Trecho estratégico da Via Dutra ganha nova etapa em operação, com viadutos iluminados, ampliação de capacidade e intervenções previstas para enfrentar gargalos históricos entre Rio de Janeiro e São Paulo.
Em 25 de junho de 2026, a RioSP, empresa da Motiva, liberou ao tráfego a primeira fase da Nova Serra das Araras, na Rodovia Presidente Dutra, a BR-116, entre Piraí e Paracambi, no Sul Fluminense.
Com a entrega, passaram a funcionar quatro quilômetros da nova pista de subida, no sentido São Paulo, além de oito viadutos iluminados em um dos pontos mais complexos da ligação rodoviária entre Rio de Janeiro e São Paulo.
Pelo trecho circulam cerca de 390 mil veículos por mês, segundo a concessionária, sendo 36% do volume formado por transporte de cargas, dado que reforça a importância da Serra das Araras para a logística nacional.
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Iniciada em abril de 2024, a obra chegou a aproximadamente 70% de avanço físico e busca reduzir limitações históricas provocadas por curvas, aclives e restrições operacionais que há anos pressionam a circulação na Via Dutra.
Nova pista de subida altera tráfego rumo a São Paulo
Na etapa liberada, a intervenção se concentra em parte da nova pista de subida, usada pelos motoristas que seguem em direção a São Paulo em um trecho marcado por relevo difícil e fluxo intenso de veículos pesados.
A abertura dos quatro quilômetros e dos oito viadutos permite que a concessionária opere uma estrutura mais ampla, iluminada e adequada às exigências de um corredor usado diariamente por automóveis, ônibus e caminhões.
Segundo a RioSP, essa primeira entrega antecipa ganhos de segurança, fluidez e capacidade operacional antes da conclusão completa da Nova Serra das Araras, ainda em execução nos dois sentidos da rodovia.

Previsto para ampliar de forma permanente a capacidade da BR-116, o projeto completo terá quatro faixas de rolamento e acostamento em cada sentido, o que representa oito faixas ao todo na serra.
Também fazem parte da intervenção 24 novos viadutos, duas rampas de escape e iluminação em toda a extensão, medidas divulgadas pela concessionária como parte da modernização de um dos trechos mais estratégicos da Via Dutra.
Projeto da Serra das Araras faz parte do Novo PAC
Além de integrar a concessão operada pela RioSP, a Nova Serra das Araras faz parte do Novo Programa de Aceleração do Crescimento, o Novo PAC, dentro do pacote federal voltado à infraestrutura de transportes.
De acordo com a Agência Brasil, o empreendimento conta com investimento de R$ 1,5 bilhão do governo federal e é executado pela Motiva por meio da concessionária responsável pela operação da Via Dutra.
Junto aos viadutos, às faixas adicionais e às rampas de escape, o planejamento também prevê três passarelas, reforçando a reorganização da estrutura viária em uma região decisiva para o transporte entre Rio de Janeiro e São Paulo.
Outro dado informado pela Agência Brasil é a velocidade prevista de 80 km/h no trecho, mudança associada à expectativa de melhorar o desempenho operacional da rodovia após a conclusão das intervenções.
Com a obra finalizada, a estimativa divulgada é reduzir em 25% o tempo de percurso na subida, no sentido São Paulo, e em 50% na descida, no sentido Rio de Janeiro.
Corredor logístico concentra alto fluxo de cargas
Em razão do relevo de serra, a região das Araras impõe desafios constantes à engenharia, à operação rodoviária e à circulação de veículos pesados, sobretudo em períodos de maior movimento na ligação Rio-São Paulo.
A soma entre tráfego intenso, presença expressiva de caminhões e traçado sinuoso tornou esse trecho um ponto sensível da malha federal, com impacto direto sobre motoristas, transportadores e cadeias de abastecimento.
Nesse cenário, a ampliação da capacidade não se resume à criação de novas faixas, já que o projeto combina estruturas de segurança, iluminação e obras de arte especiais para reorganizar a operação da serra.
As rampas de escape previstas no projeto têm função voltada a situações de emergência, especialmente em trechos de descida, enquanto a iluminação integral busca reforçar a segurança e a visibilidade durante as operações noturnas.
Para corredores logísticos de alto movimento, mais previsibilidade no tráfego pode reduzir impactos de lentidão, bloqueios e acidentes sobre prazos de entrega, custos de transporte e deslocamentos diários de quem utiliza a rodovia.
Reaproveitamento de rochas entra na execução da obra

No canteiro, a obra também incorporou medidas ambientais ligadas ao processo construtivo, incluindo uma central de britagem instalada para reaproveitar fragmentos de rocha gerados durante escavações e detonações realizadas na serra.
Após passar por britagem e peneiramento, esse material alcança características adequadas para uso em insumos da própria rodovia, como concreto, asfalto, drenagens e tubos, conforme informações divulgadas pela Agência Brasil.
Segundo a reportagem, o reaproveitamento dos resíduos rochosos no projeto é integral, o que reduz a necessidade de descarte externo e aproveita materiais gerados dentro da própria frente de obra.
As ações ambientais incluem ainda monitoramento de fauna e flora, resgate de espécies vegetais e cuidados com animais encontrados nas áreas de intervenção, medidas associadas à execução de obras em área de serra.
Desde o início dos trabalhos, em abril de 2024, foram identificadas mais de 40 espécies vegetais e resgatados mais de 500 exemplares, segundo dados informados pela Agência Brasil.
Conjunto final ainda depende de novas entregas
Embora a primeira etapa já esteja em operação, a Nova Serra das Araras ainda segue em execução, pois a liberação dos quatro quilômetros da pista de subida representa apenas parte de um projeto maior na BR-116.
A etapa entregue permite observar parte do desenho previsto para a nova rodovia, mas os impactos mais amplos dependerão da conclusão dos viadutos, faixas, acostamentos, passarelas, rampas de escape e demais intervenções planejadas.
Com 390 mil veículos por mês, forte presença de caminhões e papel central na ligação entre Rio de Janeiro e São Paulo, a Nova Serra das Araras conseguirá entregar a fluidez e a segurança esperadas por motoristas e transportadores?
