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Dinheiro do FGTS para comprar armas? Projeto avança na Câmara e coloca trabalhadores, segurança pública e fundo social no centro da discussão

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 12/05/2026 às 11:56
Atualizado em 12/05/2026 às 11:58
Aplicativo do FGTS ao lado de arma de fogo, munições e carteira de trabalho sobre mesa, ilustrando projeto que debate uso do fundo para compra de armas no Brasil.
Imagem ilustra discussão na Câmara dos Deputados sobre proposta que pode permitir saque do FGTS para compra de armas legalizadas, munições e acessórios de segurança.
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Proposta analisada na Comissão de Segurança Pública prevê saque anual do FGTS para compra de armas, munições e acessórios, mas mantém exigências legais e ainda depende de novas etapas no Congresso.

A Câmara dos Deputados analisa um projeto que pode criar uma nova possibilidade de uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A proposta autoriza trabalhadores a sacar recursos do fundo para comprar armas de fogo legalizadas, munições e acessórios de armazenamento seguro.

O texto é de autoria do deputado Marcos Pollon (PL-MS) e deve ser analisado pela Comissão de Segurança Pública da Câmara nesta quarta-feira, dia 12. A relatoria está com o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), que apresentou parecer favorável à proposta.

A medida prevê que o saque ocorra uma vez por ano, na data de aniversário do trabalhador ou no dia útil seguinte. A liberação dependerá de autorização válida para compra da arma e comprovação de regularidade nos sistemas da Polícia Federal ou do Exército.

Projeto cria nova hipótese de saque no FGTS

A proposta não muda as regras atuais do saque-aniversário, criado em 2019. O projeto apenas usa o mês de nascimento do trabalhador como referência para uma nova modalidade de retirada.

O dinheiro poderá ser usado na compra de arma de fogo legalizada, munições e acessórios considerados essenciais para armazenamento seguro. A autorização, porém, não dispensa as exigências já previstas na legislação.

O trabalhador ainda precisará comprovar capacidade técnica, aptidão psicológica e ausência de antecedentes criminais. Essas regras continuam sendo exigidas para aquisição regular de arma de fogo no país.

Debate envolve segurança pública e proteção social

O autor do projeto afirma que o custo elevado das armas legalizadas dificulta o acesso da população de baixa renda. A proposta, por isso, busca permitir o uso de uma reserva já pertencente ao trabalhador.

Críticos da medida, no entanto, defendem que o FGTS mantenha sua finalidade original. O fundo foi criado para proteger trabalhadores em situações como demissão sem justa causa, aposentadoria, doenças graves e compra da casa própria.

Os recursos depositados nas contas vinculadas ficam sob administração da Caixa Econômica Federal. Enquanto não são sacados, os valores financiam programas de habitação popular, saneamento básico e infraestrutura.

Como o FGTS funciona atualmente

Empregadores devem depositar, todos os meses, o equivalente a 8% do salário do funcionário em conta vinculada ao FGTS. O valor pertence ao trabalhador e não gera desconto no salário.

Contratos de aprendizagem têm recolhimento de 2%. Trabalhadores domésticos contam com recolhimento de 11,2%, incluindo depósito mensal e antecipação do recolhimento rescisório.

O saldo do FGTS recebe atualização monetária pela Taxa Referencial e juros de 3% ao ano. Desde 2016, parte do lucro anual do fundo também é distribuída aos trabalhadores, conforme decisão do Conselho Curador.

Quando o saque do FGTS já é permitido

A legislação atual permite o saque do FGTS em situações específicas. Entre elas estão demissão sem justa causa, término de contrato, aposentadoria, doenças graves, desastres naturais e compra da casa própria.

Também há liberação quando o trabalhador completa 70 anos, permanece três anos fora do regime do FGTS ou passa por rescisão por acordo com a empresa.

No saque-aniversário, o trabalhador pode retirar parte do saldo uma vez por ano. A adesão é opcional, mas quem escolhe essa modalidade perde o direito ao saque integral em caso de demissão sem justa causa.

O FGTS é um seguro para o trabalhador.

Texto ainda precisa avançar no Congresso

A aprovação na Comissão de Segurança Pública não encerra a tramitação. O projeto ainda precisa passar por outras comissões da Câmara dos Deputados e pelo plenário.

Depois dessa etapa, a proposta seguirá para análise do Senado Federal, caso seja aprovada pelos deputados. Somente após esse processo o texto poderá virar lei.

A discussão, portanto, coloca em lados opostos duas visões sobre o FGTS. De um lado, há quem defenda maior liberdade para o trabalhador usar seu próprio dinheiro. De outro, há quem veja risco em afastar o fundo de sua função social original.

O FGTS para compra de armas deve ser tratado como liberdade de uso do dinheiro do trabalhador ou como desvio da finalidade de proteção social do fundo?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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