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Doença silenciosa no coração acende alerta após morte de fisiculturista e expõe como genética, anabolizantes e treinos intensos podem virar uma combinação perigosa

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 26/05/2026 às 11:05 Atualizado em 26/05/2026 às 11:07
Fisiculturista posa dentro de academia durante treino intenso, destacando musculatura avançada em meio a equipamentos de musculação e ambiente fitness profissional.
Imagem mostra fisiculturista durante sessão de treino em academia, tema relacionado aos riscos cardíacos associados à cardiomiopatia hipertrófica, esforço físico intenso e uso de anabolizantes.
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Condição cardíaca citada em morte de jovem fisiculturista pode permanecer silenciosa durante anos e se manifestar em momentos de esforço físico extremo

A cardiomiopatia hipertrófica voltou ao centro dos debates médicos após ser citada no atestado de óbito do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, morto aos 22 anos, em São Paulo.

A condição provoca o espessamento anormal do músculo cardíaco. O quadro pode desencadear arritmias graves, insuficiência cardíaca e episódios de morte súbita, principalmente durante treinos intensos e competições.

Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que a doença pode surgir por origem genética ou ser adquirida ao longo da vida. O uso de esteroides anabolizantes aparece entre os fatores associados ao agravamento do problema cardíaco.

Alteração no músculo cardíaco pode reduzir funcionamento do coração

Na cardiomiopatia hipertrófica, parte do coração cresce além do tamanho considerado normal.

O aumento da espessura reduz o espaço interno responsável pelo acúmulo de sangue antes do bombeamento. O coração passa a trabalhar com menor eficiência e pode apresentar alterações elétricas importantes.

Ricardo Katayose, cirurgião cardiovascular da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que a parede do ventrículo costuma medir até cerca de um centímetro.

Casos mais severos podem ultrapassar 30 milímetros de espessura, comprometendo diretamente o enchimento e o funcionamento adequado do órgão.

O crescimento exagerado do músculo cardíaco também pode desorganizar os impulsos elétricos responsáveis pelos batimentos.

Quadros silenciosos costumam dificultar o diagnóstico precoce da doença.

Forma genética aumenta risco de morte súbita em jovens

Elzo Mattar, diretor do departamento de hipertensão arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia, afirma que a forma genética geralmente provoca um espessamento assimétrico do coração.

Uma das paredes cardíacas cresce de forma desproporcional, enquanto outras permanecem preservadas.

O padrão autossômico dominante da doença gera 50% de chance de transmissão entre pais e filhos.

Especialistas consideram a cardiomiopatia hipertrófica uma das principais causas de morte súbita em pessoas com menos de 35 anos no Brasil e em outros países.

Treinos intensos podem funcionar como gatilho para arritmias graves

Muitos pacientes convivem com a doença durante anos sem perceber sintomas relevantes.

Momentos de esforço físico intenso podem acelerar os batimentos cardíacos e desencadear arritmias malignas.

Taquicardia ventricular e fibrilação ventricular aparecem entre os quadros mais perigosos relacionados à condição.

Essas alterações impedem o bombeamento correto do sangue e comprometem rapidamente o fluxo destinado ao cérebro e outros órgãos.

A ausência de reversão imediata pode levar à parada cardiorrespiratória.

Falta de ar, dor no peito, palpitações, tontura e desmaios aparecem entre os sintomas mais relatados pelos pacientes diagnosticados.

Pacientes com confirmação da doença normalmente não recebem liberação para práticas esportivas de alto rendimento.

Anabolizantes podem acelerar danos no coração

O uso de esteroides anabolizantes também pode contribuir para alterações cardíacas importantes.

Elzo Mattar afirma que essas substâncias elevam a pressão arterial e aumentam a carga de trabalho do coração.

O músculo cardíaco passa a crescer de forma desorganizada.

O avanço acelerado da parede cardíaca dificulta a irrigação adequada do próprio músculo.

Áreas de necrose e fibrose podem surgir durante esse processo.

Essas pequenas cicatrizes criam um ambiente favorável para o desenvolvimento de arritmias graves.

Especialistas também alertam para o risco de alterações na microcirculação das coronárias e formação súbita de coágulos.

Quadros de trombose coronariana, infarto e morte súbita podem surgir mesmo em pessoas aparentemente saudáveis.

Uso de insulina sem indicação médica também preocupa especialistas

Gabriel Ganley relatava nas redes sociais o uso de insulina com fins estéticos e ganho muscular.

Clayton Macedo, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, explica que a substância não causa diretamente a cardiomiopatia hipertrófica.

O uso inadequado pode ampliar riscos cardiovasculares, principalmente quando combinado com anabolizantes, estimulantes e diuréticos.

Pessoas sem diabetes podem desenvolver episódios graves de hipoglicemia.

Confusão mental, convulsões, coma e até morte aparecem entre as possíveis consequências.

O excesso de substâncias utilizadas simultaneamente aumenta significativamente o estresse cardiovascular.

Diagnóstico exige exames cardíacos e avaliação familiar

O diagnóstico costuma ser realizado por exames como ecocardiograma, eletrocardiograma e ressonância magnética cardíaca.

Familiares próximos também devem passar por avaliação médica quando existe confirmação da forma genética da doença.

O tratamento varia conforme a gravidade do quadro clínico.

Medicamentos, restrição de exercícios intensos e implante de cardioversor-desfibrilador implantável aparecem entre as principais abordagens terapêuticas.

O caso de Gabriel Ganley segue sob investigação oficial.

O atestado de óbito menciona cardiomiopatia hipertrófica associada a edema pulmonar e insuficiência cardíaca congestiva.

A discussão sobre desempenho extremo, uso de substâncias e acompanhamento médico preventivo deve ganhar ainda mais espaço diante de doenças cardíacas silenciosas que podem agir sem qualquer aviso prévio?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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