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Ele enterrou 1,2 mil pneus velhos nas paredes para construir sua própria casa autossuficiente na montanha com garrafas de vidro, água da chuva e estufa integrada

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 28/03/2026 às 23:05
Atualizado em 28/03/2026 às 23:09
Casa autossuficiente no Líbano usa pneus, garrafas e energia solar para reduzir impacto ambiental e depender menos da rede convencional.
Casa autossuficiente no Líbano usa pneus, garrafas e energia solar para reduzir impacto ambiental e depender menos da rede convencional.
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Projeto no Líbano reúne pneus, garrafas de vidro, captação de chuva, energia solar e estufa integrada em uma casa pensada para funcionar fora da rede convencional, combinando técnicas ancestrais, materiais reaproveitados e soluções de baixo impacto ambiental em uma residência semienterrada.

Na vila de Baskinta, na região montanhosa do Líbano, o arquiteto Nizar Haddad desenvolveu a Lifehaus, uma residência concebida para funcionar fora das redes convencionais de água e energia e para reduzir o impacto ambiental da construção.

O projeto reúne cerca de 1.200 pneus reaproveitados nas paredes, garrafas de vidro incorporadas à estrutura, captação de água da chuva, reaproveitamento hídrico e uma estufa integrada ao imóvel.

A proposta surgiu menos como experimento visual e mais como resposta prática a um cenário de infraestrutura frágil.

Em registro publicado pela Reuters em dezembro de 2022, Haddad apresentou a casa como materialização de sua visão sobre arquitetura ambiental, em um país que atravessou crises sucessivas de energia e abastecimento.

Em vez de depender da rede tradicional, a ideia foi construir uma moradia capaz de operar com recursos próprios e demonstrar que soluções de menor impacto podem sair do papel.

Casa autossuficiente no Líbano une arquitetura sustentável e materiais reciclados

A Lifehaus tem 160 metros quadrados, ou 1.722 pés quadrados, segundo a Architectural Digest e o estudo de caso da Fossil Free Zones.

O espaço inclui sala, mezanino, terraço, estufa e área técnica, em uma implantação semienterrada que acompanha a topografia e favorece o desempenho térmico ao aproximar a construção do solo e da massa de pedra ao redor.

Uma das soluções mais incomuns está justamente nas paredes.

Casa autossuficiente no Líbano usa pneus, garrafas e energia solar para reduzir impacto ambiental e depender menos da rede convencional.
Casa autossuficiente no Líbano usa pneus, garrafas e energia solar para reduzir impacto ambiental e depender menos da rede convencional.

A Architectural Digest informou que os painéis revestidos com cal foram preenchidos com 1.200 pneus de carros retirados de um aterro local, reaproveitamento que reduz a necessidade de materiais novos e adiciona massa térmica ao conjunto.

A publicação também descreveu os pneus como parte de um sistema durável, capaz de colaborar na regulação de temperatura e na resistência da estrutura.

Além dos pneus, o imóvel incorpora garrafas de vidro reutilizadas em alguns trechos das paredes.

Em vez de servirem apenas como acabamento, elas permitem a entrada de luz natural em pontos do interior sem depender exclusivamente de janelas convencionais, criando um efeito funcional de iluminação difusa.

A casa também combina pedra, tijolos de barro, lã de ovelha para isolamento, junco e outros insumos locais ou reciclados, numa lógica que retoma saberes construtivos antigos e os adapta a exigências atuais de conforto e eficiência.

Pneus nas paredes e garrafas de vidro ajudam no conforto térmico

O funcionamento diário foi planejado para exigir o mínimo possível de infraestrutura externa.

A principal fonte de eletricidade vem de painéis solares, enquanto o estudo da Fossil Free Zones cita ainda uma turbina eólica vertical, o movimento da água dentro da casa, uma bicicleta elétrica geradora e o uso de biogás obtido a partir da água negra para cozinhar.

O mesmo material registra a presença de equipamentos eficientes, como iluminação em LED e fogão elétrico solar, o que reduz a demanda energética antes mesmo da geração.

Essa combinação ajuda a explicar por que Haddad, em entrevista à Architectural Digest, afirmou ter conseguido diminuir a dependência energética do projeto ao cortar o consumo de aquecimento e resfriamento.

Segundo ele, a redução da carga térmica permitiu instalar nove painéis solares, e não doze, além de um inversor menor.

A lógica, portanto, não se resume a produzir energia limpa, mas a baixar o consumo estrutural da casa para tornar a autonomia mais viável.

Energia solar, biogás e água da chuva sustentam o funcionamento da Lifehaus

Casa autossuficiente no Líbano usa pneus, garrafas e energia solar para reduzir impacto ambiental e depender menos da rede convencional.
Casa autossuficiente no Líbano usa pneus, garrafas e energia solar para reduzir impacto ambiental e depender menos da rede convencional.

A gestão da água segue a mesma linha de circuito fechado.

A Architectural Digest relatou que a residência coleta água da chuva e a integra a um sistema interno de reaproveitamento, enquanto a Fossil Free Zones detalha que a água cinza é destinada à irrigação das plantações.

No caso da água negra, o estudo informa que ela passa por um tanque séptico para produção de biogás e, depois de tratada, também pode ser usada na irrigação.

Esse processo não se limita ao armazenamento.

O estudo aponta a presença de filtragem por juncos, recurso biológico que ajuda a reinserir a água tratada no ciclo agrícola da propriedade.

Na prática, o projeto tenta manter dentro do próprio terreno etapas que, em modelos convencionais, dependem de sistemas públicos separados para abastecimento, esgoto, energia e descarte de resíduos orgânicos.

A estufa acoplada ao imóvel ocupa papel central nesse arranjo.

Imagens e descrição da Fossil Free Zones indicam um ambiente envidraçado com vegetação, integrado ao desempenho térmico da casa, e a Architectural Digest detalha que o ar aquecido ali ajuda no aquecimento interno durante o inverno.

Já no verão, a circulação por dutos e passagens sob a estrutura contribui para resfriar o ar antes da entrada nos ambientes, reduzindo a necessidade de climatização convencional.

Estufa integrada amplia produção de alimentos e ajuda a regular a temperatura

As paredes de terra isoladas e a ventilação natural completam esse sistema passivo de conforto térmico.

O estudo de caso afirma que a massa das paredes armazena calor no verão e devolve estabilidade térmica ao longo do ano, enquanto a combinação entre estufa, isolamento e ventilação elimina a necessidade de aquecimento ou resfriamento com recursos externos.

Em outras palavras, a casa não depende apenas de equipamentos mais eficientes, mas de desenho bioclimático para funcionar melhor desde a sua forma.

O projeto também foi pensado como protótipo replicável.

A Lifehaus descreve a experiência como uma iniciativa voltada ao desenvolvimento de moradias de baixo custo, autossuficientes e energeticamente neutras, com possibilidade de aplicação em diferentes escalas.

Na Architectural Digest, Haddad afirmou que os cinco princípios adotados — materiais locais ou reutilizados, desenho bioclimático, gestão da água, energia renovável e manejo de resíduos — podem ser adaptados a outros climas e localidades, desde que respeitem as condições de cada região.

A construção ainda mobilizou conhecimento compartilhado entre profissionais e moradores.

A Fossil Free Zones informa que a obra reuniu pessoas da comunidade com formações científicas e técnicas diversas, e a Architectural Digest destacou a troca de experiência com especialistas acostumados a métodos tradicionais, como a produção de tijolos de terra.

Para Haddad, esse resgate não significa copiar o passado, mas recuperar técnicas que perderam espaço e combiná-las com engenharia contemporânea.

Projeto de Nizar Haddad busca inspirar moradias de baixo impacto

Nesse sentido, a casa de Baskinta se tornou mais do que uma moradia incomum recortada pela montanha.

Ao transformar resíduos difíceis de descartar, como pneus e vidro, em partes estruturais e funcionais de uma residência que capta água, produz energia, reaproveita efluentes e integra cultivo ao espaço doméstico, a Lifehaus passou a operar como demonstração concreta de uma arquitetura orientada pela redução de dependência externa, pelo uso de recursos locais e pela tentativa de diminuir custos ambientais ao longo de toda a vida útil da construção.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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