Yasmin saiu de um apartamento de 45 m² em Ribeirão Preto e, durante a pandemia, foi para Fortaleza de Minas, na divisa com Pratápolis, “só passar uns dias” na casa dos pais; virou vida na roça, com feira semanal em Itaú de Minas, doce de leite e café torrado caseiro.
A roça entrou no caminho de Yasmin quase como acidente de percurso: isolamento, uma criança pequena e a sensação de que o apartamento de 45 m², em Ribeirão Preto, já não comportava a rotina. O que seria uma visita curta aos pais, em Fortaleza de Minas, na divisa com Pratápolis, virou permanência.
Com o tempo, a roça deixou de ser refúgio e virou trabalho. Feira semanal, doce de leite no tacho de cobre, café produzido ali e torrado em casa, além de horta orgânica e criação de animais passaram a organizar os dias e a renda, num ritmo que não parece caber mais na lógica de “voltar logo”.
Do “só uns dias” ao ponto sem retorno

A mudança começou sem anúncio e sem roteiro.
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Yasmin conta que foi para a casa dos pais durante a pandemia para “passar uns dias”, fugindo do aperto do apartamento e do isolamento, e foi ficando 15 dias, depois 20, até decidir permanecer em Fortaleza de Minas.
O que era pausa virou escolha, e a roça passou a ocupar o lugar que antes era só descanso.
Os pais já estavam na região, aposentados, e a adaptação foi acontecendo por tarefas pequenas: cuidar das galinhas, ajustar a rotina, observar o tempo da terra.
Ela mesma resume a virada como algo “leve”, sem forçar uma mudança brusca, até perceber que estava, de fato, vivendo da roça e estruturando a vida para isso.
Feira semanal como relógio da renda

A roça, para Yasmin, tem um marcador claro: a feira. Ela vende uma vez por semana, na sexta-feira, em Itaú de Minas, cidade vizinha.
É ali que entra parte importante do dinheiro e onde o planejamento precisa encaixar produção, armazenamento, embalagem e transporte.
Quando a venda é semanal, o erro custa uma semana inteira.
O doce de leite aparece como um dos eixos dessa banca.
Ele começa cedo no fogão e “vai o dia inteiro” no tacho de cobre. Yasmin afirma que trabalha com quatro tipos de doce de leite, incluindo versões como paçoquinha, cremoso e variações com amendoim.
A roça, nesse formato, não é só plantar: é manter um ciclo de produção que aguente repetição e qualidade, semana após semana.
Café torrado em casa e a lógica do que vai para a banca
Além do doce, Yasmin descreve que leva para a feira frutas do ano e algumas hortaliças.
Abacate aparece como exemplo de produto com saída, junto de outras frutas de época, enquanto parte do que é cultivado também vira alimento para os animais.
A roça vira um sistema fechado quando o que você planta alimenta o que você cria.
O café também entra nessa engrenagem.
Ela afirma que ainda mantém café na propriedade, embora tenha reduzido a área para priorizar mais pasto por causa das vacas.
O café que consome e vende é produzido ali e torrado por ela e pela mãe.
Na prática, é uma cadeia curta: plantar, colher, torrar e oferecer, com o controle do processo concentrado dentro da roça.
Água dos tanques, energia solar e horta orgânica no ritmo do clima
A organização da roça aparece também na água. Yasmin mantém tanques com tilápia, ainda para consumo próprio, e descreve que eles funcionam como armazenamento de água.
A distribuição é feita com apoio de uma placa solar: a água do primeiro tanque, sem peixe, é usada para granja, cavalos, vacas e outras necessidades; já a água do tanque com peixe vai direto para a horta, enriquecida pelo que ela chama de “adubada”.
É reaproveitamento com função prática, não discurso.
Na horta, ela insiste no termo: horta orgânica, “tudo orgânico”. Diz que evita plantar em excesso na época de chuva e que prefere respeitar o tempo, recuperando canteiros quando o clima permite.
Ela menciona irrigação por gotejamento e afirma que não usa adubo químico, trabalhando com esterco e insumos naturais.
A roça, aqui, vira disciplina de calendário: plantar aos poucos, colher no tempo certo e não brigar com a estação.
Animais, pouca mão de obra e o trabalho que exige presença
A roça descrita por Yasmin depende de vigilância diária.
Ela cuida dos próprios animais para perceber doença, alimentação e comportamento, e reconhece que tem ajuda de Gilberto, principalmente com o gado, mas que a mão de obra é escassa.
Na roça, faltar gente significa multiplicar tarefas, e isso aparece na forma como ela limita o crescimento para não perder controle.
A criação é diversa: poedeiras, aves ornamentais, além de estruturas e recintos em construção. Ela fala de ajustes graduais, construindo primeiro o espaço e aumentando a quantidade depois, para evitar crescimento desorganizado. Entre horta, animais e produção para a feira, a roça vira um trabalho de gestão: escolher o que dá conta hoje, sem prometer o que não consegue manter amanhã.
O que começou com um apartamento de 45 m² em Ribeirão Preto e uma visita “só por uns dias” na pandemia virou uma vida inteira reorganizada na roça, entre Fortaleza de Minas e a divisa com Pratápolis.
Feira semanal em Itaú de Minas, doce de leite no tacho de cobre, café torrado em casa, horta orgânica, tanques de peixe e criação de animais desenham um cotidiano em que o tempo é medido por produção, clima e presença.
Se você estivesse no lugar dela, o que pesaria mais para trocar a cidade pela roça: espaço, custo, saúde mental, ou autonomia do próprio trabalho? E, numa feira semanal, você apostaria em quê para sustentar a renda: doce, café, hortaliças, ou produtos de origem animal?


👏👏👏❤️. Sucesso 🙏. Que Deus abençoe.
Maravilha:a paz não tem preço!
Eu gostaria de ir tá lá com ela. Gostei dela, da disposição e inteligência.
São tarefas que não causam cansaço mental. Eu amo essa vida. Passem meu contato pra ela. Obrigado Yasmin! Izolino.