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Durante um bilhão de anos, o dia na Terra durou apenas 19 horas

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 31/12/2025 às 21:36
Estudo mostra que a Terra teve dias de 19 horas por 1 bilhão de anos, ligando rotação, marés, oxigênio e evolução da vida.
Estudo mostra que a Terra teve dias de 19 horas por 1 bilhão de anos, ligando rotação, marés, oxigênio e evolução da vida.
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Pesquisa publicada na Nature Geoscience reconstrói dados geológicos do Pré-Cambriano e mostra que, entre 2 e 1 bilhão de anos atrás, a Terra manteve dias de cerca de 19 horas devido a um equilíbrio raro entre marés lunares, marés atmosféricas solares e mudanças nos níveis de oxigênio

Um estudo publicado na Nature Geoscience indica que a rotação da Terra estabilizou em 19 horas entre 2 e 1 bilhão de anos atrás. O fenômeno ocorreu no Proterozoico Médio e conecta movimentos oceânicos à evolução da vida.

A pesquisa descobriu que a duração do dia parou de aumentar durante o período. Essa pausa inesperada durou aproximadamente um bilhão de anos em tempos remotos do planeta.

O evento conecta o movimento dos oceanos e da atmsfera com o aumento do oxigênio. Geólogos costumam chamar esse período específico de história da Terra de bilhão entediante.

O equilíbrio de forças entre a Lua e o Sol

A rotação da Terra geralmente diminui gradualmente com o tempo devido à Lua. O satélite exerce atração sobre os ocenas e cria protuberâncias de maré que atrasam o planeta.

Esse deslocamento gera um torque que transfere energia rotacional da Terra para a Lua. O processo faz com que a Lua se afaste e nossos dias fiquem mais longos.

O estudo sugere que essa frenagem foi equilibrada pelo aquecimento solar durante o Pré-Cambriano. Marés atmosféricas impulsionaram na direção oposta e aceleraram ligeiramente a rotação da Terra.

Esses dois torques se igualaram e a duração do dia parou de mudar. O período de estabilidade resultou em dias com cerca de 19 horas de duração.

Metodologia baseada em registros rochosos antigos

Os autores compilaram estimativas confiáveis da duração do dia a partir de rochas. Dados antigos vieram de ritmitos de maré e estromatólitos que registram ciclos em sua estrutura.

Geólogos utilizam a ciclostratigrafia para buscar padrões rítmicos em sedimentos antigos. Esses padrões são impulsionados por mudanças na órbita e no eixo da Terra chamados ciclos de Milankovitch.

A precessão e a obliquidade dependem da velocidade de rotação do nosso planeta. Uma rotação mais rápida resulta em ciclos de precessão mais curtos nas camadas de rochas.

Pesquisadores calculam a duração do dia na época em que os sedimentos se formaram. A equipe reuniu 22 estimativas de diferentes épocas para compor a análise final.

Mais da metade dessas estimativas foram publicadas apenas nos últimos anos de pesquisa. O conjunto de dados permitiu uma nova análise estatística de ponto de mudança.

A ressonância atmosférica e o platô estatístico

A análise estatística mostrou um platô claro em vez de uma curva suave. A duração do dia permaneceu constante em cerca de 19 horas entre 2 e 1 bilhão de anos.

A Terra girava mais rápido no Pré-Cambriano e enfraquecia o torque das marés lunares. O atrito entre os oceanos e o fundo do mar era menor naquela época.

O aquecimento do vapor de água e ozônio impulsionava fortes marés térmicas semidiurnas. Essas marés comportavam-se como ondas de pressão globais que circundavam todo o planeta.

A maré solar entraria em ressonância se o período das ondas coincidisse com metade do dia. Isso seria semelhante a um balanço de parque que recebe o impulso certo.

Essa ressonância poderia tornar-se forte o suficiente sob a combinação ideal de temperatura. O torque de aceleração da maré solar igualaria então o efeito de frenagem da Lua.

Conexões com níveis de oxigênio e a vida

A compilação aponta para um período de ressonância resultando em um dia de 19 horas. Esse valor é ligeiramente mais curto do que as estimativas teóricas anteriores indicavam.

O platô coincide com um intervalo de clima estável e mudanças biológicas lentas. Situa-se entre duas grandes variações registradas nos níveis de oxigênio da atmosfera terrestre.

Níveis de oxigênio aumentaram após o Grande Evento de Oxidação e o ozônio acumulou-se. Um evento posterior chamado Oxit fez com que os níveis caíssem novamente.

Mudanças no oxigênio afetam como a atmosfera absorve a luz solar intensa. Isso influencia diretamente a intensidade e a velocidade das marés térmicas ao redor do globo.

A atmosfera em evolução pode ter impulsionado a Terra para dentro da ressonância. Posteriormente, o mesmo processo pode ter tirado o planeta dessa condição de equilíbrio.

Dias mais longos após a ressonância podem ter beneficiado micróbios fotossintéticos. A exposição contínua à luz ajudou a elevar o oxigênio para sustentar animais complexos.

O estudo recente demonstra que a duração de um dia não é fixa. Ela é moldada pela interação complexa dos oceanos, do ar e do sistema Terra-Lua.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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