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Pegadas de dinossauros com mais de 120 milhões de anos são encontradas por pesquisador durante caminhada no Sertão da Paraíba

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 02/09/2026 às 17:32 Atualizado em 02/09/2026 às 17:37
Pesquisador encontra dois sítios com pegadas de dinossauros com mais de 120 milhões de anos em Uiraúna, no Sertão paraibano.
Pesquisador encontra dois sítios com pegadas de dinossauros com mais de 120 milhões de anos em Uiraúna, no Sertão paraibano.
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Após mais de três meses de pesquisa, Pablu Andrade identificou dois novos sítios paleontológicos em Uiraúna, com vestígios fossilizados que agora serão catalogados e protegidos para evitar invasões e possíveis depredações.

Uma pesquisa desenvolvida durante mais de três meses levou à identificação de dois novos sítios paleontológicos em Uiraúna, no Sertão da Paraíba. A descoberta aconteceu no começo do mês de agosto de 2026.

Os locais reúnem pegadas de dinossauros e outros vestígios fossilizados com mais de 120 milhões de anos, segundo o historiador uiraunense Pablu Andrade, responsável pela descoberta. A confirmação veio com o apio

Os achados ampliam o conhecimento sobre a presença desses animais no município, onde o único registro conhecido até então havia sido identificado na década de 1980. Além da importância científica, a descoberta poderá contribuir futuramente para o desenvolvimento do turismo paleontológico na região.

Graduado em História, mestrando pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e integrante da primeira turma da especialização em Paleontologia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Pablu começou a procurar os vestígios durante seus estudos na área.

O trabalho inicial consistiu na identificação de lajedos formados por rochas sedimentares, consideradas propícias à preservação de pegadas e outros registros antigos. Vários pontos do município foram analisados, mas dois apresentaram maior potencial paleontológico.

Consegui identificar vários pontos com lajedos de rochas sedimentares no município, que são as rochas específicas onde podemos encontrar esse tipo de vestígio. Dos locais identificados, dois se mostraram com muito potencial, com pegadas de várias espécies diferentes, entre outros vestígios”, explicou o pesquisador.

Pegada de dinossauro teropode, em alto relevo.
Pegada de dinossauro teropode, em alto relevo.

Pegadas possuem formato semelhante ao de aves

Entre os materiais encontrados estão pegadas atribuídas a dinossauros terópodes. Algumas das pegadas são de dinossauros do tipo teropode, que eram carnívoros, bípedes, com patas com 3 dedos, semelhantes a patas de aves

Os dois locais também apresentam outros vestígios fossilizados, mas os detalhes sobre todos os registros ainda dependem do processo de análise e catalogação científica. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre a quantidade total de pegadas nem sobre quais espécies teriam passado pela área.

Após localizar os pontos, Pablu recebeu uma equipe para analisar os achados. Participaram da visita Francisco Fredson, bombeiro militar e estudante da especialização em Paleontologia; Paulo Abrantes, professor de Direito da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e também aluno da especialização; e o paleontólogo Fábio Cortes, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e apontado como o integrante mais experiente do grupo.

Segundo o historiador, a divulgação ocorreu somente depois dessa etapa de avaliação. O objetivo foi evitar a apresentação precipitada de informações antes que os vestígios fossem examinados e as evidências encontradas nos lajedos fossem verificadas.

“A divulgação não foi feita antes para que pudéssemos analisar e fazer todas as comprovações, expondo apenas os fatos concretos”, afirmou Pablu.

Pegada de dinossauro teropode, em alto relevo.
Pegada de dinossauro teropode, em alto relevo.

Descoberta amplia registros conhecidos em Uiraúna

Embora Sousa seja amplamente associada às pegadas de dinossauros encontradas no Sertão paraibano, os registros paleontológicos não estão restritos ao município. Conforme explicou Pablu, os vestígios se estendem por diferentes cidades localizadas no Vale do Rio do Peixe.

Em Uiraúna, o registro conhecido anteriormente havia sido encontrado no Sítio Pocinhos, durante a década de 1980, pelos paleontólogos Giuseppe Leonardi e Ismar de Souza Carvalho. A identificação dos dois novos pontos ocorre, portanto, décadas depois daquele primeiro achado no município.

Para Pablu, as novas evidências reforçam a necessidade de ampliar as pesquisas sobre a passagem de dinossauros pela região. O próximo passo será trabalhar na catalogação oficial dos sítios, para que os vestígios possam ser incorporados ao conhecimento científico e estudados de maneira mais detalhada.

A localização exata dos novos sítios não será revelada neste momento. De acordo com o pesquisador, a decisão considera a proteção das áreas, o direito dos proprietários e a necessidade de conclusão dos procedimentos científicos.

Os dois pontos ficam em propriedades particulares, o que exige autorização dos donos das terras para o acesso. A divulgação antecipada também poderia estimular invasões e colocar as pegadas e os demais vestígios em risco de depredação.

Além disso, a equipe ainda prepara a catalogação científica dos locais. O trabalho deverá ser acompanhado por medidas de conservação e por ações de conscientização da população sobre a importância de proteger esse patrimônio natural.

equipe no local das pegadas
equipe no local das pegadas

Turismo paleontológico aparece como possibilidade

A descoberta também abre uma nova possibilidade para o turismo em Uiraúna. A presença de sítios com pegadas e outros vestígios fossilizados pode ajudar o município a integrar, no futuro, um circuito regional relacionado à paleontologia e à história dos dinossauros no Sertão paraibano.

Essa possibilidade, entretanto, depende primeiro da catalogação, da conservação dos locais e do desenvolvimento de condições adequadas para proteger os achados. Como as áreas estão em propriedades privadas e ainda passam por preparação científica, não há previsão informada para abertura à visitação.

O cuidado com a localização busca justamente impedir que a curiosidade provocada pela descoberta resulte em danos. Pegadas preservadas em rochas por mais de 120 milhões de anos podem ser comprometidas por intervenções inadequadas, circulação sem controle ou depredação.

Neste primeiro momento, o foco permanece na documentação dos vestígios e na proteção dos dois pontos identificados. Com a catalogação oficial, os novos sítios poderão ampliar os estudos sobre a ocorrência de dinossauros no Vale do Rio do Peixe e acrescentar Uiraúna ao conjunto de municípios paraibanos com registros paleontológicos relevantes.

O e-mail do pesquisador Pablu Andrade é plabo.una@hotmail.com.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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