1. Início
  2. / Economia
  3. / Dona das marcas Refriko e do energético Furioso, a paranaense RFK vai investir R$ 300 milhões numa fábrica automatizada em São José dos Pinhais, capaz de produzir 1,2 bilhão de litros de bebidas por ano e mirar faturamento de R$ 2 bilhões até 2030
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

Dona das marcas Refriko e do energético Furioso, a paranaense RFK vai investir R$ 300 milhões numa fábrica automatizada em São José dos Pinhais, capaz de produzir 1,2 bilhão de litros de bebidas por ano e mirar faturamento de R$ 2 bilhões até 2030

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 28/05/2026 às 10:18
Atualizado em 28/05/2026 às 10:23
A paranaense RFK, dona da Refriko e do energético Furioso, investe R$ 300 milhões em fábrica automatizada em São José dos Pinhais, com 1,2 bilhão de litros por ano.
A paranaense RFK, dona da Refriko e do energético Furioso, investe R$ 300 milhões em fábrica automatizada em São José dos Pinhais, com 1,2 bilhão de litros por ano.
  • Reação
1 pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo

A planta nasce em sociedade com a gigante alemã Krones, será praticamente toda automatizada e usará inteligência artificial na produção. Erguida ao lado das fábricas da Audi e da Electrolux, ela promete capturar o CO2 gerado na fermentação das bebidas e reaproveitar energia, num projeto que dobra a capacidade de latas do grupo.

Dona de marcas como o refrigerante Refriko e o energético Furioso, a paranaense RFK vai investir R$ 300 milhões em uma nova fábrica automatizada em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A planta foi projetada para produzir até 1,2 bilhão de litros de bebidas por ano e faz parte da estratégia da companhia de chegar a um faturamento de R$ 2 bilhões até 2030.

O investimento foi anunciado oficialmente em setembro de 2024, em solenidade com a presença do governador do Paraná, Ratinho Junior, e vem sendo detalhado pela empresa conforme a obra avança. A nova unidade ocupa um terreno de 300 mil metros quadrados, próximo às fábricas da Audi e da Electrolux, e foi concebida em parceria com a multinacional alemã Krones, uma das maiores referências mundiais em tecnologia de envase e linhas de produção de bebidas.

Uma fábrica quase totalmente automatizada

O grande diferencial anunciado pela RFK é o nível de automação da nova planta. Segundo a empresa, a unidade será praticamente toda automatizada, com uso de inteligência artificial aplicada à gestão da produção e tecnologias voltadas à eficiência operacional e energética. A meta divulgada é atingir índices de produtividade de até 90% na nova operação.

De acordo com a companhia, a estrutura foi projetada para operar com até o dobro da capacidade atual nas linhas de latas e com crescimento médio de até 70% nas linhas de embalagens PET. Esses números, divulgados pela própria RFK, ainda precisarão ser confirmados na prática quando a fábrica entrar em plena operação, mas dão a dimensão da ambição do projeto, que mira ganhos expressivos de escala e logística.

O portfólio multibebidas da RFK

Fundado em 2010 em Cambé, no norte do Paraná, o Grupo RFK construiu um portfólio variado de bebidas. Além do refrigerante Refriko e do energético Furioso, a empresa é dona das cervejas Bamboa e Moema, do chope de vinho Bella Roma e da água mineral Hidratar, em uma estratégia que a companhia chama de plataforma multibebidas.

Segundo Márcio José Mendes, CEO e sócio-fundador do grupo, esse modelo permite atender o varejo com um portfólio completo, gerando mais resultado por metro linear de prateleira e fortalecendo a parceria com os clientes. A nova fábrica deve começar a operar produzindo as cervejas Bamboa e Moema, com a inclusão de um terceiro rótulo, e depois ampliar para outras bebidas do catálogo, acompanhando o avanço das categorias de energéticos e bebidas sem açúcar, consideradas prioritárias pela empresa.

Sustentabilidade e captura de CO2

Um aspecto que chama a atenção, sobretudo para quem acompanha energia e meio ambiente, é a parte ambiental do projeto. A nova fábrica foi planejada para incluir sistemas de cogeração, reaproveitamento de energia térmica e uma tecnologia de captura do CO2 gerado naturalmente durante o processo de produção e fermentação das bebidas, reduzindo a pegada de carbono da operação.

A captura e o reaproveitamento de CO2 são temas cada vez mais relevantes no debate de transição energética e descarbonização industrial. Em cervejarias e fábricas de refrigerantes, o gás carbônico é subproduto natural da fermentação e da carbonatação, e reaproveitá-lo, em vez de simplesmente liberá-lo na atmosfera, é uma tendência que une ganho ambiental e redução de custos com insumos, algo que dialoga diretamente com as discussões do setor de petróleo, gás e energia.

Os números do crescimento

O investimento se apoia em uma curva de crescimento que a empresa vem divulgando. Segundo a RFK, o faturamento foi de aproximadamente R$ 558 milhões em 2025, com projeção de chegar a cerca de R$ 700 milhões em 2026, em um movimento que a companhia atribui ao fortalecimento do modelo multibebidas e à ampliação do portfólio em categorias como refrigerantes, energéticos, cervejas, águas e bebidas quentes.

A meta de R$ 2 bilhões de faturamento até 2030 representa, portanto, um salto bastante ambicioso em relação aos números atuais, e dependerá não só da nova fábrica, mas também das condições de mercado, da concorrência com gigantes do setor e da capacidade de execução do plano ao longo dos próximos anos. Como em todo projeto de longo prazo, vale acompanhar se as projeções se confirmam na prática.

Impacto no Paraná e mercado em Santa Catarina

A nova fábrica tem peso regional relevante. Instalada em São José dos Pinhais, um dos principais polos industriais do Paraná, ela amplia a presença da RFK em uma cidade já conhecida por abrigar montadoras e grandes indústrias. A planta foi pensada para abastecer mercados estratégicos como Paraná, São Paulo e Santa Catarina, além da Região Metropolitana de Curitiba.

Para o mercado catarinense, em especial, isso significa mais um player de bebidas com produção próxima e logística facilitada, em um estado que já tem forte tradição industrial e de consumo. O Grupo RFK, que conta com cerca de 800 colaboradores e mais de 20 mil clientes, possui operações no Paraná, em São Paulo, no Mato Grosso do Sul e no Pará, além de presença em países da América Latina, e vê na nova unidade um trampolim para crescer ainda mais no Sul e Sudeste.

Conclusão

A nova fábrica da RFK em São José dos Pinhais é um retrato do momento de expansão da indústria de bebidas no Sul do Brasil, combinando automação, inteligência artificial, sustentabilidade e ambição de escala. Se os planos se concretizarem, a paranaense pode se firmar como um dos grandes nomes nacionais do setor, disputando espaço com marcas consagradas. Resta acompanhar como o projeto evolui, se as metas de produção e faturamento se confirmam e qual será o real impacto da unidade na economia regional e no mercado de bebidas do país.

E você, conhece as marcas do Grupo RFK, como o Refriko e o energético Furioso? Acredita que a empresa vai mesmo alcançar a meta de R$ 2 bilhões até 2030? Deixe seu comentário, conte o que acha da expansão da indústria de bebidas no Sul do país e compartilhe a matéria com quem se interessa por economia, indústria e negócios.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x