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Grupo compra quase todas as 25,8 milhões de combinações da loteria do Texas, gasta US$ 26 milhões, recebe US$ 57,8 milhões e caso ajuda a extinguir comissão antes de chegar à Justiça

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 31/08/2026 às 22:45 Atualizado em 31/08/2026 às 22:46
A operação da Rook TX concentrou mais de 25 milhões de bilhetes em apenas quatro pontos de venda
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A operação da Rook TX concentrou mais de 25 milhões de bilhetes em apenas quatro pontos de venda, garantiu o número vencedor de um prêmio anunciado de US$ 95 milhões, expôs a atuação de intermediários digitais e acelerou mudanças que encerraram a Texas Lottery Commission.

Quatro pontos de venda imprimiram mais de 25 milhões de bilhetes da loteria do Texas enquanto o sorteio de 22 de abril de 2023 se aproximava. O grupo Rook TX não dependia de um número secreto, mas de uma operação capaz de cobrir quase todas as combinações possíveis.

A informação foi publicada por KERA News, veículo jornalístico do norte do Texas. O grupo gastou cerca de US$ 26 milhões para comprar quase todas as 25.827.165 combinações disponíveis na Lotto Texas.

Um dos bilhetes acertou os seis números. O prêmio acumulado anunciado era de US$ 95 milhões, mas a opção de recebimento imediato entregou aproximadamente US$ 57,8 milhões antes dos impostos.

A operação que imprimiu mais de 25 milhões de bilhetes

A compra foi planejada em escala internacional e recebeu financiamento de uma companhia de apostas de Londres. A execução, porém, dependia de bilhetes físicos emitidos e registrados dentro do Texas.

O tamanho do trabalho aparece no total de 25.827.165 combinações. Para comparar, seria possível entregar um bilhete a cada morador da Grande São Paulo e ainda sobrariam cerca de 4,2 milhões de unidades.

Mais de 25 milhões de bilhetes passaram por apenas quatro varejistas durante vários dias. A concentração mostrou que a aposta funcionou como uma linha de produção, com geração de combinações, impressão, organização e guarda dos comprovantes.

A matemática por trás da compra de todas as combinações

Em uma loteria com quantidade limitada de resultados, comprar cada combinação possível praticamente garante a posse de um bilhete vencedor. O risco não está em descobrir os números antes do sorteio, mas em conseguir imprimir todas as opções sem cometer erros.

A PTAX de 31 de agosto de 2026, taxa usada como referência para converter moedas, registrou R$ 5,1813 por dólar. Nessa cotação, o gasto de US$ 26 milhões equivale a cerca de R$ 134,7 milhões.

O prêmio anunciado de US$ 95 milhões representa aproximadamente R$ 492,2 milhões. Esse valor maior corresponde à modalidade paga ao longo do tempo. Quem escolhe receber tudo de uma vez aceita um valor menor, calculado para pagamento imediato.

A matemática por trás da compra de todas as combinações
A matemática por trás da compra de todas as combinações

Os US$ 57,8 milhões recebidos à vista equivalem a cerca de R$ 299,5 milhões. Ao retirar os US$ 26 milhões usados na compra, sobra uma diferença bruta de US$ 31,8 milhões, ou quase R$ 164,8 milhões, antes de impostos e outros custos.

Essa diferença representa cerca de 122% sobre o capital gasto. A conta, porém, poderia mudar se outro apostador também acertasse os seis números, pois o prêmio teria de ser dividido.

Como quatro varejistas processaram a aposta gigantesca

A quantidade exata de terminais usados não foi divulgada. Também não existe um total preciso de horas de impressão, além da informação de que o processamento ocorreu durante vários dias.

Ainda assim, emitir mais de 25 milhões de bilhetes em quatro locais exigia diversos equipamentos trabalhando ao mesmo tempo. Funcionários da loteria forneceram terminais adicionais e mais papel aos varejistas envolvidos na compra.

Os equipamentos extras reduziram o tempo necessário para registrar as apostas. Sem essa estrutura paralela, um ponto de venda comum dificilmente conseguiria processar tamanho volume antes do sorteio.

A logística também precisava evitar combinações repetidas e lacunas entre os números. Um erro de organização poderia deixar justamente a combinação vencedora fora da operação, mesmo depois de milhões de dólares gastos.

Intermediários digitais, códigos QR e terminais levantaram dúvidas

Os serviços de intermediação permitiam encomendar bilhetes por sites ou aplicativos. Essas empresas compravam os comprovantes físicos em varejistas licenciados e enviavam cópias digitais aos clientes.

Esses intermediários atuavam no Texas desde aproximadamente 2015. No ano fiscal de 2023, movimentaram cerca de US$ 173 milhões em vendas de bilhetes, valor próximo de R$ 896,4 milhões pela mesma cotação usada neste conteúdo.

A lei estadual proibia jogar na loteria por telefone. As empresas sustentavam que apenas compravam bilhetes físicos em nome dos clientes, mas parlamentares afirmavam que o sistema permitia vendas digitais sem autorização legislativa.

A KERA News, veículo jornalístico do norte do Texas, detalhou que investigadores identificaram códigos QR não autorizados em parte do processamento. Esses códigos quadrados eram lidos pelos terminais e ajudavam a registrar rapidamente as combinações.

Da vitória de US$ 95 milhões à extinção da comissão

A Texas Lottery Commission defendeu inicialmente a validade do sorteio. Uma investigação interna não encontrou violação das leis estaduais nem das regras da loteria, e a estratégia de comprar quase todas as combinações não era necessariamente ilegal naquela época.

A pressão política aumentou quando surgiram dúvidas sobre os terminais adicionais, os códigos não autorizados e a atuação dos intermediários. Dirigentes deixaram seus cargos enquanto parlamentares examinavam a fiscalização exercida pela comissão.

Em junho de 2025, o governador Greg Abbott sancionou a Lei do Senado 3070. A norma extinguiu a Texas Lottery Commission e transferiu a fiscalização da loteria para o Texas Department of Licensing and Regulation, departamento estadual de licenciamento e regulação.

A nova lei proibiu expressamente a compra e a venda de bilhetes por intermediários. Também transformou a venda de mais de 100 bilhetes para uma única pessoa em uma transação em crime de menor gravidade da classe B.

A comissão deixou formalmente de existir em 1º de setembro de 2025. A loteria continuou funcionando sob a nova administração, com autorização legislativa mantida pelo menos até 2029.

O que está sendo discutido na Justiça em 2026

Gary Grief, antigo diretor executivo da Texas Lottery Commission, foi acusado em abril de 2026 de abuso da função pública, infração classificada no Texas como crime de primeiro grau. A acusação foi retirada poucos dias depois, mas outro grande júri apresentou uma nova denúncia em maio pelo mesmo crime e também incluiu a comissão já extinta.

A denúncia afirma que houve uso indevido de propriedade do governo ligado ao sorteio de 2023, mas apresentou poucos detalhes sobre a conduta atribuída a Grief. Ele negou irregularidades, e seu advogado, Sam Bassett, classificou a acusação como politicamente motivada.

Na data da publicação da apuração, o processo ainda estava em fase anterior ao julgamento e não havia condenação definitiva. Por isso, as acusações precisam ser tratadas como alegações que ainda serão examinadas pela Justiça.

A Rook TX mostrou que uma loteria pode ser enfrentada com matemática, capital e logística industrial. A repercussão, contudo, ultrapassou o prêmio e expôs dúvidas sobre fiscalização, tecnologia e acesso privilegiado à estrutura de impressão.

Você considera essa estratégia uma aposta inteligente ou uma vantagem injusta? Deixe sua opinião e compartilhe o caso.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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