1. Início
  2. / Agronegócio
  3. / Ela largou a carreira nos negócios imobiliários para voltar ao sítio da família, fortalecer o queijo canastra dos pais e assumir a lida com o gado, os partos, roça e os negócios online da fazenda
Localização MG Tempo de leitura 7 min de leitura Comentários 3 comentários

Ela largou a carreira nos negócios imobiliários para voltar ao sítio da família, fortalecer o queijo canastra dos pais e assumir a lida com o gado, os partos, roça e os negócios online da fazenda

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 05/12/2025 às 16:03
Atualizado em 05/12/2025 às 16:04
Assista o vídeo
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
75 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Formada em administração e ex-gestora de negócios imobiliários, Laí voltou ao sítio da família em São João Batista do Glória para profissionalizar a queijaria dos pais, cuidar do gado, acompanhar partos, organizar a roça e comandar sozinha as vendas online da produção artesanal de queijo canastra para todo o Brasil

Depois de concluir a faculdade de administração e passar um período no mercado de negócios imobiliários, Laís decidiu voltar ao sítio da família em São João Batista do Glória, no interior de Minas Gerais, mudando a direção da própria carreira e da empresa rural dos pais, Ebenezer e Luciana, uma família tradicional canastreira da região. Foi a partir dessa escolha que o pequeno rebanho, a queijaria artesanal e a presença digital da marca passaram a caminhar juntos sob um planejamento profissional.

Hoje, em manhãs de ordenha e tardes de roça, o cotidiano no sítio da família combina tarefas manuais, decisões de manejo e estratégia de negócios online. Entre o gado em piquetes rotacionados, o queijo canastra em diferentes maturações e as vendas organizadas pelo Instagram e WhatsApp, a propriedade transformou rotina rural em operação estruturada de agricultura familiar.

Do escritório urbano ao sítio da família

No sítio da família em São João Batista do Glória, queijo canastra, gado e vendas online se unem em uma história real de retorno ao campo.

Laís é formada em administração de empresas e fez do próprio Trabalho de Conclusão de Curso um plano de negócios para a queijaria do sítio da família, avaliando a viabilidade técnica e econômica da produção de queijo canastra.

Depois da faculdade, ela ingressou na administração de negócios imobiliários, mas a experiência urbana acabou servindo como etapa de transição.

Com o tempo, a prioridade deixou de ser o escritório e passou a ser o retorno ao sítio da família, onde o conhecimento em gestão poderia ser aplicado diretamente na atividade rural.

A decisão de largar os negócios imobiliários para voltar à pecuária leiteira e ao queijo artesanal uniu formação acadêmica, origem no campo e desejo de fortalecer o trabalho dos pais.

Essa virada marcou o início de uma gestão mais profissional da produção, sem romper com o caráter familiar da fazenda.

São João Batista do Glória, Fumal e a rotina do queijo canastra

No sítio da família em São João Batista do Glória, queijo canastra, gado e vendas online se unem em uma história real de retorno ao campo.

O sítio da família fica na zona rural de São João Batista do Glória, na região do Fumal, a aproximadamente 20 quilômetros do centro do município.

Ali, o cenário de serra, pastagens e mata preservada convive com sala de ordenha organizada, queijaria regularizada e câmara de maturação planejada para acompanhar cada lote.

Na queijaria, a família produz queijo canastra com maturação mínima de 15 dias para comercialização, além de peças com cerca de 40 dias, mais fechadas e intensas, e queijos com 80 dias, de sabor mais próximo ao parmesão.

Todos partem da mesma base de leite cru, variando apenas o tempo e o manejo de cura.

A cada dia, são produzidos cerca de dez a doze queijos, que avançam em fileiras pela sala de maturação, com marcação de datas para controle rigoroso.

Gado rústico, partos acompanhados e manejo natural

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

No sítio da família, o rebanho leiteiro é composto por animais de raças rústicas, como Gir, Girolando, Caracu e outras combinações voltadas para produção a pasto.

O pai, Ebenezer, conduz a pecuária no dia a dia, mas Laís participa ativamente de tarefas como apartação, vacinação, vermifugação e acompanhamento de partos.

Durante a rotina, ela observa as vacas no pasto e identifica sinais de início de trabalho de parto, monitorando a evolução à distância para respeitar o espaço do animal e evitar estresse.

A intervenção direta só acontece quando há necessidade real, com apoio de veterinário em casos cirúrgicos, o que reforça a opção por um manejo o mais natural possível.

O gado é mantido sem uso rotineiro de medicamentos, com foco em sanidade, vermifugação, vacinação e boas práticas de manejo, o que impacta diretamente a qualidade do leite destinado ao queijo canastra.

Rotação de piquetes e adubação orientada por assistência técnica

A área produtiva do sítio da família soma cerca de 50 hectares, mas a parte efetivamente utilizada pelo gado de leite gira em torno de pouco menos de 20 hectares, distribuídos em 16 piquetes.

As vacas de ordenha circulam por esses piquetes em sistema rotacionado, com entrada em pasto mais alto e saída antes do rebaixamento excessivo, preservando vigor e capacidade de rebrota.

O manejo foi estruturado com apoio técnico do Senar e da Emater de São João Batista do Glória, que orientaram o uso de adubação adequada à realidade da fazenda.

Em vez de trocar completamente o capim, a família passou a adubar os piquetes de maneira planejada, aumentando produção de massa verde, qualidade do pasto e volume de leite por vaca.

O resultado foi um crescimento expressivo da produção apenas com melhoria de manejo, sem expansão de área.

Feno pré-secado, adeus à silagem de milho e aveia de inverno

Outra mudança importante na rotina do sítio da família foi a substituição da silagem de milho tradicional por feno pré-secado em briquetes, um produto compactado que é hidratado na própria fazenda.

Cada quilo de matéria seca é expandido com água até atingir cerca de seis quilos no cocho, formando uma espécie de “sopão” misturado à ração sem ureia.

Esse modelo reduziu perdas, facilitou o armazenamento em espaço menor e eliminou a dependência de serviços terceirizados de ensilagem, que antes resultavam em silagem de qualidade irregular.

Paralelamente, uma antiga área de silagem de milho foi reformada com plantio de aveia, cultura de inverno que permite manter oferta de forragem quando o capim entra em dormência.

Assim, o rebanho de leite alterna entre piquetes de capim adubado e áreas de aveia, sempre com suplementação de feno pré-secado no cocho.

Queijaria, doces, licores e organização dos negócios online

Dentro da queijaria, a mãe, Luciana, é responsável por boa parte da produção, especialmente da parte culinária mais refinada.

Além do queijo canastra, ela prepara doces de leite, geleias de frutas da própria propriedade, doces de coco, bolos e licores, inclusive licor de doce de leite curtido em cachaça da região.

A organização dos pedidos, das entregas e da presença digital do sítio da família é coordenada por Laís. Pelo Instagram da marca e pelos aplicativos de mensagem, ela recebe pedidos, orienta sobre conservação dos queijos e seleciona peças mais secas para envio a longas distâncias.

Os produtos são despachados para diversas regiões do Brasil por transportadoras e Correios, e há entregas semanais em cidades próximas, como São João Batista do Glória e Passos.

Tudo isso mantendo o caráter artesanal da produção e o contato direto entre produtora e consumidor final.

Agricultura familiar, escolas públicas e impacto local

O sítio da família é formalmente enquadrado como agricultura familiar e participa de programas de fornecimento de alimentos para escolas públicas, por meio de iniciativas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar.

Queijos da propriedade entram na merenda de estudantes da região, aproximando ainda mais a produção rural da comunidade local.

Esse vínculo com as escolas reforça a importância de manter padrões rígidos de sanidade animal, higiene de ordenha e controle de maturação dos queijos.

Para a família, cada peça enviada às escolas ou aos clientes finais representa não apenas uma fonte de renda, mas também o resultado de um modelo de produção que combina tradição, assistência técnica e gestão profissional.

Vida no sítio da família e futuro no campo

A decisão de permanecer no sítio da família, ao lado do pai e da mãe, é encarada por Laís como um projeto de vida. Irmãos seguiram outras carreiras em cidades maiores, mas ela optou por administrar o gado, cuidar dos “meninos e menininhas” do rebanho, acompanhar partos, planejar adubação dos piquetes, supervisionar o feno pré-secado e organizar as vendas de queijo canastra e derivados.

Na prática, o sítio da família se transformou em um negócio rural articulado, no qual formação acadêmica, conhecimento técnico, tradição canastreira e tecnologia simples de gestão se encontram diariamente.

Entre ordenhas, partos observados à distância, maturação de queijos e mensagens de clientes, a fazenda consolida um caso concreto de retorno ao campo com olhar profissional e forte vínculo afetivo com a terra e com os animais.

E você, deixaria a cidade para voltar ao sítio da família e assumir uma rotina intensa de gado, queijo canastra e agricultura familiar no interior do Brasil?

Inscreva-se
Notificar de
guest
3 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
José Wilson marinho da Silva
José Wilson marinho da Silva
07/12/2025 16:05

Eu também larguei tudo para cuidar da pousada da minha família que era do meu pai que contrue a muito tempo atrás

Elizabeth
Elizabeth
06/12/2025 17:29

Sim, com certeza eu largaria tudo para ir para o Interior,onde se eu tivesse meus pais estaria com eles.

Anneliese
Anneliese
06/12/2025 17:00

Com certeza. Estar perto da natureza é sinônimo de uma vida saudável! Excelente reportagem. A sucessão familiar na propriedade é importante, assim como proporcionar terra a quem nela quiser trabalhar. Existem muitos jovens hoje que gostariam de ter esta oportunidade, mas nem sempre a família tem terras. Ou às vezes, a terra já está tão dividida que não supre a manutenção de uma família.

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Ir para o vídeo em destaque
3
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x