Com origens entre 1886 e 1937, Mercedes-Benz, BMW e Volkswagen atravessam uma transição decisiva marcada pela eletrificação, digitalização e avanço de novos concorrentes globais, enquanto economistas, indústria e governo alemão divergem sobre riscos, modelos industriais e a capacidade de adaptação das montadoras até 2030
A indústria automotiva europeia, liderada por Mercedes-Benz, BMW e Volkswagen, atravessa uma transformação estrutural marcada pela eletrificação e digitalização dos veículos, colocando em xeque modelos industriais consolidados há mais de um século e exigindo mudanças profundas para manter competitividade global.
Origens históricas e consolidação industrial
A história do automóvel europeu está diretamente ligada à trajetória da Mercedes-Benz, da BMW e da Volkswagen, marcas que moldaram padrões técnicos, produtivos e comerciais ao longo de décadas. Suas origens distintas convergiram para uma liderança industrial duradoura.
A Mercedes-Benz foi fundada em 1886, ano em que Karl Benz patenteou o Benz Patent-Motorwagen, considerado o primeiro automóvel da história.
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No mesmo período, Gottlieb Daimler desenvolveu motores de combustão interna de alta velocidade, estabelecendo as bases técnicas do setor moderno.
Desde então, a marca da estrela de três pontas acumulou quase 140 anos de experiência industrial, associando sua imagem à inovação tecnológica, segurança veicular e posicionamento premium, elementos que se tornaram referências para fabricantes de todo o mundo.
BMW e Volkswagen na formação do modelo europeu
A BMW iniciou suas atividades em 1916 como fabricante de motores de aeronaves. Em 1928, passou a produzir automóveis, construindo ao longo de quase um século uma identidade ligada à engenharia de precisão, desempenho mecânico e prazer de dirigir, consolidando sua presença no segmento automotivo global.
A Volkswagen, fundada em 1937, surgiu com um objetivo distinto: motorizar a população alemã. O lançamento do Fusca transformou a marca em sinônimo de produção em massa, resultando em um dos modelos mais vendidos da história da indústria automotiva.
Com o passar das décadas, a Volkswagen deixou de ser apenas uma fabricante de um “carro do povo” e tornou-se um dos maiores conglomerados automotivos do mundo, com marcas diversas, fábricas em vários continentes e mais de 80 anos de experiência industrial acumulada.
A transformação tecnológica do setor automotivo
A indústria automotiva enfrenta atualmente uma de suas mudanças mais profundas desde a sua origem. Após décadas de domínio dos motores de combustão interna, o setor passa por uma redefinição de design, produção e marketing, impulsionada pela mobilidade elétrica e pela digitalização dos veículos.
Fabricantes tradicionais europeus e japoneses competem agora com empresas de tecnologia e novos grupos chineses, que avançam rapidamente em eletrificação, software embarcado, direção autônoma e inteligência artificial. Essa convergência tem reconfigurado cadeias de suprimentos e alianças estratégicas globais.
O foco da competitividade deslocou-se para baterias, eficiência energética, sistemas digitais integrados e infraestrutura de recarga, em um contexto no qual políticas públicas e incentivos de mercado buscam acelerar a transição para um transporte considerado mais sustentável.
O alerta econômico sobre o futuro das montadoras alemãs
Esse cenário motivou um alerta público do economista alemão Moritz Schularick, presidente do Instituto de Kiel para a Economia Mundial. Segundo ele, o modelo industrial que sustenta Mercedes-Benz, BMW e Volkswagen pode não sobreviver como existe hoje antes de 2030.
Schularick apresentou essa avaliação em entrevista ao programa de Caren Miosga, exibido pela emissora ARD, ao analisar o papel histórico da indústria automotiva alemã na economia, no emprego e nas exportações do país.
Para o economista, tecnologias emergentes como mobilidade elétrica, inteligência artificial e softwares para veículos autônomos e conectados estão redefinindo o conceito de automóvel e tornando obsoletos fundamentos industriais baseados exclusivamente em motores a combustão.
Obsolescência do modelo tradicional e pressão competitiva
Schularick afirmou que Mercedes, BMW e Volkswagen não conseguirão se manter como são conhecidas até o final desta década se não acelerarem sua adaptação às tendências globais. Segundo ele, os pontos fortes históricos podem transformar-se em desvantagens num ritmo de mudança tão acelerado.
A transição para veículos elétricos, segundo o economista, não se limita à substituição do motor, mas envolve a reinvenção completa de processos produtivos, cadeias de suprimentos e modelos de negócios, exigindo capacidades que empresas de tecnologia já dominam.
Nesse contexto, ele citou a aquisição da Volvo pelo grupo chinês Geely em 2015 como exemplo de como capital estrangeiro pode viabilizar acesso tecnológico e expansão de mercado, permitindo adaptação bem-sucedida.
Reações da indústria e do cenário político alemão
As declarações provocaram reação imediata do setor automotivo alemão. Hildegard Müller, presidente da Associação Alemã da Indústria Automotiva, classificou as previsões como absurdas e defendeu a força das montadoras alemãs.
Segundo Müller, os desafios enfrentados decorrem de fatores externos, como altos custos de energia e insuficiente apoio político à inovação. Ela destacou que, apesar das dificuldades, as empresas alemãs permanecem competitivas nos mercados globais, contrariando a visão pessimista.
No campo político, Cem Özdemir, do Partido Verde, rejeitou a hipótese de controle estrangeiro da Mercedes-Benz, afirmando que a marca continuará sendo um produto alemão com investimentos adequados em tecnologia.
Digitalização, empregos e o risco de reconfiguração industrial
Schularick manteve seu posicionamento ao afirmar que o principal desafio futuro está na transição digital, especialmente em áreas como condução autônoma e sistemas conectados baseados em inteligência artificial, setores nos quais outros países avançam mais rapidamente.
Segundo o economista, a indústria alemã discute soluções ligadas ao passado enquanto concorrentes constroem o futuro, o que pode resultar em perda de protagonismo. Esse atraso pode levar a uma profunda reconfiguração industrial antes do final da década.
O alerta ressalta a importância estratégica do setor automotivo para a economia alemã, responsável por parcela relevante do PIB e milhões de empregos diretos e indiretos, indicando que a falta de adaptação pode gerar impactos econômicos de grande escala.
Mesmo diante das divergências entre economistas, indústria e governo, o debate expõe a dimensão do desafio enfrentado pelas montadoras alemãs históricas, cuja sobrevivência no formato atual dependerá da capacidade de resposta à eletrificação, à digitalização e à nova concorrência global, num processo marcado por incertezas e decisões estratégicas.

Quem compra carro premium por experiência própria minha não compre bmw, fiquei 17 anos MB comprei 9 MB okm, a 7 messes fui para bmw pensa em
um arrependimento, a bmw não chega no chinelo da MB para mim e um verdadeiro LIXO,
Pior os preços em alguns casos e mais caro que a Mercedes Benz em em termos de comparações de modelos com mesmos pacote,
A primeira que precisa desaparecer e fechar as portas é a BWW querem se comparar a MB, não chega nem no chinelo da Mercedes benz.
Falo isso de cadeira após 17 anos de mb 9 mb okm,
Fui para bmw um LIXO.
Sua opinião. Tenho duas BMW, uma E39, e outra F30, e adoro ambas, pois valorizo design externo e dirigibilidade mais afiada. Não troco por nenhum MB.
Elétricos não vendem 10% do mercado e caindo,China estagnou internamente e eles vão dominar sim,confia hahaha
A China já começou a regurgitar a indústria automobilística; quando se pensa em montar a indústria em outros países há é mau sinal, vão perder a competitividade