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Peixe exótico invade o litoral brasileiro, se adapta aos recifes e preocupa cientistas por possíveis impactos ambientais; conheça o Donzela-Real (Neopomacentrus cyanomos)

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Escrito por Ruth Rodrigues Publicado em 18/02/2026 às 08:50
Peixe Donzela-real, espécie exótica do Indo-Pacífico, foi registrada no litoral de São Paulo e preocupa especialistas por possíveis impactos nos recifes brasileiros.
Peixe Donzela-real, espécie exótica do Indo-Pacífico, foi registrada no litoral de São Paulo e preocupa especialistas por possíveis impactos nos recifes brasileiros. Foto: missjosiela / iNaturalist
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Peixe Donzela-real, espécie exótica do Indo-Pacífico, foi registrada no litoral de São Paulo e preocupa especialistas por possíveis impactos nos recifes brasileiros.

O surgimento de pequenos cardumes de Donzela-real (Neopomacentrus cyanomos) em áreas protegidas do litoral paulista colocou a espécie no centro das atenções da ciência marinha.

O peixe, originário do Indo-Pacífico, foi documentado oficialmente no Brasil apenas em 2023, mas já demonstra capacidade de adaptação e reprodução no Atlântico Sul.

Pesquisadores monitoram a espécie por temerem impactos sobre peixes nativos, especialmente em ambientes sensíveis como recifes de coral e ilhas costeiras.

Peixe Donzela-Real: Uma descoberta recente que exige vigilância

Embora seja considerada uma espécie recém-chegada ao Brasil, a Donzela-real não passou despercebida por muito tempo.

O alerta mais recente ocorreu no fim de janeiro de 2026, quando o biólogo e mergulhador Eric Comin identificou um cardume da espécie durante um mergulho no litoral de São Paulo.

“Eu fiz um mergulho, pelo fato de ser especialista, eu bati o olho e sabia que era uma espécie invasora e fiz o registro. Eles estão sim se reproduzindo com sucesso, porém é preciso que haja um monitoramento contínuo para ver se a espécie na nossa região está se estabelecendo com sucesso”, explica Comin.

A constatação de reprodução ativa reforçou a necessidade de acompanhar a expansão do peixe invasor com mais atenção.

Onde a Donzela-real já foi registrada?

Antes desse registro recente, a Donzela-real já havia sido documentada em pontos estratégicos do litoral paulista.

Os primeiros registros confirmados no país ocorreram em ilhas costeiras como a Ilha da Queimada Grande, o Parque Estadual Marinho da Laje de Santos e a Estação Ecológica Tupinambás, no Arquipélago de Alcatrazes.

Essas áreas são consideradas importantes refúgios da biodiversidade marinha brasileira, o que amplia a preocupação dos especialistas quanto aos efeitos da presença de uma espécie exótica nesses ambientes.

Uma espécie antiga fora de seu lugar

Apesar de ser novidade no Brasil, a Donzela-real é conhecida pela ciência há quase dois séculos.

O peixe, cujo nome científico é Neopomacentrus cyanomos, foi descrito em 1856 pelo especialista holandês Pieter Bleeker.

Em sua área de distribuição original, a espécie ocorre em uma vasta região que inclui o Oceano Índico e o Oceano Pacífico.

Ela é encontrada desde a África Oriental, Mar Vermelho e Golfo Pérsico até países como Filipinas, Indonésia, Malásia, sul do Japão, norte da Austrália e Nova Caledônia.

Características do peixe Donzela-real

A Donzela-real é um peixe de pequeno porte, com cerca de 10 centímetros de comprimento.

Sua alimentação é baseada principalmente em zooplâncton, formado por pequenos animais que dependem das correntes marinhas para se deslocar.

O corpo é alongado, com coloração que varia do azul-escuro ao preto, além de uma mancha branca próxima à barbatana dorsal.

Os indivíduos jovens apresentam barbatanas amareladas, que escurecem ao longo do desenvolvimento.

No litoral brasileiro, os pesquisadores observaram cardumes com cinco a 30 indivíduos, geralmente em áreas mais protegidas e abrigadas.

A rota provável da invasão

A principal hipótese para a chegada da Donzela-real ao Brasil está ligada à navegação internacional.

Pesquisadores acreditam que a espécie tenha sido transportada em navios vindos do Caribe, onde já estava estabelecida como invasora desde 2014.

O mecanismo mais provável é a água de lastro — água captada do mar e armazenada em tanques internos das embarcações para garantir estabilidade e segurança operacional.

Quando essa água é descartada nos portos de destino, espécies exóticas podem ser liberadas no ambiente local, provocando desequilíbrios biológicos.

Por que a Donzela-real representa um risco?

Mesmo sendo pequena, a Donzela-real apresenta um comportamento que preocupa os especialistas.

Durante o período de reprodução, a espécie se torna extremamente territorial, disputando espaço com peixes nativos.

“Na desova eles estabelecem um comportamento completamente territorial e vão defender o local de desova de uma forma feroz contra quaisquer outras espécies. Consequentemente eles brigam pelo habitat com as espécies nativas. Então eles têm competição por espaço, por alimento. É uma espécie muito territorial e agressiva”, comenta o biólogo Eric Comin.

Outro fator de alerta é a preferência da espécie por estruturas artificiais, como plataformas de petróleo.

Em regiões como o Golfo do México, a Donzela-real forma cardumes de alta densidade, ampliando seu potencial de impacto ambiental.

Monitoramento científico e próximos passos

Por enquanto, os censos realizados no Brasil indicam a presença de cardumes pequenos.

Ainda assim, os impactos exatos da invasão estão sendo avaliados, principalmente em relação à competição por alimento e espaço nos recifes.

Para orientar o monitoramento, os pesquisadores utilizam modelos que consideram as correntes oceânicas e a tolerância térmica da espécie.

A vigilância inclui áreas naturais, estruturas artificiais e também a ciência-cidadã, com relatos de mergulhadores ajudando a mapear a expansão da Donzela-real.

“Na verdade é importante ter um levantamento da ictiofauna, conjunto de espécies de peixes de determinada região, realizar esses programas de monitoramento de biodiversidade, principalmente unidades de conservação para avaliar o impacto dessas invasões sobre as espécies nativas para ter uma medida de controle de isso tudo”, argumenta Comin.

Encontrada entre cinco e 30 metros de profundidade, a Donzela-real pode alterar a dinâmica populacional local caso se estabeleça em grande densidade.

Mesmo que estudos iniciais em outras regiões indiquem impacto limitado no curto prazo, o alto potencial de invasão mantém a espécie sob observação constante no litoral brasileiro.

Fonte: g1

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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