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Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 6 comentários

O avião hipersônico europeu que parecia impossível: 300 passageiros, 400 toneladas, hidrogênio líquido e velocidade de 6.100 km/h para cruzar continentes quase sempre sobre o oceano

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 01/06/2026 às 14:16
Atualizado em 01/06/2026 às 14:21
Assista o vídeoLAPCAT A2 foi estudado na Europa como um “Concorde gigante” de 400 toneladas movido a hidrogênio líquido
LAPCAT A2
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Estudado na Europa, o LAPCAT A2 queria levar 300 passageiros a Mach 5 com hidrogênio líquido e viagens entre Europa e Austrália em poucas horas.

Durante décadas, a aviação comercial tentou superar o legado do Concorde sem repetir seus problemas. Entre os projetos mais ambiciosos já estudados está o LAPCAT A2, uma aeronave hipersônica desenvolvida dentro de um programa financiado pela União Europeia que pretendia transportar centenas de passageiros a velocidades próximas de Mach 5, o equivalente a cerca de 6.100 km/h.

O conceito chamou atenção porque combinava dimensões gigantescas, motores experimentais movidos a hidrogênio líquido e um alcance capaz de conectar continentes em poucas horas. Em algumas simulações do projeto, uma viagem entre Bruxelas e Sydney poderia ser realizada em aproximadamente quatro a cinco horas, algo que reduziria drasticamente os tempos atuais de voo.

LAPCAT A2 nasceu como um dos maiores estudos europeus para criar um sucessor hipersônico do Concorde

O projeto fazia parte do programa LAPCAT (Long-Term Advanced Propulsion Concepts and Technologies), financiado pela Comissão Europeia para estudar aeronaves capazes de voar entre Mach 4 e Mach 8. O objetivo era avaliar tecnologias que permitissem o transporte civil hipersônico em longa distância.

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Entre os vários conceitos analisados, o modelo A2, desenvolvido pela empresa britânica Reaction Engines, acabou se tornando uma das propostas mais conhecidas. O avião foi projetado para voar de forma sustentada a Mach 5, velocidade aproximadamente duas vezes superior à do Concorde, que operava em torno de Mach 2,04.

Os estudos também mostraram que o conceito poderia teoricamente atingir alcance antipodal, permitindo conectar regiões extremamente distantes do planeta sem escalas intermediárias.

Com quase 140 metros de comprimento, o LAPCAT A2 era muito maior que Concorde, Boeing 747 e até alguns aviões comerciais modernos

Os números do projeto impressionavam até mesmo para padrões da aviação de grande porte. Segundo os estudos do programa europeu, o LAPCAT A2 teria aproximadamente 139 metros de comprimento, tornando-se muito mais longo que o Concorde, que possuía cerca de 62 metros, e significativamente maior que um Airbus A380.

A aeronave foi projetada para transportar cerca de 300 passageiros em dois andares, utilizando uma fuselagem extremamente alongada para acomodar enormes tanques de hidrogênio líquido. Diferentemente dos aviões convencionais, o combustível não poderia ser armazenado nas asas porque o volume necessário era gigantesco.

O peso máximo de decolagem estudado alcançava aproximadamente 400 toneladas, colocando o conceito entre os maiores veículos hipersônicos civis já analisados em programas de pesquisa europeus.

Motor Scimitar queria transformar hidrogênio líquido em combustível para um voo comercial a Mach 5

O coração tecnológico do projeto era o motor Scimitar, uma evolução das pesquisas da Reaction Engines com sistemas pré-resfriados de alta velocidade. O conceito utilizava hidrogênio líquido tanto como combustível quanto como parte fundamental do sistema térmico da aeronave.

Em velocidades próximas de Mach 5, o ar que entra na tomada de admissão sofre aquecimento extremo devido à compressão aerodinâmica. Para evitar que esse calor destruísse o motor, o sistema utilizaria trocadores de calor avançados capazes de resfriar rapidamente o fluxo de ar antes da combustão.

LAPCAT A2 foi estudado na Europa como um “Concorde gigante” de 400 toneladas movido a hidrogênio líquido
LAPCAT A2

A tecnologia era derivada de conceitos utilizados no desenvolvimento do motor espacial SABRE, também criado pela Reaction Engines para projetos de acesso ao espaço e spaceplanes reutilizáveis.

O avião hipersônico foi desenhado para voar quase sempre sobre oceanos e reduzir o problema que ajudou a limitar o Concorde

Um dos maiores obstáculos enfrentados pelo Concorde era o estrondo sônico produzido durante o voo supersônico sobre áreas povoadas. Diversos países restringiram esse tipo de operação devido ao impacto acústico nas cidades.

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Os estudos do LAPCAT A2 tentaram contornar esse problema planejando trajetórias que permanecessem quase continuamente sobre o oceano. Segundo os relatórios do projeto, a otimização das rotas permitiria evitar grande parte dos impactos de estrondos sônicos sobre áreas habitadas.

Essa característica fazia sentido especialmente para missões intercontinentais extremamente longas, como Europa-Austrália ou conexões transoceânicas de alta velocidade.

Mais rápido que o SR-71, o LAPCAT A2 operaria em uma faixa de velocidade raramente explorada pela aviação tripulada

O lendário Lockheed SR-71 Blackbird, considerado uma das aeronaves tripuladas mais rápidas da história, operava acima de Mach 3. Já o LAPCAT A2 foi concebido para cruzeiro sustentado próximo de Mach 5, entrando em uma faixa normalmente associada a programas experimentais hipersônicos.

Nessa velocidade, desafios térmicos, estruturais e aerodinâmicos aumentam drasticamente. O aquecimento da fuselagem passa a influenciar praticamente todos os aspectos do projeto, desde materiais estruturais até sistemas de controle e conforto dos passageiros.

LAPCAT A2 foi estudado na Europa como um “Concorde gigante” de 400 toneladas movido a hidrogênio líquido
imagem ilustrativa do LAPCAT A2

Por causa dessas condições extremas, os pesquisadores tiveram de estudar soluções estruturais específicas para lidar com deformações causadas pelo calor e pelas cargas aerodinâmicas do voo hipersônico.

O “Concorde gigante” nunca saiu do papel, mas continua sendo um dos conceitos mais ousados da aviação europeia

Apesar dos resultados considerados promissores pelos pesquisadores envolvidos no programa, o LAPCAT A2 permaneceu como um estudo conceitual. Nenhum protótipo em escala real foi construído, e diversos desafios tecnológicos continuam sem solução comercial viável.

Mesmo assim, o projeto se tornou uma das referências mais conhecidas quando o assunto é transporte hipersônico civil. Seu tamanho colossal, os motores movidos a hidrogênio líquido e a promessa de cruzar metade do planeta em poucas horas transformaram o A2 em uma espécie de sucessor futurista do Concorde.

Mais de quinze anos depois dos estudos originais, o LAPCAT A2 continua parecendo algo saído de ficção científica: uma aeronave de quase 140 metros, carregando 300 passageiros a cinco vezes a velocidade do som enquanto cruza oceanos para evitar que cidades inteiras escutem sua passagem.

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Fernando
Fernando
03/06/2026 09:58

Acredito que o homem é capaz de criar aeronaves capazes comerciais capazes de voar a March 8, cruzar os continentes em apenas algumas horas em segurança. Só não entendo qual o objetivo disso, chegar o mais rápido possível para que ? Qual a finalidade ?
Quando estamos viajando a 80 km/h ou 100 km/h em uma rodovia, o legal da viagem é apreciar tudo pela janela, cada detalhe que nos chamam a atenção. Passeios de trem são a mesma coisa, apreciar os detalhes das paisagem exuberantes etc.

Paulo
Paulo
02/06/2026 10:02

Qual o sentido de tanta pressa?? Resolver problemas corporativos se faz pela Internet. Se for a passeio qual o sentido de chegar rápido?

Virgilio
Virgilio
02/06/2026 08:11

Matéria sem sentido. Ilógica… Tda feita no pretérito! Pretendia, queria, seria faria… 🫩 eca!!

Marcos
Marcos
Em resposta a  Virgilio
03/06/2026 09:44

Faça a mesma matéria, mas melhor então. Já que vc sabe escrever tão bem…

Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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