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Ela saiu de um apartamento de 45 m² em Ribeirão Preto, começou “só passando uns dias” e hoje vive da roça com feira semanal, doce de leite no tacho de cobre, café torrado em casa e horta orgânica

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 27/02/2026 às 13:56
Assista o vídeoNa roça em Fortaleza de Minas, Yasmin sustenta feira semanal com doce de leite e horta orgânica após a pandemia e muda de cidade.
Na roça em Fortaleza de Minas, Yasmin sustenta feira semanal com doce de leite e horta orgânica após a pandemia e muda de cidade.
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Yasmin saiu de um apartamento de 45 m² em Ribeirão Preto e, durante a pandemia, foi para Fortaleza de Minas, na divisa com Pratápolis, “só passar uns dias” na casa dos pais; virou vida na roça, com feira semanal em Itaú de Minas, doce de leite e café torrado caseiro.

A roça entrou no caminho de Yasmin quase como acidente de percurso: isolamento, uma criança pequena e a sensação de que o apartamento de 45 m², em Ribeirão Preto, já não comportava a rotina. O que seria uma visita curta aos pais, em Fortaleza de Minas, na divisa com Pratápolis, virou permanência.

Com o tempo, a roça deixou de ser refúgio e virou trabalho. Feira semanal, doce de leite no tacho de cobre, café produzido ali e torrado em casa, além de horta orgânica e criação de animais passaram a organizar os dias e a renda, num ritmo que não parece caber mais na lógica de “voltar logo”.

Do “só uns dias” ao ponto sem retorno

Na roça em Fortaleza de Minas, Yasmin sustenta feira semanal com doce de leite e horta orgânica após a pandemia e muda de cidade.

A mudança começou sem anúncio e sem roteiro.

Yasmin conta que foi para a casa dos pais durante a pandemia para “passar uns dias”, fugindo do aperto do apartamento e do isolamento, e foi ficando 15 dias, depois 20, até decidir permanecer em Fortaleza de Minas.

O que era pausa virou escolha, e a roça passou a ocupar o lugar que antes era só descanso.

Os pais já estavam na região, aposentados, e a adaptação foi acontecendo por tarefas pequenas: cuidar das galinhas, ajustar a rotina, observar o tempo da terra.

Ela mesma resume a virada como algo “leve”, sem forçar uma mudança brusca, até perceber que estava, de fato, vivendo da roça e estruturando a vida para isso.

Feira semanal como relógio da renda

Na roça em Fortaleza de Minas, Yasmin sustenta feira semanal com doce de leite e horta orgânica após a pandemia e muda de cidade.

A roça, para Yasmin, tem um marcador claro: a feira. Ela vende uma vez por semana, na sexta-feira, em Itaú de Minas, cidade vizinha.

É ali que entra parte importante do dinheiro e onde o planejamento precisa encaixar produção, armazenamento, embalagem e transporte.

Quando a venda é semanal, o erro custa uma semana inteira.

O doce de leite aparece como um dos eixos dessa banca.

Ele começa cedo no fogão e “vai o dia inteiro” no tacho de cobre. Yasmin afirma que trabalha com quatro tipos de doce de leite, incluindo versões como paçoquinha, cremoso e variações com amendoim.

A roça, nesse formato, não é só plantar: é manter um ciclo de produção que aguente repetição e qualidade, semana após semana.

Café torrado em casa e a lógica do que vai para a banca

Além do doce, Yasmin descreve que leva para a feira frutas do ano e algumas hortaliças.

Abacate aparece como exemplo de produto com saída, junto de outras frutas de época, enquanto parte do que é cultivado também vira alimento para os animais.

A roça vira um sistema fechado quando o que você planta alimenta o que você cria.

O café também entra nessa engrenagem.

Ela afirma que ainda mantém café na propriedade, embora tenha reduzido a área para priorizar mais pasto por causa das vacas.

O café que consome e vende é produzido ali e torrado por ela e pela mãe.

Na prática, é uma cadeia curta: plantar, colher, torrar e oferecer, com o controle do processo concentrado dentro da roça.

Água dos tanques, energia solar e horta orgânica no ritmo do clima

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A organização da roça aparece também na água. Yasmin mantém tanques com tilápia, ainda para consumo próprio, e descreve que eles funcionam como armazenamento de água.

A distribuição é feita com apoio de uma placa solar: a água do primeiro tanque, sem peixe, é usada para granja, cavalos, vacas e outras necessidades; já a água do tanque com peixe vai direto para a horta, enriquecida pelo que ela chama de “adubada”.

É reaproveitamento com função prática, não discurso.

Na horta, ela insiste no termo: horta orgânica, “tudo orgânico”. Diz que evita plantar em excesso na época de chuva e que prefere respeitar o tempo, recuperando canteiros quando o clima permite.

Ela menciona irrigação por gotejamento e afirma que não usa adubo químico, trabalhando com esterco e insumos naturais.

A roça, aqui, vira disciplina de calendário: plantar aos poucos, colher no tempo certo e não brigar com a estação.

Animais, pouca mão de obra e o trabalho que exige presença

A roça descrita por Yasmin depende de vigilância diária.

Ela cuida dos próprios animais para perceber doença, alimentação e comportamento, e reconhece que tem ajuda de Gilberto, principalmente com o gado, mas que a mão de obra é escassa.

Na roça, faltar gente significa multiplicar tarefas, e isso aparece na forma como ela limita o crescimento para não perder controle.

A criação é diversa: poedeiras, aves ornamentais, além de estruturas e recintos em construção. Ela fala de ajustes graduais, construindo primeiro o espaço e aumentando a quantidade depois, para evitar crescimento desorganizado. Entre horta, animais e produção para a feira, a roça vira um trabalho de gestão: escolher o que dá conta hoje, sem prometer o que não consegue manter amanhã.

O que começou com um apartamento de 45 m² em Ribeirão Preto e uma visita “só por uns dias” na pandemia virou uma vida inteira reorganizada na roça, entre Fortaleza de Minas e a divisa com Pratápolis.

Feira semanal em Itaú de Minas, doce de leite no tacho de cobre, café torrado em casa, horta orgânica, tanques de peixe e criação de animais desenham um cotidiano em que o tempo é medido por produção, clima e presença.

Se você estivesse no lugar dela, o que pesaria mais para trocar a cidade pela roça: espaço, custo, saúde mental, ou autonomia do próprio trabalho? E, numa feira semanal, você apostaria em quê para sustentar a renda: doce, café, hortaliças, ou produtos de origem animal?

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Beatriz
Beatriz
03/03/2026 10:35

👏👏👏❤️. Sucesso 🙏. Que Deus abençoe.

Iury Bandeira
Iury Bandeira
01/03/2026 14:46

Maravilha:a paz não tem preço!

Izolino Alvarenga
Izolino Alvarenga
28/02/2026 23:07

Eu gostaria de ir tá lá com ela. Gostei dela, da disposição e inteligência.
São tarefas que não causam cansaço mental. Eu amo essa vida. Passem meu contato pra ela. Obrigado Yasmin! Izolino.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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