Em Gana, a Nelplast Eco Ghana produz blocos com 70% areia e 30% plástico reciclado, alternativa ao cimento para paredes com base e colunas de concreto. A casa custa US$ 11.000. A meta é reduzir déficit de 2 milhões e desviar parte de 1 milhão de toneladas anuais de resíduos.
O plástico reciclado entrou no debate da construção em Gana com um argumento direto: em vez de tratar o resíduo urbano como descarte inevitável, uma empresa local decidiu transformá-lo em insumo para blocos de parede, combinando 70% de areia e 30% de plástico reciclado em uma pasta moldável.
A Nelplast Eco Ghana apresentou o produto como alternativa ao cimento na vedação, mantendo base e colunas de concreto como suporte, segundo relato divulgado em 11 de junho de 2021 com referência à Xinhua Hello Africa. A promessa é atacar dois problemas ao mesmo tempo: custo de moradia e volume de lixo plástico.
O que exatamente está sendo feito com 70% de areia e 30% de plástico reciclado

A composição descrita é uma pasta com 70% de areia e 30% de plástico reciclado, moldada em blocos para construção.
-
Cansadas de ganhar menos e serem tratadas como ajudantes nos canteiros, mulheres pedreiras da Bolívia criaram uma associação para enfrentar preconceito, assédio, falta de reconhecimento e diferença salarial de 38% na construção civil
-
Na Holanda, moradores compram terrenos em cidade perto de Amsterdã, descobrem que além de planejar suas casas, precisam também construir ruas, drenagem, cuidar dos resíduos e ainda plantar comida em metade do próprio lote
-
Multinacional de Santa Catarina, WEG anuncia nova fábrica na China com inauguração prevista para início de 2027, focada em grandes máquinas elétricas rotativas e expansão da produção de motores de baixa e média tensão em Rugao
-
Enquanto o mundo busca navios de baixo carbono para renovar a frota global, um estaleiro chinês assinou 13 contratos em uma semana, acumulou 39 encomendas e movimentou cerca de US$ 1 bilhão em um único lote histórico de porta-contêineres
O ponto central é que o plástico reciclado não aparece como “enfeite” do material, e sim como parcela relevante da mistura, o que muda densidade, comportamento e, principalmente, a lógica de consumo de resíduo urbano.
Ao mesmo tempo, o uso proposto não elimina o concreto: os blocos entram como paredes, enquanto base e colunas continuam em concreto.
Isso sugere um desenho de solução híbrida, em que o plástico reciclado ocupa a função de vedação e parte do volume construtivo, sem alegar que substitui toda a estrutura.
Quanto custa uma casa e onde esse preço entra na conversa

O valor informado para uma casa construída com o sistema é de US$ 11.000.
O número chama atenção porque coloca custo no centro da discussão: não basta existir bloco de plástico reciclado, é preciso que ele tenha impacto real na planilha de uma moradia.
Esse preço também ajuda a entender o “para quem” do projeto.
A empresa relaciona a iniciativa ao déficit habitacional de 2 milhões de unidades em Gana, o que aponta para um público pressionado por falta de oferta.
Quando o gargalo é escala, preço e velocidade viram tão importantes quanto o material em si.
Resíduo urbano como insumo e o tamanho do problema do lixo plástico
A empresa associa o produto ao desafio de resíduos plásticos em Gana: cerca de 1 milhão de toneladas por ano, descritas como mais de 95% do total nacional, com parte indo para aterros sanitários.
Colocar plástico reciclado em blocos, nesse cenário, é uma tentativa de criar demanda contínua para um material que, sem mercado, tende a voltar para a rota do descarte.
Só que a conta da escala é dura.
A capacidade de produção citada é de 1.100 toneladas por ano, com plano de expansão em um futuro próximo.
Mesmo sem prometer “resolver tudo”, o projeto se coloca como válvula de alívio, na ideia de desviar ao menos uma parcela do fluxo anual para uma cadeia produtiva.
O que medir para saber se a “solução” sai do discurso e entra na cidade
Se a proposta é aliviar o déficit habitacional e reduzir descarte, a verificação prática passa por pontos objetivos: capacidade real de produção, previsibilidade de fornecimento de plástico reciclado, padronização do produto e adoção em obras que mantenham base e colunas de concreto como recomendado.
Outro ponto é o efeito social da triagem do que vira insumo.
Se o plástico reciclado entra como matéria-prima de construção, ele deixa de ser apenas “lixo” e passa a ter valor.
Isso pode mexer com coleta, separação e destino do resíduo urbano, desde que a expansão prometida se sustente e não dependa de picos pontuais de demanda.
A ideia de moldar blocos com 70% de areia e 30% de plástico reciclado, mantendo concreto na base e nas colunas, coloca Gana no mapa de soluções que tentam conectar moradia mais barata a gestão de resíduos.
Os números são claros: US$ 11.000 por casa, déficit de 2 milhões de unidades e um país que gera cerca de 1 milhão de toneladas anuais de resíduos plásticos.
Se você tivesse que escolher, o que te convenceria de verdade numa obra com plástico reciclado: o preço final, a durabilidade percebida, ou a chance de reduzir o descarte em aterros? E, olhando para a sua cidade, onde o resíduo urbano poderia virar material de construção sem virar promessa vazia?

-
-
-
-
11 pessoas reagiram a isso.