resíduos, ecoparques e valorização de resíduos na economia verde do lixo brasileiro.
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Após comprar uma empresa quebrada com R$ 700 milhões em dívidas, eles criaram um império bilionário com Orizon resíduos ao usar ecoparques e valorização de resíduos para transformar lixo em energia na economia verde.

Depois de comprar uma empresa quebrada com quase R$ 700 milhões em dívidas, dois empresários brasileiros criaram um império bilionário apostando em algo que ninguém queria: lixo. Enquanto governos e prefeituras viam apenas passivo ambiental, eles enxergaram aterros sanitários como ativos estratégicos, capazes de gerar energia, combustível, fertilizante, créditos de carbono e uma nova economia verde.

Ao transformar lixões e aterros em ecoparques industriais, esses empreendedores montaram a Orizon, companhia que hoje recebe milhões de toneladas de resíduos por ano e fatura alto em um mercado que parecia sem glamour. Eles provaram que, quando o lixo é tratado como recurso, é possível criar tecnologia, escala e rentabilidade e, na prática, mostrar como criaram um império bilionário em cima do que o país inteiro jogava fora.

Quando o lixo do Brasil virou oportunidade

Como dois empresários criaram um império bilionário com Orizon resíduos, ecoparques e valorização de resíduos na economia verde do lixo brasileiro.

O ponto de partida dessa história é um velho problema conhecido de todo brasileiro. Durante décadas, o lixo foi tratado como algo a ser escondido, empurrado para longe das cidades e esquecido em lixões a céu aberto, contaminando solo, rios e lençóis freáticos.

Mesmo com o avanço dos aterros sanitários, mais de três mil lixões continuaram ativos no país, mantendo um cenário de caos e descaso.

Para governos, isso era um pesadelo caro e recorrente. Para a população, um incômodo inevitável. Para a maioria das empresas, um setor sem glamour, com pouco interesse de investimento.

Foi nesse cenário que dois empresários, já ricos e com a vida financeira resolvida, decidiram fazer o movimento que quase ninguém teria coragem de fazer. Eles olharam para o lixo do Brasil e concluíram que ali estava um dos negócios mais perenes do mundo.

Quem eram os empresários por trás da virada

O primeiro era Milton Pilão, herdeiro e CEO da Pilão S.A., empresa fundada em 1955 e especializada em equipamentos para a indústria de papel e celulose.

Nos anos 1970, a Pilão desenvolveu uma tecnologia que revolucionou o preparo de massa de papel a partir de fibras curtas de eucalipto, permitindo ao Brasil produzir papel de alta qualidade e exportar essa tecnologia para dezenas de países. Depois de décadas no comando, Milton vendeu a companhia para um grupo austríaco e embolsou uma fortuna.

Do outro lado estava Smar Machado Assali, ex-dono da Gomes da Costa, a maior empresa de pescados enlatados da América Latina. Ele também vendeu o negócio, recebeu milhões e poderia ter se aposentado com conforto.

Dois empresários experientes, capitalizados, com idade para desacelerar, decidiram fazer o oposto: voltar ao jogo apostando justamente no setor mais ignorado do país.

A palestra que mudou tudo e o foco nos resíduos

O gatilho veio em uma palestra internacional de alto nível, com nomes como George Soros e Bill Gates na plateia. Ali, ouviram uma síntese que ficou na cabeça dos dois: “os negócios do futuro são três, água, energia e resíduos.”

De volta ao Brasil, começaram a estudar um por um. Energia já tinha gigantes consolidados. Água e esgoto exigiam investimentos enormes e eram dominados por empresas estatais. Sobrou resíduos. O que eles descobriram foi chocante: o setor de lixo no Brasil estava atrasado cerca de 30 anos em relação ao que se via no exterior.

Enquanto lá fora o lixo já era usado para gerar energia, biogás, combustíveis e fertilizantes, aqui a lógica ainda era basicamente coletar, varrer e enterrar.

Eles entenderam que, se apostassem nos resíduos, poderiam ser pioneiros em um segmento com altíssima barreira de entrada e demanda permanente, o terreno perfeito para quem queria criar um império bilionário de longo prazo.

A empresa quebrada com R$ 700 milhões em dívidas

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A estratégia parecia simples no papel. Trazer tecnologia de valorização de resíduos para o Brasil, sentar à mesa com donos de aterros sanitários e propor parcerias para transformar lixo em valor. Na prática, só ouviram “não”. Quem tinha aterro não vendia nem queria dividir. Um aterro ocupa milhões de metros quadrados, leva anos para ser licenciado e funciona como monopólio regional, com vida útil de décadas.

Foi então que surgiu a Hastec, uma empresa gigante do setor de saneamento e coleta de lixo, com água, esgoto, fábrica de equipamentos, coleta e, principalmente, os aterros que Milton e Smar queriam. O problema: a companhia estava quebrada, desorganizada e afundada em quase R$ 700 milhões em dívidas.

Mesmo assim, eles decidiram comprar o negócio que ninguém queria tocar. Foram chamados de loucos, e com razão. Estavam entregando um patrimônio conquistado ao longo de décadas em troca de uma empresa endividada, confusa e cheia de problemas jurídicos.

Para piorar, poucos meses depois da compra veio o primeiro baque, uma arbitragem perdida de dezenas de milhões de reais, aumentando ainda mais o peso financeiro. Mas, em vez de recuar, eles seguiram com o plano.

Venderam áreas que não eram estratégicas, cortaram custos, renegociaram dívidas, demitiram, reorganizaram processos e focaram toda a energia em uma única frente: transformar aterros sanitários em ecoparques de valorização de resíduos.

Nasce a Orizon e a lógica dos ecoparques

Com a casa minimamente em ordem, veio também um novo nome. A antiga empresa ficou para trás, e o grupo passou a se chamar Orizon, com foco declarado em valorização de resíduos. A partir de 2016, começaram a implantar dentro dos seus próprios aterros um conceito inédito em escala no Brasil, os ecoparques.

Um ecoparque é muito mais do que um aterro sanitário cercado e organizado. É um complexo industrial ambiental desenhado para extrair valor de praticamente tudo o que antes era enterrado.

No mesmo espaço convivem unidades de triagem mecanizada, usinas de biogás, produção de biometano, geração de energia elétrica limpa, fabricação de combustível derivado de resíduos, tratamento de chorume que vira água de reuso, além de plantas para fertilizante orgânico, reciclagem de materiais e geração de créditos de carbono.

Na prática, o que antes era o fim da linha para o lixo virou o começo de uma cadeia de produtos e receitas. Prefeituras e empresas pagam para destinar resíduos à Orizon.

A partir dali, o lixo se transforma em várias fontes de faturamento, de recicláveis a energia e créditos ambientais. Foi nesse modelo integrado que eles de fato criaram um império bilionário em cima de algo que o país tratava apenas como sujeira incômoda.

Como eles criaram um império bilionário com lixo

Como dois empresários criaram um império bilionário com Orizon resíduos, ecoparques e valorização de resíduos na economia verde do lixo brasileiro.

Com o modelo provado, os números começaram a mostrar o tamanho da virada. Em poucos anos, a Orizon passou a operar dezenas de ecoparques em vários estados brasileiros, recebendo milhões de toneladas de resíduos por ano e cuidando direta ou indiretamente do lixo de dezenas de milhões de pessoas.

O passo seguinte foi abrir o capital na bolsa, em um IPO que avaliou a empresa em bilhões de reais. Com o tempo, o valor de mercado disparou, o faturamento anual ultrapassou a casa do bilhão e o lucro passou a reforçar a tese original dos dois fundadores.

Esses resultados não apareceram do nada. Eles são o resultado de uma visão que entendeu que lixo é um fluxo permanente, que não depende de moda, governo ou tendência tecnológica do momento. Crise passa, tecnologia muda, governos trocam, mas o lixo continua chegando todos os dias.

Ao dominar aterros e transformá-los em fábricas de valor, os dois empresários criaram um império bilionário com receita recorrente, alta previsibilidade e um componente ambiental que melhora a imagem da própria operação.

Lixo como recurso, não como vergonha

A grande mensagem por trás da história da Orizon é simples e poderosa. Não existe lixo, existe recurso no lugar errado. Quando resíduos são jogados em lixões ou enterrados sem critério, viram problema ambiental, de saúde pública e de imagem. Quando entram em um ecossistema de tecnologia, gestão e escala, podem virar energia, combustível, matéria-prima, fertilizante e até moeda de crédito de carbono.

Milton e Smar foram chamados de loucos quando decidiram apostar tudo no lixo. No fim, mostraram que a verdadeira loucura estava em ignorar por décadas um setor com demanda garantida e espaço enorme para inovação.

Ao comprar uma empresa quebrada e reorganizar tudo ao redor dos aterros, eles criaram um império bilionário que hoje é referência da nova economia verde brasileira, ajudando a resolver um problema histórico enquanto geram lucro e impacto positivo.

E você, depois de conhecer essa história, acha que teria coragem de apostar seu patrimônio em uma empresa quebrada para tentar criar um império bilionário em cima do lixo que todo mundo ignora?

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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