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Milhares de pequenos peixes foram flagrados escalando uma cachoeira de 15 metros na vertical no Congo usando ganchos microscópicos nas nadadeiras em uma jornada de quase 10 horas que desafia a gravidade

Publicado em 17/04/2026 às 16:51
Atualizado em 17/04/2026 às 16:53
Peixes foram flagrados escalando cachoeira de 15 metros no Congo usando ganchos nas nadadeiras. A jornada de 10 horas desafia a gravidade.
Peixes foram flagrados escalando cachoeira de 15 metros no Congo usando ganchos nas nadadeiras. A jornada de 10 horas desafia a gravidade.
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Pesquisadores documentaram pela primeira vez na África uma espécie de peixes escalando uma cachoeira vertical de 15 metros nas Cataratas de Luvilombo, na República Democrática do Congo. Os peixes-concha (Parakneria thysi) levam quase 10 horas para completar a subida usando ganchos microscópicos nas nadadeiras chamados unculos. O estudo foi publicado na revista Scientific Reports.

Milhares de pequenos peixes foram flagrados fazendo algo que parece impossível: escalando uma cachoeira de 15 metros de altura na vertical, sem saltar, sem nadar contra a corrente, mas literalmente subindo pela parede rochosa como se fossem alpinistas em miniatura. Os pesquisadores documentaram o comportamento da espécie Parakneria thysi, um peixe-concha que vive nas Cataratas de Luvilombo, na bacia superior do Congo. Os peixes se agarram às superfícies rochosas úmidas usando nadadeiras peitorais apoiadas por nadadeiras pélvicas e auxiliadas por minúsculas projeções em forma de gancho chamadas unculos, que funcionam como equipamento de escalada biológico. A subida leva quase 10 horas, com os peixes se movendo em curtos períodos e descansando frequentemente ao longo da parede vertical.

A descoberta é a primeira do tipo registrada na África e foi publicada na revista Scientific Reports. Os pesquisadores observaram os peixes subindo a cachoeira durante as cheias sazonais no final da estação chuvosa, tipicamente em abril e maio, e documentaram o comportamento em quatro ocasiões entre 2018 e 2020. Apenas indivíduos de pequeno a médio porte, com cerca de 3,7 a 4,8 centímetros de comprimento, foram vistos escalando. Os peixes maiores, que podem atingir 9,8 centímetros, aparentemente são pesados demais para que suas nadadeiras suportem a jornada vertical.

Como os peixes conseguem escalar uma cachoeira de 15 metros

imagem: Reuters

Segundo informações divulgadas pelo portal da CNN Brasil, o mecanismo que permite aos peixes subir uma parede rochosa vertical é uma combinação de anatomia especializada e técnica de escalada. Os peixes se fixam na rocha úmida usando as nadadeiras peitorais como pontos de apoio, enquanto as nadadeiras pélvicas fornecem sustentação adicional. Os unculos, minúsculas projeções em forma de gancho presentes nas nadadeiras, funcionam como grampos microscópicos que impedem os peixes de escorregarem na superfície molhada.

A técnica de subida é tão engenhosa quanto a anatomia que a permite. Os peixes se impulsionam para cima balançando o corpo de um lado para o outro, um movimento que lembra vagamente um alpinista alternando os pontos de apoio durante uma escalada. Eles não sobem pela água corrente, mas pela chamada zona de respingos, áreas da rocha mantidas úmidas por borrifos da cachoeira sem fluxo direto de água. Em escala humana, o feito seria comparável a uma pessoa escalando centenas de metros na vertical usando apenas as mãos e pés.

Os riscos que os peixes enfrentam durante a escalada

A subida de quase 10 horas é tão perigosa quanto impressionante. Jatos repentinos de água podem atingir os peixes durante a escalada e derrubá-los da parede rochosa, especialmente nos trechos em que precisam virar de cabeça para baixo para atravessar seções em balanço. Os peixes que caem na base da cachoeira, onde há volume de água suficiente para amortecê-los, têm maior probabilidade de sobreviver e tentar novamente.

No entanto, a queda nem sempre termina bem. Os peixes que caem diretamente sobre as rochas podem não sobreviver ao impacto, o que torna cada tentativa de escalada uma aposta entre alcançar o topo e perder a vida. Apenas os indivíduos de pequeno a médio porte conseguem realizar a subida, o que sugere que existe um limite de peso e tamanho acima do qual as nadadeiras e os unculos não conseguem sustentar o corpo do animal na superfície vertical. A seleção natural favorece os menores nessa jornada específica.

Por que os peixes arriscam a vida para escalar uma cachoeira

A pergunta mais óbvia é: por que os peixes fazem isso? Os pesquisadores acreditam que a motivação é ecológica: ao subir a cachoeira, os peixes alcançam trechos do rio com menos competição por alimento, menos predadores e condições de vida mais adequadas para sua sobrevivência e reprodução. A cachoeira funciona como uma barreira natural que separa dois ambientes distintos, e os peixes que conseguem superá-la acessam um território menos disputado.

Esse comportamento é um exemplo de como a pressão evolutiva pode gerar soluções surpreendentes. Os peixes que desenvolveram unculos mais eficientes e nadadeiras mais fortes ao longo de milhões de anos tiveram vantagem sobre os que ficaram na base da cachoeira, onde a competição é maior e os predadores são mais numerosos. A escalada não é um acidente comportamental, é uma estratégia de sobrevivência que a evolução refinou ao longo de gerações incontáveis.

O que a descoberta revela sobre os rios do Congo que quase ninguém estuda

A bacia do Congo é o segundo maior sistema fluvial do mundo e abriga a segunda maior floresta tropical do planeta, mas a pesquisa sobre o comportamento dos peixes na região é praticamente inexistente. “Esta descoberta destaca a importância de manter a continuidade dos cursos de água, particularmente no contexto da Bacia do Congo, onde os estudos sobre o comportamento dos peixes são praticamente inexistentes”, explicou Pacifique Kiwele, pesquisador da Universidade de Lubumbashi e principal autor do estudo.

A falta de pesquisa significa que comportamentos como o dos peixes escaladores podem estar ocorrendo em dezenas de outros locais sem jamais terem sido documentados. “É bem possível que outras espécies de peixes que vivem em habitats de correntezas rápidas sejam capazes de superar obstáculos verticais semelhantes”, afirmou Kiwele, adicionando que a equipe planeja realizar mais trabalhos de campo para investigar essa possibilidade. Enquanto isso, os peixes que ninguém conhecia continuam escalando uma cachoeira que ninguém estudava, em um rio que quase ninguém pesquisa.

As ameaças humanas que podem acabar com os peixes escaladores

Apesar de terem sobrevivido por milhões de anos escalando cachoeiras, os peixes-concha do Congo enfrentam duas ameaças que a evolução não os preparou para enfrentar. A pesca ilegal com redes mosquiteiras de malha fina captura facilmente os peixes de pequeno porte, exatamente os únicos capazes de realizar a escalada. A segunda ameaça é a extração de água para irrigação, que em alguns anos esgotou o rio Luvilombo, eliminando o fluxo de água que mantém a zona de respingos onde os peixes sobem.

Sem a zona úmida na parede rochosa, a escalada se torna impossível. Se o rio secar ou for desviado para irrigação, os peixes perdem não apenas o ambiente aquático, mas a rota de migração vertical que lhes dá acesso ao habitat superior da cachoeira. Para uma espécie cuja sobrevivência depende de escalar 15 metros de rocha vertical com ganchos microscópicos, a perda do único caminho viável pode significar a extinção local antes mesmo que os cientistas terminem de estudá-la.

Milhares de peixes foram flagrados escalando uma cachoeira de 15 metros no Congo usando ganchos microscópicos nas nadadeiras. Você acreditaria sem ver? Que outras espécies desconhecidas podem existir em rios que ninguém pesquisa? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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