Pesquisadores identificam que a expansão dos gatos ocorreu por rotas comerciais intensas e alterou a relação entre humanos e felinos em diversas sociedades mediterrâneas
A introdução dos gatos domésticos na Europa ocorreu há cerca de 2.000 anos, e representou um marco decisivo para compreender a domesticação da espécie. Em restos felinos encontrados em diferentes regiões, estudiosos verificaram que a presença dos gatos domésticos se intensificou durante o período imperial romano. A análise, conduzida por pesquisadores da Universidade de Roma Tor Vergata e publicada na revista Science nesta quinta-feira (27), destaca que os animais foram transportados por rotas marítimas controladas pelo Império Romano.
Contexto genético e avanço das pesquisas
Os cientistas analisaram 225 ossos de felinos de 97 sítios arqueológicos da Europa e do Oriente Próximo. Dessa forma, produziram 70 genomas antigos que confirmam que os primeiros gatos encontrados na Europa pré-histórica eram selvagens. Desse modo, as evidências reforçam que a chegada dos gatos domésticos ocorreu apenas no início da era romana, contrariando a hipótese de domesticação inicial há 6.000 ou 7.000 anos.
Introduções de felinos e diferenciação populacional
As análises revelaram duas introduções de felinos vindos do norte da África. Há cerca de 2.200 anos, gatos selvagens foram levados para a Sardenha, criando uma linhagem distinta que não corresponde ao gato doméstico moderno. Entretanto, foi apenas uma segunda dispersão, ocorrida cerca de dois séculos depois, que deu origem à base genética dos gatos domésticos atuais na Europa. Segundo os pesquisadores, esses movimentos ocorreram porque as cidades mediterrâneas ampliaram sua integração comercial.
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Movimentação felina pelo Mediterrâneo romano
Os estudos indicam que os gatos foram transportados por marinheiros, que os utilizavam para controlar ratos em navios que cruzavam o Mediterrâneo com carregamentos de grãos do Egito. Assim, a prática fortaleceu a disseminação da espécie. Além disso, restos felinos encontrados em acampamentos do Exército romano comprovam que os gatos acompanharam tropas, deslocando-se para novas regiões ao longo do continente. O registro mais antigo identificado no estudo, semelhante aos gatos domésticos atuais, data de 50 a.C. a 80 d.C., em Mautern, na Áustria.
Gatos na cultura egípcia e integração simbólica
Os pesquisadores destacam que, no Egito, os gatos ocupavam posição de destaque social e religioso. Divindades felinas e práticas de mumificação reforçam o valor atribuído à espécie. Dessa forma, o simbolismo associado ao gato ajudou a consolidar sua presença nas embarcações e, posteriormente, nas comunidades que recebiam navios em diferentes portos mediterrâneos.
Dispersão romanas e influência militar
Os restos encontrados em áreas de influência militar romana mostram que os gatos domésticos acompanharam os deslocamentos das tropas. Assim, os felinos passaram a integrar atividades cotidianas, rotinas de abastecimento e proteção de mantimentos. De acordo com os pesquisadores, essa presença constante ampliou a interação entre humanos e gatos, consolidando um vínculo duradouro.
Justificativas científicas e impacto no entendimento histórico
Os especialistas afirmam que a evolução das análises genéticas permitiu identificar padrões até então desconhecidos. Por isso, o estudo derruba a ideia de uma única região responsável pela domesticação felina. Segundo Bea De Cupere, a diversidade genética observada mostra que diversas culturas contribuíram para a formação do gato doméstico moderno.
Limites do estudo e perspectivas futuras
Embora os dados indiquem quando os gatos chegaram à Europa, os pesquisadores ressaltam que ainda não é possível determinar o local exato da domesticação inicial. Para Claudio Ottoni, a complexidade do tema impede conclusões definitivas sobre as primeiras interações entre humanos e felinos. Assim, as descobertas reforçam que novas pesquisas serão necessárias para esclarecer fases anteriores da domesticação.

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