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A China tem um plano para caso asteroides gigantes colidam contra a Terra, que envolve perfuração na rocha espacial, explosão nuclear em profundidade e até 20 anos de preparação para tentar mudar a rota antes do impacto

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Escrito por Geovane Souza Publicado em 08/07/2026 às 14:39 Atualizado em 08/07/2026 às 14:41
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China estuda uso de perfuração e explosão nuclear para desviar asteroides gigantes em rota de colisão com a Terra
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Pesquisadores chineses testaram em simulações uma estratégia para desviar ou destruir asteroides com mais de 100 metros antes de uma colisão com a Terra

A China avalia uma proposta de defesa planetária que parece saída de filme, mas foi apresentada como estudo científico. A ideia é abrir uma cavidade profunda em um asteroide ameaçador e detonar um dispositivo nuclear dentro da rocha para transferir mais energia ao corpo celeste.

A pesquisa foi liderada por Xiaowei Wang, da China Academy of Launch Vehicle Technology, e publicada na revista Space: Science and Technology.

O trabalho analisou asteroides grandes, com mais de 100 metros, e simulou cenários com tempo de alerta entre 1 e 20 anos.

O plano não significa que exista um asteroide gigante vindo em direção à Terra agora. O estudo tenta responder a uma pergunta prática da defesa planetária, o que fazer se um objeto grande demais for descoberto tarde demais para métodos mais simples?

A proposta chinesa começa antes da explosão, com uma abertura feita na própria rocha espacial

O ponto central do estudo é a chamada detonação com pré-escavação. Em vez de explodir uma carga na superfície do asteroide, os pesquisadores simularam uma missão em duas etapas.

Primeiro, uma sonda ou equipamento de penetração criaria uma abertura no corpo celeste. Depois, o dispositivo nuclear seria acionado em uma região mais profunda, aumentando o contato da energia liberada com o material do asteroide.

De acordo com informações divulgadas pelo Space.com, a equipe comparou esse método com uma alternativa mais simples, na qual o impacto abriria apenas uma cratera rasa antes da explosão. A diferença está no aproveitamento da energia. Quanto mais profunda a detonação, maior tende a ser a transferência de força para alterar a trajetória da rocha.

Na prática, a técnica não tenta “apagar” o asteroide como em cenas de ficção científica. O objetivo principal é mudar levemente sua velocidade e sua rota com antecedência suficiente.

Em astronomia, uma alteração pequena, aplicada meses ou anos antes do encontro com a Terra, pode fazer o objeto errar o planeta por milhares de quilômetros.

Simulações indicam que asteroides de 100 metros poderiam ser destruídos, enquanto corpos de até 1 km poderiam ser desviados

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Os resultados apontam que a detonação profunda seria mais eficiente contra asteroides grandes. Nas simulações citadas pelos pesquisadores, objetos próximos de 100 metros poderiam ser destruídos, enquanto asteroides de até cerca de 1 quilômetro poderiam ter a trajetória alterada.

O estudo trabalhou com uma mudança de velocidade de aproximadamente 1 metro por segundo ao longo de cerca de 60 dias. Esse número parece pequeno, mas ganha peso quando aplicado a um objeto viajando pelo espaço com meses ou anos de antecedência.

A pesquisa também avaliou o tempo disponível para reação. Em um cenário com aviso curto, a opção de impacto superficial poderia ser considerada por ser menos complexa. Com mais anos de preparação, a estratégia de perfuração e detonação em profundidade aparece como a escolha mais eficiente.

Esse detalhe muda a leitura do plano. A proposta chinesa depende menos da força bruta da explosão e mais de tempo, precisão orbital, capacidade de lançamento e conhecimento da composição do asteroide.

O teste da NASA em 2022 mostrou que desviar um asteroide é possível, mas não resolve todos os cenários

A missão DART, da NASA, é hoje o exemplo real mais conhecido de defesa planetária. Em 26 de setembro de 2022, a nave atingiu Dimorphos, uma pequena lua do asteroide Didymos, para testar se um impacto cinético poderia alterar sua órbita.

Segundo a NASA, o impacto reduziu o período orbital de Dimorphos de 11 horas e 55 minutos para 11 horas e 23 minutos, uma mudança de 32 minutos. Foi a primeira vez que a humanidade alterou de forma intencional o movimento de um corpo celeste.

Mas o caso da DART tinha condições específicas. Dimorphos não ameaçava a Terra, era parte de um sistema binário e tinha tamanho menor do que os grandes asteroides analisados no estudo chinês.

Por isso, a pesquisa chinesa parte de outro problema. Se o objeto for maior, mais pesado ou descoberto com pouco tempo de antecedência, apenas bater uma nave contra ele pode não ser suficiente para produzir o desvio necessário.

O maior risco não está só na colisão, mas nos fragmentos que podem sobrar depois da intervenção

O estudo também expõe uma limitação delicada. Uma explosão mal calculada poderia fragmentar o asteroide e manter parte dos destroços em rota perigosa.

A composição do objeto seria decisiva. Um asteroide sólido reagiria de forma diferente de um corpo formado por blocos soltos, poeira e fragmentos unidos pela gravidade. Esse tipo de estrutura é comum em pequenos corpos do Sistema Solar e pode dificultar previsões.

Outro obstáculo é político e técnico. Levar um dispositivo nuclear ao espaço exigiria protocolos internacionais, controle rigoroso, segurança no lançamento e decisões rápidas entre governos. Mesmo que a física funcione nas simulações, uma missão real dependeria de acordos, financiamento e testes que ainda não existem nesse formato.

A própria detecção antecipada continua sendo parte central do problema. O telescópio espacial NEO Surveyor, planejado pela NASA para lançamento não antes de setembro de 2027, foi desenhado para encontrar e caracterizar objetos próximos da Terra maiores que 140 metros, faixa capaz de causar danos regionais em caso de impacto.

Não há ameaça imediata conhecida, mas a corrida por defesa planetária ganhou mais um capítulo

O estudo chinês não anuncia uma missão pronta nem indica que um asteroide gigante esteja prestes a atingir a Terra. Ele entra em uma área de pesquisa que cresceu após a DART e depois de alertas recentes envolvendo objetos próximos, como o asteroide 2024 YR4, que chegou a ser monitorado com atenção antes de ter seu risco para a Terra rebaixado.

O Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra, ligado ao JPL, monitora estatísticas de descobertas e informa que mais de 90% dos objetos próximos da Terra maiores que 1 quilômetro já foram encontrados. Agora, o foco está em ampliar a busca por corpos acima de 140 metros, menores que os grandes asteroides globais, mas ainda capazes de causar destruição regional.

A proposta da China chama atenção porque mira justamente o cenário mais difícil: pouco tempo, objeto grande e energia insuficiente para métodos convencionais. Ainda assim, ela permanece no campo da simulação científica.

O recado mais concreto é que a defesa planetária deixou de ser apenas observação do céu. Hoje, envolve cálculo orbital, sondas de impacto, telescópios infravermelhos, simulações nucleares e decisões que precisariam ser tomadas antes de uma ameaça aparecer no noticiário.

Você acha que países deveriam investir mais em sistemas de defesa contra asteroides ou esse tipo de plano ainda parece distante demais da realidade? Deixe sua opinião nos comentários e conte se uma missão nuclear no espaço seria aceitável em caso de risco real para a Terra.

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Geovane Souza

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