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DNA expõe origem esquecida e mostra como gatos viajaram pelo Mediterrâneo até a Europa

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 01/12/2025 às 08:30
Atualizado em 30/11/2025 às 17:51
Gato observado em frente a um porto romano, simbolizando a chegada dos felinos à Europa pelo comércio marítimo há 2.000 anos.
Imagem ilustrativa mostra um gato em cenário romano, remetendo ao estudo que revela como os felinos viajaram pelo Mediterrâneo durante o período imperial.
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Pesquisadores identificam que a expansão dos gatos ocorreu por rotas comerciais intensas e alterou a relação entre humanos e felinos em diversas sociedades mediterrâneas

A introdução dos gatos domésticos na Europa ocorreu há cerca de 2.000 anos, e representou um marco decisivo para compreender a domesticação da espécie. Em restos felinos encontrados em diferentes regiões, estudiosos verificaram que a presença dos gatos domésticos se intensificou durante o período imperial romano. A análise, conduzida por pesquisadores da Universidade de Roma Tor Vergata e publicada na revista Science nesta quinta-feira (27), destaca que os animais foram transportados por rotas marítimas controladas pelo Império Romano.

Contexto genético e avanço das pesquisas

Os cientistas analisaram 225 ossos de felinos de 97 sítios arqueológicos da Europa e do Oriente Próximo. Dessa forma, produziram 70 genomas antigos que confirmam que os primeiros gatos encontrados na Europa pré-histórica eram selvagens. Desse modo, as evidências reforçam que a chegada dos gatos domésticos ocorreu apenas no início da era romana, contrariando a hipótese de domesticação inicial há 6.000 ou 7.000 anos.

Introduções de felinos e diferenciação populacional

As análises revelaram duas introduções de felinos vindos do norte da África. Há cerca de 2.200 anos, gatos selvagens foram levados para a Sardenha, criando uma linhagem distinta que não corresponde ao gato doméstico moderno. Entretanto, foi apenas uma segunda dispersão, ocorrida cerca de dois séculos depois, que deu origem à base genética dos gatos domésticos atuais na Europa. Segundo os pesquisadores, esses movimentos ocorreram porque as cidades mediterrâneas ampliaram sua integração comercial.

Movimentação felina pelo Mediterrâneo romano

Os estudos indicam que os gatos foram transportados por marinheiros, que os utilizavam para controlar ratos em navios que cruzavam o Mediterrâneo com carregamentos de grãos do Egito. Assim, a prática fortaleceu a disseminação da espécie. Além disso, restos felinos encontrados em acampamentos do Exército romano comprovam que os gatos acompanharam tropas, deslocando-se para novas regiões ao longo do continente. O registro mais antigo identificado no estudo, semelhante aos gatos domésticos atuais, data de 50 a.C. a 80 d.C., em Mautern, na Áustria.

Gatos na cultura egípcia e integração simbólica

Os pesquisadores destacam que, no Egito, os gatos ocupavam posição de destaque social e religioso. Divindades felinas e práticas de mumificação reforçam o valor atribuído à espécie. Dessa forma, o simbolismo associado ao gato ajudou a consolidar sua presença nas embarcações e, posteriormente, nas comunidades que recebiam navios em diferentes portos mediterrâneos.

Dispersão romanas e influência militar

Os restos encontrados em áreas de influência militar romana mostram que os gatos domésticos acompanharam os deslocamentos das tropas. Assim, os felinos passaram a integrar atividades cotidianas, rotinas de abastecimento e proteção de mantimentos. De acordo com os pesquisadores, essa presença constante ampliou a interação entre humanos e gatos, consolidando um vínculo duradouro.

Justificativas científicas e impacto no entendimento histórico

Os especialistas afirmam que a evolução das análises genéticas permitiu identificar padrões até então desconhecidos. Por isso, o estudo derruba a ideia de uma única região responsável pela domesticação felina. Segundo Bea De Cupere, a diversidade genética observada mostra que diversas culturas contribuíram para a formação do gato doméstico moderno.

Limites do estudo e perspectivas futuras

Embora os dados indiquem quando os gatos chegaram à Europa, os pesquisadores ressaltam que ainda não é possível determinar o local exato da domesticação inicial. Para Claudio Ottoni, a complexidade do tema impede conclusões definitivas sobre as primeiras interações entre humanos e felinos. Assim, as descobertas reforçam que novas pesquisas serão necessárias para esclarecer fases anteriores da domesticação.

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