1. Início
  2. / Automotivo
  3. / Economista prevê que a BMW, a Mercedes e a Volkswagen ‘deixarão de existir como as conhecemos’
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 7 comentários

Economista prevê que a BMW, a Mercedes e a Volkswagen ‘deixarão de existir como as conhecemos’

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 29/01/2026 às 22:09
Montadoras alemãs enfrentam eletrificação e digitalização, com alertas sobre riscos ao modelo industrial antes de 2030.
Montadoras alemãs enfrentam eletrificação e digitalização, com alertas sobre riscos ao modelo industrial antes de 2030.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
62 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Com origens entre 1886 e 1937, Mercedes-Benz, BMW e Volkswagen atravessam uma transição decisiva marcada pela eletrificação, digitalização e avanço de novos concorrentes globais, enquanto economistas, indústria e governo alemão divergem sobre riscos, modelos industriais e a capacidade de adaptação das montadoras até 2030

A indústria automotiva europeia, liderada por Mercedes-Benz, BMW e Volkswagen, atravessa uma transformação estrutural marcada pela eletrificação e digitalização dos veículos, colocando em xeque modelos industriais consolidados há mais de um século e exigindo mudanças profundas para manter competitividade global.

Origens históricas e consolidação industrial

A história do automóvel europeu está diretamente ligada à trajetória da Mercedes-Benz, da BMW e da Volkswagen, marcas que moldaram padrões técnicos, produtivos e comerciais ao longo de décadas. Suas origens distintas convergiram para uma liderança industrial duradoura.

A Mercedes-Benz foi fundada em 1886, ano em que Karl Benz patenteou o Benz Patent-Motorwagen, considerado o primeiro automóvel da história.

No mesmo período, Gottlieb Daimler desenvolveu motores de combustão interna de alta velocidade, estabelecendo as bases técnicas do setor moderno.

Desde então, a marca da estrela de três pontas acumulou quase 140 anos de experiência industrial, associando sua imagem à inovação tecnológica, segurança veicular e posicionamento premium, elementos que se tornaram referências para fabricantes de todo o mundo.

BMW e Volkswagen na formação do modelo europeu

A BMW iniciou suas atividades em 1916 como fabricante de motores de aeronaves. Em 1928, passou a produzir automóveis, construindo ao longo de quase um século uma identidade ligada à engenharia de precisão, desempenho mecânico e prazer de dirigir, consolidando sua presença no segmento automotivo global.

A Volkswagen, fundada em 1937, surgiu com um objetivo distinto: motorizar a população alemã. O lançamento do Fusca transformou a marca em sinônimo de produção em massa, resultando em um dos modelos mais vendidos da história da indústria automotiva.

Com o passar das décadas, a Volkswagen deixou de ser apenas uma fabricante de um “carro do povo” e tornou-se um dos maiores conglomerados automotivos do mundo, com marcas diversas, fábricas em vários continentes e mais de 80 anos de experiência industrial acumulada.

A transformação tecnológica do setor automotivo

A indústria automotiva enfrenta atualmente uma de suas mudanças mais profundas desde a sua origem. Após décadas de domínio dos motores de combustão interna, o setor passa por uma redefinição de design, produção e marketing, impulsionada pela mobilidade elétrica e pela digitalização dos veículos.

Fabricantes tradicionais europeus e japoneses competem agora com empresas de tecnologia e novos grupos chineses, que avançam rapidamente em eletrificação, software embarcado, direção autônoma e inteligência artificial. Essa convergência tem reconfigurado cadeias de suprimentos e alianças estratégicas globais.

O foco da competitividade deslocou-se para baterias, eficiência energética, sistemas digitais integrados e infraestrutura de recarga, em um contexto no qual políticas públicas e incentivos de mercado buscam acelerar a transição para um transporte considerado mais sustentável.

O alerta econômico sobre o futuro das montadoras alemãs

Esse cenário motivou um alerta público do economista alemão Moritz Schularick, presidente do Instituto de Kiel para a Economia Mundial. Segundo ele, o modelo industrial que sustenta Mercedes-Benz, BMW e Volkswagen pode não sobreviver como existe hoje antes de 2030.

Schularick apresentou essa avaliação em entrevista ao programa de Caren Miosga, exibido pela emissora ARD, ao analisar o papel histórico da indústria automotiva alemã na economia, no emprego e nas exportações do país.

Para o economista, tecnologias emergentes como mobilidade elétrica, inteligência artificial e softwares para veículos autônomos e conectados estão redefinindo o conceito de automóvel e tornando obsoletos fundamentos industriais baseados exclusivamente em motores a combustão.

Obsolescência do modelo tradicional e pressão competitiva

Schularick afirmou que Mercedes, BMW e Volkswagen não conseguirão se manter como são conhecidas até o final desta década se não acelerarem sua adaptação às tendências globais. Segundo ele, os pontos fortes históricos podem transformar-se em desvantagens num ritmo de mudança tão acelerado.

A transição para veículos elétricos, segundo o economista, não se limita à substituição do motor, mas envolve a reinvenção completa de processos produtivos, cadeias de suprimentos e modelos de negócios, exigindo capacidades que empresas de tecnologia já dominam.

Nesse contexto, ele citou a aquisição da Volvo pelo grupo chinês Geely em 2015 como exemplo de como capital estrangeiro pode viabilizar acesso tecnológico e expansão de mercado, permitindo adaptação bem-sucedida.

Reações da indústria e do cenário político alemão

As declarações provocaram reação imediata do setor automotivo alemão. Hildegard Müller, presidente da Associação Alemã da Indústria Automotiva, classificou as previsões como absurdas e defendeu a força das montadoras alemãs.

Segundo Müller, os desafios enfrentados decorrem de fatores externos, como altos custos de energia e insuficiente apoio político à inovação. Ela destacou que, apesar das dificuldades, as empresas alemãs permanecem competitivas nos mercados globais, contrariando a visão pessimista.

No campo político, Cem Özdemir, do Partido Verde, rejeitou a hipótese de controle estrangeiro da Mercedes-Benz, afirmando que a marca continuará sendo um produto alemão com investimentos adequados em tecnologia.

Digitalização, empregos e o risco de reconfiguração industrial

Schularick manteve seu posicionamento ao afirmar que o principal desafio futuro está na transição digital, especialmente em áreas como condução autônoma e sistemas conectados baseados em inteligência artificial, setores nos quais outros países avançam mais rapidamente.

Segundo o economista, a indústria alemã discute soluções ligadas ao passado enquanto concorrentes constroem o futuro, o que pode resultar em perda de protagonismo. Esse atraso pode levar a uma profunda reconfiguração industrial antes do final da década.

O alerta ressalta a importância estratégica do setor automotivo para a economia alemã, responsável por parcela relevante do PIB e milhões de empregos diretos e indiretos, indicando que a falta de adaptação pode gerar impactos econômicos de grande escala.

Mesmo diante das divergências entre economistas, indústria e governo, o debate expõe a dimensão do desafio enfrentado pelas montadoras alemãs históricas, cuja sobrevivência no formato atual dependerá da capacidade de resposta à eletrificação, à digitalização e à nova concorrência global, num processo marcado por incertezas e decisões estratégicas.

Inscreva-se
Notificar de
guest
7 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alceu Francisco pazuch
Alceu Francisco pazuch
01/02/2026 17:55

Quem compra carro premium por experiência própria minha não compre bmw, fiquei 17 anos MB comprei 9 MB okm, a 7 messes fui para bmw pensa em
um arrependimento, a bmw não chega no chinelo da MB para mim e um verdadeiro LIXO,
Pior os preços em alguns casos e mais caro que a Mercedes Benz em em termos de comparações de modelos com mesmos pacote,

Alceu Francisco pazuch
Alceu Francisco pazuch
01/02/2026 17:37

A primeira que precisa desaparecer e fechar as portas é a BWW querem se comparar a MB, não chega nem no chinelo da Mercedes benz.
Falo isso de cadeira após 17 anos de mb 9 mb okm,
Fui para bmw um LIXO.

Iuri FR
Iuri FR
Em resposta a  Alceu Francisco pazuch
05/02/2026 13:20

Sua opinião. Tenho duas BMW, uma E39, e outra F30, e adoro ambas, pois valorizo design externo e dirigibilidade mais afiada. Não troco por nenhum MB.

Alex
Alex
31/01/2026 20:50

Elétricos não vendem 10% do mercado e caindo,China estagnou internamente e eles vão dominar sim,confia hahaha

Osny Oliveira
Osny Oliveira
Em resposta a  Alex
01/02/2026 11:54

A China já começou a regurgitar a indústria automobilística; quando se pensa em montar a indústria em outros países há é mau sinal, vão perder a competitividade

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
7
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x