Incursão de drones da Rússia no espaço aéreo da Polônia gera alerta na Otan. Entenda o que pode acontecer se um país da aliança for atacado.
Incursões aéreas e alerta máximo na Polônia
A Polônia viveu momentos de tensão nesta quarta-feira (10/09/25), quando 19 drones da Rússia violaram seu espaço aéreo, segundo informou o primeiro-ministro Donald Tusk ao Parlamento.
O episódio ocorreu durante a madrugada e levou à mobilização imediata de caças poloneses e de aliados, após alerta emitido pela força aérea da Ucrânia.
O incidente reacendeu temores sobre o envolvimento direto da Otan na guerra entre Rússia e Ucrânia, já que a Polônia é membro da aliança militar.
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A proximidade da fronteira polonesa com a cidade ucraniana de Lviv — apenas 65 quilômetros — aumenta a sensibilidade da situação.
Tensão crescente desde 2022
Este não foi um caso isolado. Desde o início da guerra em fevereiro de 2022, a Polônia já registrou quatro episódios de projéteis ou drones vindos do conflito.
Desta vez, a situação ganhou contornos ainda mais delicados porque, além da Rússia, Belarus afirmou ter abatido parte das aeronaves não tripuladas.
Segundo autoridades de Minsk, os drones teriam se desviado de sua rota devido a interferências eletrônicas durante um ataque entre Rússia e Ucrânia.
O governo bielorrusso disse ainda ter comunicado tanto a Polônia quanto a Lituânia sobre a aproximação dos equipamentos.
Pedido de consultas à Otan
Diante da gravidade do episódio, Donald Tusk declarou que acionou a Otan com base no Artigo 4 do tratado da aliança, que prevê consultas entre os países membros quando qualquer um deles sentir que sua segurança está ameaçada.
“Houve 19 invasões no espaço aéreo polonês durante a noite”, afirmou Tusk no Parlamento.
O primeiro-ministro destacou que, caso a situação se agrave, também poderá ser considerado o Artigo 5, que define que um ataque a um país da Otan equivale a um ataque a todos os integrantes da organização.
O que diz o Artigo 5 da Otan
O Artigo 5 é a base da força coletiva da Otan. Criado em 1949, no contexto da Guerra Fria, estabelece que um ataque armado contra qualquer membro será tratado como agressão a toda a aliança.
Na prática, isso significa que recursos militares de países como os Estados Unidos, maior potência da aliança, poderiam ser mobilizados para defender a Polônia.
Para estados menores — como a Islândia, que sequer possui Exército permanente — essa proteção é essencial.
O tratado especifica:
“As partes concordam que um ataque armado contra um ou mais deles, ocorrendo na Europa ou na América do Norte, será considerado como um ataque dirigido contra todos eles e, portanto, concordam que, se tal ataque ocorrer, cada um deles […] auxiliará a parte ou as partes atacadas, adotando […] as medidas que julgar necessárias, incluindo o uso de força armada, para restaurar a segurança na área do Atlântico Norte”.
Quando o artigo já foi invocado
Apesar de sua relevância, o Artigo 5 só foi acionado uma vez na história: após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.
Desde então, a Otan reforçou sua atuação conjunta em missões no Afeganistão, Iraque e Síria.
Além disso, mesmo sem invocar formalmente o artigo, a aliança já realizou operações de defesa coletiva, como a instalação de mísseis Patriot na fronteira da Turquia com a Síria em 2012, e o envio de tropas para países do leste europeu depois da anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014.
