Veículo autônomo da canadense Cellula Robotics percorreu mais de 2.024 quilômetros totalmente submerso, completou 385 horas de operação e reforçou o uso de células de combustível de hidrogênio em missões submarinas longas, com menos recuperações, maior continuidade na coleta de dados e impacto direto em operações em alto-mar.
Um drone submarino desenvolvido pela canadense Cellula Robotics Ltd percorreu mais de 2.024 quilômetros totalmente submerso, movido por células de combustível de hidrogênio, e completou uma missão de 385 horas sem precisar emergir, em um marco para operações autônomas de longa duração debaixo d’água.
O veículo subaquático autônomo Envoy, antes conhecido como Solus-LR, foi construído pela empresa sediada em Burnaby, na província da Colúmbia Britânica. Durante a operação, o equipamento superou as especificações de desempenho publicadas para a plataforma e executou uma missão considerada mais próxima de cenários reais.

Drone submarino supera 2.024 km em missão totalmente submersa
A missão foi tratada como uma demonstração mais realista do alcance útil do Envoy, já que não se limitou a um deslocamento simples em linha reta. O percurso envolveu um perfil operacional subaquático representativo, com manobras e condições que ampliam o consumo de energia.
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Ao longo das 385 horas, o drone submarino realizou mais de 4.000 curvas e manobras. Cada movimento adicional exigiu mais energia do sistema, o que tornou o resultado mais relevante para usos em que veículos autônomos precisam mapear o fundo do mar, inspecionar infraestrutura e navegar em ambientes imprevisíveis.
Neil Manning, CEO da Cellula Robotics, destacou que a importância do resultado está no fato de a distância ter sido percorrida com o veículo totalmente submerso. Para ele, o perfil da missão reflete melhor as operações submarinas reais do que um teste feito apenas em linha reta.
Hidrogênio alimentou o Envoy durante operação de 385 horas
O Envoy AUV mede cerca de 8,5 metros de comprimento, tem 1 metro de diâmetro e deslocamento aproximado de 3.700 kg. A plataforma também conta com configurações menores, desenvolvidas para atender necessidades específicas de missão e ampliar sua adaptação a diferentes cenários operacionais.
Durante a missão, o veículo foi alimentado por células de combustível de hidrogênio fornecidas pela Infinity Fuel Cell and Hydrogen, Inc., empresa sediada em Connecticut. A companhia projeta sistemas avançados de células de combustível PEM e eletrolisadores para aplicações aeroespaciais, subaquáticas e de defesa.
Em vez de depender apenas de baterias, a célula de combustível gerou eletricidade a bordo durante a operação. O sistema produziu apenas água como subproduto, reforçando a aplicação do hidrogênio em missões subaquáticas nas quais a autonomia é um ponto central.
Manning afirmou que esse tipo de autonomia pode reduzir recuperações, permitir operações mais contínuas e ampliar a eficiência em alto-mar. A capacidade de permanecer submerso por períodos mais longos é considerada um fator importante para operadores que dependem de dados constantes e menor interrupção operacional.
Autonomia pode reduzir recuperações e ampliar uso em alto-mar
A Cellula Robotics considera a autonomia um elemento decisivo para custo e eficiência em operações submarinas. Missões totalmente submersas por mais tempo reduzem a necessidade de recuperar e relançar o veículo, diminuindo o tempo de inatividade e mantendo a coleta de dados mais contínua.
Esse aspecto tem peso especial em alto-mar, onde as operações podem enfrentar limitações por clima, acesso de embarcações e logística complexa. Quanto menor a necessidade de intervenção, maior a possibilidade de manter missões autônomas de longo alcance em andamento.
William Smith, presidente e CEO da Infinity Fuel Cell and Hydrogen, afirmou que o marco mostra o que as células de combustível de hidrogênio podem viabilizar em operações submarinas reais. Ele também destacou o papel da tecnologia no aumento da autonomia e na redução da necessidade de intervenções.
Âncora de sucção amplia permanência em ambientes hostis
O Envoy é equipado com uma âncora de sucção capaz de fixar o veículo ao fundo do mar durante missões prolongadas em ambientes subaquáticos hostis. Esse recurso permite monitoramento contínuo e coleta de dados em operações que exigem permanência no local.
A plataforma pode ser aplicada em atividades que vão da pesquisa científica à segurança nacional. A capacidade de se manter submersa, gerar energia a bordo e operar por longos períodos amplia o alcance de missões em áreas remotas ou de difícil acesso.
A Cellula Robotics avaliou que o resultado demonstra o desempenho persistente e de longo alcance de um AUV em contexto operacional subaquático real. Para a empresa, o drone submarino reforça as células de combustível de hidrogênio como tecnologia viável e prática para operações submarinas autônomas prolongadas.

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