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Diamante raro encontrado em Juína, no Mato Grosso, foi formado a até 800 quilômetros de profundidade e guarda um mineral hidratado que pode explicar como a água é transportada para o interior da Terra

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 29/06/2026 às 23:31 Atualizado em 29/06/2026 às 23:33
Ilustração científica mostra diamante superprofundo com inclusão mineral e água sendo transportada por uma zona de subducção até o manto terrestre.
Diamante encontrado em Juína, no Mato Grosso, guarda inclusão mineral hidratada que pode ajudar a explicar como a água alcança o manto profundo.
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Cientistas encontraram goethita, hematita e magnetita dentro da pedra brasileira, ampliando as pistas sobre a circulação de água no manto profundo

Para quem observa um diamante, o brilho geralmente é o detalhe mais importante. Entretanto, dentro de uma pedra encontrada em Juína, no Mato Grosso, cientistas localizaram algo ainda mais valioso para a ciência.

O diamante preservava um mineral hidratado capaz de transportar água para o interior da Terra. Além disso, a descoberta ajuda a explicar como essa substância circula a centenas de quilômetros abaixo da superfície.

O estudo foi publicado em 11 de maio de 2026 na revista Scientific Reports, do grupo Nature. A pesquisa foi conduzida por cientistas do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, o CNPEM, e instituições parceiras.

O diamante formado nas profundezas da Terra

A pedra pertence ao grupo dos chamados diamantes superprofundos, formados sob pressões e temperaturas extremas.

Nesse caso, esses diamantes podem surgir a até 800 quilômetros de profundidade. Além disso, são encontrados em poucos lugares do planeta.

Entre essas regiões, Juína é a principal área de ocorrência conhecida pelos pesquisadores.

Embora sejam diamantes, essas pedras apresentam pouco valor comercial como gemas. Por isso, geralmente são utilizadas em instrumentos de corte, lixas e materiais cirúrgicos ou de precisão.

Inicialmente, as amostras foram doadas por garimpeiros da região. Posteriormente, novos exemplares foram adquiridos com financiamento do Instituto Serrapilheira.

Pequena peça metálica em formato cônico posicionada sobre uma superfície preta, registrada em close com fundo claro desfocado.
Diamante analisado pertence ao grupo dos chamados “superprofundos”, formados em condições extremas, a até 800 km de profundidade – CNPEM

O mineral que pode carregar água ao manto

A descoberta estava escondida dentro da pedra.

Durante as análises, os pesquisadores identificaram uma inclusão de oxihidróxido de ferro, formada pela combinação de goethita, hematita e magnetita.

Consequentemente, essa mistura cria um material hidratado. Assim, o composto pode funcionar como um veículo para transportar água da superfície até regiões extremamente profundas.

A descoberta chama atenção porque as temperaturas do manto podem ultrapassar 2.000°C.

Nessas condições, minerais hidratados geralmente se tornam instáveis. Ainda assim, a inclusão manteve hidroxilas incorporadas à sua estrutura cristalina.

Sirius revelou o que estava preservado no diamante

Para analisar o material, os cientistas utilizaram a luz síncrotron do Sirius, acelerador de partículas de quarta geração instalado no CNPEM.

Além disso, foram utilizadas as linhas de pesquisa Mogno, Ema e Carnaúba.

Com essa estrutura, a composição do mineral foi observada em altíssima resolução. Portanto, os pesquisadores confirmaram que a inclusão estava totalmente isolada dentro do diamante.

Segundo Fernanda Gervasoni, pesquisadora da Universidade Federal de Pelotas e colaboradora do CNPEM, o material não veio de uma contaminação superficial.

Na verdade, a inclusão não possuía contato com fraturas nem com o ambiente externo.

Água profunda não significa oceano subterrâneo

Provavelmente, o mineral se originou em zonas de subducção, onde placas tectônicas mergulham no interior da Terra.

Durante esse processo, o material enfrentou pressões e temperaturas extremas. Consequentemente, teria liberado água e oxigênio no manto profundo.

Entretanto, isso não significa que existam oceanos subterrâneos.

Nesse ambiente, a água aparece como hidroxilas incorporadas aos minerais. Mesmo assim, ela pode alterar a fusão das rochas, a formação de magmas e os sismos profundos.

A descoberta que amplia o ciclo da água

O achado mostra que o ciclo da água não envolve apenas oceanos, rios e atmosfera.

Na prática, ele também alcança regiões profundas do planeta. Além disso, a transformação observada indica que o mineral provavelmente já havia liberado água dentro da Terra.

O estudo reuniu pesquisadores do CNPEM, da Universidade de Brasília, da Universidade Federal de Pelotas e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Finalmente, a pesquisa recebeu recursos da Fapesp, responsável por apoiar o pós-doutorado de Fernanda Gervasoni.

Assim, um pequeno material preservado dentro de um diamante brasileiro abriu uma nova janela para o interior do planeta. Afinal, a pedra pode ajudar a explicar como água e oxigênio alteram a dinâmica do manto terrestre.

E você, imaginava que um diamante encontrado no Brasil poderia guardar pistas sobre a circulação de água nas regiões mais profundas da Terra? Conte nos comentários.

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Caio Aviz

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