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Com radar SAMPSON capaz de rastrear centenas de alvos ao mesmo tempo e sistema de defesa aérea projetado para interceptar mísseis supersônicos, os destróieres britânicos classe Type 45 tornaram-se o escudo antimíssil das frotas da Royal Navy e um dos sistemas navais mais avançados já construídos pela Europa

Escrito por Débora Araújo
Publicado em 11/03/2026 às 16:03
Com radar SAMPSON capaz de rastrear centenas de alvos ao mesmo tempo e sistema de defesa aérea projetado para interceptar mísseis supersônicos, os destróieres britânicos classe Type 45 tornaram-se o escudo antimíssil das frotas da Royal Navy e um dos sistemas navais mais avançados já construídos pela Europa
Foto: Ministério da Defesa do Reino Unido/Reprodução
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Equipados com radar SAMPSON e sistema de defesa aérea Sea Viper, os destróieres britânicos classe Type 45 foram projetados para interceptar mísseis supersônicos e proteger frotas inteiras contra ataques aéreos.

No cenário da guerra naval moderna, poucos navios foram projetados com um objetivo tão específico quanto os destróieres classe Type 45 da Marinha Real Britânica. Esses navios foram desenvolvidos para enfrentar uma das maiores ameaças no campo naval contemporâneo: ataques massivos de mísseis e aeronaves contra grupos de navios de guerra.

Combinando radares extremamente sofisticados, sistemas avançados de interceptação e uma arquitetura eletrônica altamente integrada, os Type 45 tornaram-se uma das plataformas de defesa aérea naval mais avançadas já construídas na Europa.

Projetados para atuar como centro de comando da defesa aérea de uma frota inteira, esses destróieres são capazes de detectar, rastrear e interceptar ameaças aéreas em grande escala, protegendo porta-aviões, navios de escolta e forças anfíbias.

A origem dos destróieres classe Type 45

O desenvolvimento da classe Type 45 começou na década de 1990, quando o Reino Unido decidiu substituir seus antigos destróieres classe Type 42, que haviam sido projetados ainda durante a Guerra Fria. Os Type 42 ficaram conhecidos por sua atuação durante a Guerra das Malvinas em 1982, mas suas limitações tecnológicas ficaram evidentes com o avanço das ameaças aéreas modernas.

Foto: Ministério da Defesa do Reino Unido/Reprodução

O objetivo da Royal Navy era criar um navio capaz de enfrentar: ataques de mísseis antinavio, bombardeiros supersônicos, drones militares e aeronaves de combate modernas. Para atingir esse objetivo, foi desenvolvido um novo sistema de defesa aérea naval conhecido como Sea Viper, considerado o coração tecnológico da classe Type 45.

O radar SAMPSON: o “olho” da defesa aérea britânica

Uma das características mais marcantes dos destróieres Type 45 é o radar SAMPSON, instalado em uma grande cúpula rotativa acima da superestrutura do navio. Esse radar é um sistema AESA (Active Electronically Scanned Array), tecnologia que permite varrer o céu com altíssima velocidade e precisão. Entre suas capacidades estão:

  • Rastrear centenas de alvos simultaneamente;
  • Detectar aeronaves a grandes distâncias;
  • Acompanhar mísseis de alta velocidade;
  • Orientar interceptadores em tempo real.
Radar multifuncional de rastreamento aéreo SAMPSON. Foto: Brian Burnell/Wikipedia

O SAMPSON trabalha em conjunto com outro radar conhecido como S1850M, responsável por vigilância aérea de longo alcance. Essa combinação permite que o navio detecte ameaças a centenas de quilômetros de distância. Essa capacidade transforma o Type 45 em um verdadeiro centro de comando da defesa aérea naval.

O sistema Sea Viper e os mísseis Aster

Para neutralizar ameaças aéreas, os destróieres Type 45 utilizam o sistema Sea Viper, baseado nos mísseis europeus Aster. Esses mísseis são lançados a partir de células verticais localizadas na proa do navio. O sistema utiliza dois tipos principais de interceptadores:

  • Aster 15 – usado para defesa aérea de curto e médio alcance
  • Aster 30 – usado para interceptar alvos a distâncias muito maiores

Os mísseis Aster utilizam um sistema de controle chamado PIF-PAF, que permite realizar manobras extremamente rápidas durante o voo. Isso é essencial para interceptar mísseis antinavio modernos, que frequentemente realizam manobras evasivas. Segundo dados da Royal Navy, os mísseis Aster podem interceptar ameaças supersônicas, voando a baixa altitude ou executando manobras evasivas.

Capacidade de proteger uma frota inteira

Os destróieres Type 45 não foram projetados apenas para proteger a si mesmos. Eles foram concebidos para defender grupos inteiros de navios, incluindo porta-aviões. Quando um grupo de combate naval está em operação, o Type 45 atua como uma espécie de “escudo eletrônico”.

Manutenção geral do canhão naval Mk8 de 4,5 polegadas. Foto: Ministério da Defesa do Reino Unido/Reprodução

Sua função inclui detectar ameaças aéreas, coordenar a resposta da frota, lançar interceptadores contra mísseis inimigos e compartilhar dados de radar com outros navios. Essa capacidade de coordenação é fundamental em operações navais modernas. Em um cenário de combate, diversos navios podem compartilhar informações de sensores e agir de forma integrada.

Um destróier de grande porte

Os destróieres classe Type 45 são embarcações grandes para padrões dessa categoria. Entre suas principais características técnicas estão:

  • Deslocamento aproximado de 8.500 toneladas
  • Comprimento de cerca de 152 metros
  • Tripulação de aproximadamente 190 militares

O navio também possui capacidade para operar helicópteros militares. Normalmente são utilizados helicópteros Merlin ou Wildcat, empregados em missões de guerra antissubmarino, vigilância e transporte.

Foto: Ministério da Defesa do Reino Unido/Reprodução

Propulsão avançada e eficiência energética

Outro aspecto tecnológico da classe Type 45 é seu sistema de propulsão. Os navios utilizam um sistema chamado Integrated Electric Propulsion (IEP). Nesse modelo, turbinas e geradores produzem eletricidade que alimenta motores elétricos responsáveis por mover as hélices do navio. Esse sistema oferece diversas vantagens:

  • Maior eficiência energética
  • Redução de ruído submarino
  • Maior flexibilidade de operação

A redução de ruído é especialmente importante em navios militares, porque diminui a chance de detecção por submarinos inimigos.

Os navios que compõem a classe Type 45

A Royal Navy construiu seis destróieres dessa classe. Entre eles estão:

  • HMS Daring
  • HMS Dauntless
  • HMS Diamond
  • HMS Dragon
  • HMS Defender
  • HMS Duncan

Esses navios começaram a entrar em serviço entre 2009 e 2013. Desde então, participam regularmente de missões internacionais e exercícios militares.

Foto: Ministério da Defesa do Reino Unido/Reprodução

O papel na defesa dos porta-aviões britânicos

Os destróieres Type 45 tornaram-se peças essenciais na proteção dos novos porta-aviões britânicos da classe Queen Elizabeth. Esses porta-aviões são capazes de operar caças F-35B e representam o centro do poder naval britânico moderno.

Para proteger essas embarcações, a Royal Navy utiliza grupos de combate compostos por diferentes navios. Dentro desse grupo, o Type 45 desempenha o papel de principal sistema de defesa aérea da frota. Ele monitora o espaço aéreo ao redor do porta-aviões e intercepta ameaças antes que elas se aproximem.

Testes que demonstraram a capacidade do sistema

Durante testes realizados no Mediterrâneo e no Atlântico, destróieres Type 45 demonstraram capacidade de interceptar alvos extremamente complexos. Entre eles estavam:

  • Drones de alta velocidade
  • Mísseis simulados
  • Aeronaves em voo rasante

Esses testes foram realizados para validar o desempenho do sistema Sea Viper. Os resultados mostraram que o sistema pode interceptar ameaças que voam a velocidades supersônicas.

O futuro da classe Type 45

Apesar de já serem considerados navios extremamente avançados, os destróieres Type 45 continuam passando por atualizações. Programas de modernização incluem:

  • Novos sistemas de energia
  • Melhorias em sensores
  • Integração com novos mísseis

Essas atualizações fazem parte de um esforço da Royal Navy para manter a classe operacional por décadas. Os Type 45 devem permanecer em serviço até pelo menos a década de 2040.

Com radar SAMPSON capaz de rastrear centenas de alvos ao mesmo tempo e sistema de defesa aérea projetado para interceptar mísseis supersônicos, os destróieres britânicos classe Type 45 tornaram-se o escudo antimíssil das frotas da Royal Navy e um dos sistemas navais mais avançados já construídos pela Europa
Foto: Ministério da Defesa do Reino Unido/Reprodução

Um dos sistemas de defesa aérea naval mais avançados do mundo

Os destróieres classe Type 45 representam um dos maiores avanços da engenharia naval europeia nas últimas décadas. Ao combinar sensores de longo alcance, mísseis de interceptação altamente manobráveis e sistemas de comando sofisticados, esses navios foram projetados para enfrentar o cenário de guerra aérea naval do século XXI.

Com sua capacidade de rastrear centenas de alvos e interceptar mísseis supersônicos, os Type 45 tornaram-se o principal escudo antimíssil das frotas britânicas e um dos destróieres mais avançados já construídos no mundo.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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