Em 2017, cientistas da NOAA desceram mais de 1.500 metros no Golfo do México para investigar um alvo de sonar que poderia ser naufrágio. No local, encontraram um contêiner de cerca de 12 metros cercado por máquinas de lavar e eletrodomésticos, além de organismos marinhos colonizando essas estruturas humanas submersas.
Cientistas da NOAA chegaram a mais de 1.500 metros de profundidade no Golfo do México para investigar uma estrutura identificada por sonar que poderia corresponder a um naufrágio. Quando as câmeras alcançaram o local, porém, o suposto campo de destroços revelou um contêiner de transporte de aproximadamente 12 metros e diversos eletrodomésticos espalhados pelo leito marinho.
Segundo o ND Mais, com informações da IFLScience e de registros da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, o episódio ocorreu em 2017 durante uma campanha científica do navio Okeanos Explorer. O mergulho transformou uma investigação com interesse arqueológico em uma oportunidade para observar como objetos humanos também alcançam ambientes oceânicos profundos.
Expedição de 23 dias explorava o Golfo do México
A descoberta fazia parte de uma campanha de 23 dias conduzida pelo Okeanos Explorer.
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A missão tinha objetivos mais amplos do que procurar embarcações naufragadas e buscava reunir informações sobre diferentes características dos ambientes profundos do Golfo do México.
Sonar indicou um alvo desconhecido no fundo do oceano
A equipe decidiu investigar um ponto que havia aparecido anteriormente em dados de sonar.
O formato observado levantou a possibilidade de existir ali um naufrágio ou um campo de destroços associado a alguma embarcação, mas a natureza do alvo permanecia desconhecida antes da aproximação das câmeras.
Veículo operado remotamente desceu com câmeras

Os pesquisadores não precisaram entrar fisicamente na região investigada.
A missão utilizou um veículo operado remotamente, equipado com câmeras e controlado a partir do navio, para observar diretamente o fundo marinho em grandes profundidades.
Busca passou dos 1.500 metros de profundidade
O equipamento foi enviado para uma região situada a mais de 1.500 metros abaixo da superfície.
A descida permitiu que a equipe examinasse de perto o alvo de sonar e verificasse que a interpretação inicial relacionada a um possível naufrágio não correspondia ao que estava realmente no local.
Estrutura era um contêiner de aproximadamente 12 metros

A principal peça encontrada tinha origem claramente ligada ao transporte de cargas.
Em vez de uma embarcação, os pesquisadores identificaram um contêiner de cerca de 12 metros repousando no fundo do Golfo do México.
Máquinas de lavar estavam espalhadas ao redor

O conteúdo associado ao contêiner tornou a descoberta ainda mais incomum.
Máquinas de lavar e outros eletrodomésticos estavam distribuídos pelo leito marinho ao redor da estrutura, formando aquilo que inicialmente poderia ser confundido com um campo de destroços.
NOAA registrou mergulho como Wreck 15725: Deep Clean
A agência norte-americana documentou a investigação e o material encontrado.
O registro da NOAA identifica o mergulho pelo nome “Wreck 15725: Deep Clean” e descreve o cenário como uma carga espalhada pelo fundo do oceano.
Naufrágio não apareceu, mas local ganhou interesse científico
A ausência do navio esperado não tornou o mergulho improdutivo.
Os pesquisadores perceberam que o contêiner e os eletrodomésticos haviam se transformado em superfícies disponíveis para organismos marinhos em uma região profunda onde estruturas artificiais desse tipo não fazem parte originalmente do ambiente.
Animais já ocupavam contêiner e eletrodomésticos

Organismos marinhos foram encontrados sobre partes da carga.
Essas estruturas passaram a funcionar como superfícies rígidas de fixação, permitindo que organismos sésseis, aqueles que permanecem presos a um substrato, colonizassem elementos introduzidos pela atividade humana.
Marcas no contêiner podem indicar quando ele chegou ao fundo
A NOAA apontou uma possibilidade adicional de investigação.
As marcas de identificação do contêiner poderiam permitir o rastreamento de sua origem e, eventualmente, fornecer uma data máxima para o momento em que a estrutura chegou ao fundo do mar.
Data da queda ajudaria a estimar crescimento dos organismos
Saber quando o contêiner passou a ocupar aquela área poderia fornecer uma referência temporal.
Com esse dado, pesquisadores poderiam estimar há quanto tempo organismos sésseis colonizavam as superfícies e observar aspectos do crescimento da vida marinha sobre objetos artificiais.
Campanha realizou 17 mergulhos
A descoberta das máquinas de lavar representou apenas uma das operações executadas durante a missão.
O resumo da expedição informa que foram realizados 17 mergulhos ao longo da campanha científica.
Profundidades variaram de 300 a 2.321 metros
Os mergulhos cobriram uma faixa ampla do ambiente profundo.
As operações foram realizadas entre aproximadamente 300 e 2.321 metros de profundidade, permitindo examinar diferentes áreas e características do Golfo do México.
Missão também pesquisava corais e ecossistemas profundos
O Okeanos Explorer tinha uma agenda científica diversificada.
Além da busca por vestígios arqueológicos, a equipe reuniu dados sobre ecossistemas profundos, corais, áreas de vazamento natural de fluidos do subsolo marinho e formações geológicas.
Objetos perdidos no transporte podem alcançar regiões profundas
O contêiner e sua carga mostraram fisicamente como materiais relacionados à atividade humana podem terminar longe da superfície.
O episódio indica que objetos perdidos ou descartados durante atividades marítimas podem alcançar profundidades superiores a 1.500 metros e permanecer ali tempo suficiente para serem incorporados ao ambiente local.
Resíduos humanos também são encontrados nos oceanos próximos ao Brasil
A presença de materiais humanos em ambientes marinhos profundos não é tratada como uma questão exclusiva do Golfo do México.
A fonte cita uma estimativa da Oceana segundo a qual aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de plástico podem chegar ao oceano por ano a partir do Brasil, em um cenário apresentado com probabilidade de 40%.
Contêiner virou registro da presença humana no oceano profundo
A investigação que começou com a possibilidade de encontrar um naufrágio terminou documentando um contêiner, máquinas de lavar, outros eletrodomésticos e organismos já instalados sobre essas superfícies a mais de 1.500 metros de profundidade.
Para a NOAA, o episódio também mostrou que os efeitos da presença humana não ficam limitados às regiões costeiras ou próximas da superfície. O material encontrado permitiu transformar um mergulho de exploração em registro científico sobre como objetos artificiais podem chegar, permanecer e ser colonizados pela vida em regiões profundas do oceano.
Na sua opinião, o que mais chama atenção nessa descoberta: eletrodomésticos chegarem a mais de 1.500 metros de profundidade, a carga ser confundida com um possível naufrágio ou os objetos já terem sido incorporados ao habitat de organismos marinhos? Deixe sua opinião nos comentários.
