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Descoberta na África assusta até cientistas: estudo publicado em 23 de abril revela que a crosta ficou tão fina que pode abrir caminho para a divisão do continente e o surgimento de um oceano no futuro, em uma transformação geológica gigantesca

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 26/04/2026 às 21:22
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Estudo revela crosta mais fina em Turkana e aponta avanço da fragmentação da África rumo a um possível novo oceano.
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Estudo publicado em 23 de abril de 2026 indica que a crosta sob a Fenda de Turkana, na África Oriental, está mais fina do que se imaginava, em um processo geológico lento que pode levar à separação continental e à formação de um novo oceano daqui a milhões de anos

A África pode estar mais perto de se fragmentar do que se imaginava após cientistas identificarem que a crosta terrestre sob a Fenda de Turkana, na África Oriental, ficou muito mais fina do que estimativas anteriores indicavam. A descoberta, publicada na Nature Communications, aponta um estágio avançado de rifteamento e ajuda a explicar a preservação de fósseis humanos antigos na região.

A Fenda de Turkana, localizada entre o Quênia e a Etiópia, integra o Sistema de Fendas da África Oriental e se estende por aproximadamente 500 quilômetros. A região já era conhecida pelo registro de fósseis de humanos primitivos e pela intensa atividade vulcânica ligada ao movimento das placas tectônicas.

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Os novos resultados mostram que o processo de fragmentação continental está mais avançado nessa área do que os pesquisadores supunham. Ao mesmo tempo, a mesma dinâmica geológica que enfraquece a crosta pode ter criado as condições responsáveis pela conservação de tantos vestígios antigos.

A África Oriental está se fragmentando lentamente à medida que a crosta da Fenda de Turkana se torna cada vez mais fina, oferecendo um raro vislumbre de como os continentes se dividem. Crédito: AI/ScienceDaily.com

África Oriental passa por fragmentação lenta

O Sistema de Fendas da África Oriental vai da Depressão de Afar, no nordeste da Etiópia, até Moçambique. Esse sistema separa a placa tectônica africana das placas Arábica e Somali, em um processo gradual que se desenvolve ao longo de milhões de anos.

Na área de Turkana, as placas Africana e Somali estão se afastando lentamente a uma velocidade de cerca de 4,7 milímetros por ano. Esse movimento estica a crosta terrestre lateralmente e produz o fenômeno conhecido como rifteamento.

À medida que a tensão aumenta, a superfície se dobra, racha e permite a subida de magma vindo das profundezas da Terra. Nem todas as fendas chegam a romper um continente por completo, mas a Fenda de Turkana apresenta sinais de que pode seguir esse caminho.

O estudo indica que o leste da África avançou mais no processo de rifteamento do que se acreditava. A constatação vem da análise de dados sísmicos de alta qualidade, combinados com métodos de imageamento usados para mapear estruturas subterrâneas.

Crosta sob a Fenda de Turkana surpreende cientistas

A equipe liderada por Christian Rowan, doutorando no Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade Columbia, identificou uma diferença expressiva na espessura da crosta sob o rifte. No centro da fenda, ela tem apenas cerca de 13 quilômetros de espessura.

Mais distante do eixo principal, a crosta ultrapassa os 35 quilômetros. Essa variação drástica indica um processo chamado “estreitamento”, no qual a crosta se estica e afina no meio, como o pescoço estreito formado quando um pedaço de caramelo salgado é puxado.

Rowan afirma que o rifteamento nessa zona está mais avançado, e a crosta mais fina, do que se imaginava. Para ele, o leste da África já percorreu uma parte maior desse processo do que as hipóteses anteriores sugeriam.

A fragilidade aumenta conforme a crosta se torna mais fina. Quanto menor a espessura, maior a facilidade para a continuidade das fendas, até que a crosta possa se romper completamente em uma etapa futura.

Anne Bécel, geofísica do Observatório Lamont e coautora do estudo, afirma que a região atingiu um limiar crítico de ruptura da crosta. Essa condição ajuda a explicar por que a área estaria mais propensa a se separar.

Processo pode formar um novo oceano no futuro

A Fenda de Turkana começou a se abrir há cerca de 45 milhões de anos. Os pesquisadores estimam que o estreitamento teve início depois de erupções vulcânicas generalizadas ocorridas há cerca de 4 milhões de anos.

Apesar dos sinais de avanço, a transformação ocorre em escalas de tempo imensas. A próxima fase, chamada oceanização, pode levar mais alguns milhões de anos para começar.

Nessa etapa, o magma subiria pelas fraturas e formaria um novo fundo oceânico. Com o tempo, a água do Oceano Índico, ao norte, poderia eventualmente inundar essa nova área aberta pela separação continental.

O estudo também identificou sinais de um episódio anterior de rifteamento que não resultou em uma separação completa. Esse processo antigo, porém, teria deixado a crosta mais fina e frágil, criando condições para a fase atual de atividade.

Rowan considera que essa descoberta desafia algumas ideias tradicionais sobre a separação dos continentes. O caso de Turkana mostra que tentativas anteriores de rifteamento podem preparar o terreno para novas fases tectônicas mais intensas.

Região oferece rara janela para observar a separação continental

A Fenda de Turkana é descrita como o primeiro rift continental ativo conhecido que está atualmente em processo de estreitamento. Por isso, a área oferece aos cientistas uma oportunidade rara de acompanhar uma fase decisiva da evolução tectônica.

Folarin Kolawole, coautor do estudo e pesquisador ligado ao Lamont, afirma que a região funciona como um local privilegiado para observar uma etapa crítica de rifteamento. Processos desse tipo ajudaram a moldar margens rifteadas em diferentes partes do mundo.

A importância científica da área não se limita à formação da crosta. A dinâmica tectônica está ligada a outros sistemas da Terra e pode contribuir para reconstruir paisagens, vegetação e padrões climáticos do passado.

Bécel afirma que esse conhecimento também pode ajudar a entender acontecimentos futuros, mesmo em escalas de tempo mais curtas. A Fenda de Turkana, portanto, reúne informações relevantes sobre mudanças profundas na crosta e seus efeitos sobre ambientes antigos.

Fósseis podem ter sido preservados por condições geológicas

As descobertas também oferecem uma nova interpretação para o extraordinário registro fóssil da região. O Vale do Rift de Turkana revelou mais de 1.200 fósseis de hominídeos dos últimos 4 milhões de anos.

Esse número representa cerca de um terço de todas as descobertas desse tipo na África. Por causa disso, muitos cientistas consideraram a área um centro fundamental da evolução humana.

Rowan e seus colegas sugerem outra possibilidade. A região pode não ter sido necessariamente excepcional como local onde os ancestrais humanos evoluíram, mas sim como um ambiente em que as condições geológicas favoreceram a preservação de seus vestígios.

Após intensa atividade vulcânica há cerca de 4 milhões de anos, o início do estreitamento tectônico provocou o afundamento do terreno. Essa subsidência criou condições favoráveis ao acúmulo rápido de sedimentos de granulação fina.

Esses sedimentos são considerados ideais para a preservação de fósseis. Rowan afirma que as condições eram favoráveis para manter um registro fóssil contínuo, o que pode explicar a riqueza de achados na Fenda de Turkana.

A hipótese muda a forma de interpretar a importância da área para a história humana. Em vez de ser necessariamente o berço da humanidade, Turkana pode ser o local onde a história ficou melhor registrada.

Novas pesquisas podem relacionar tectônica, clima e evolução

A proposta ainda permanece como hipótese, mas abre novas frentes de investigação. Rowan afirma que outros pesquisadores podem usar os resultados para explorar essas ideias e testar relações entre mudanças tectônicas, clima e evolução.

Os dados também podem ser inseridos em modelos tectônicos associados ao clima. Esse tipo de abordagem permitiria examinar como transformações na crosta e alterações ambientais influenciaram a evolução humana ao longo do tempo.

A equipe de pesquisa inclui Christian Rowan, Anne Bécel, Folarin Kolawole, Paul Betka, da Western Washington University, e John Rowan, da Universidade de Cambridge. O trabalho utilizou dados sísmicos obtidos com parceiros da indústria e colaboração do Instituto da Bacia de Turkana, fundado pelo paleoantropólogo Richard Leakey.

A África Oriental, portanto, reúne dois processos científicos de grande relevância no mesmo território. Enquanto a crosta sob Turkana mostra sinais de fragmentação avançada, a geologia da região também ajuda a explicar por que tantos fósseis humanos antigos foram preservados no mesmo local.

Clique aqui para conferir o Estudo.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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