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Dentro de uma montanha no gelo Ártico, um “cofre fortaleza” com túnel de 120 metros protege milhões de sementes e arquivos da humanidade para um possível recomeço global

Publicado em 16/03/2026 às 06:36
Atualizado em 16/03/2026 às 06:39
Assista o vídeoBanco de sementes, Ártico
Imagem: Reprodução / Record
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No arquipélago de Svalbard, na Noruega, o banco de sementes mundial e um cofre de dados preservam plantas, documentos e memórias para futuras gerações

O arquipélago de Svalbard, no Oceano Ártico, abriga estruturas criadas para preservar recursos essenciais da humanidade. Em meio ao gelo e ao frio extremo do isolamento polar, o banco de sementes e um cofre de arquivos guardam plantas, documentos e conhecimento que podem garantir um recomeço em caso de catástrofe global.

A equipe do programa Domingo Espetacular viajou até a região para mostrar como funciona o complexo. A jornada começou em São Paulo, passou por Paris e Oslo e terminou após um voo de 2 mil quilômetros sobre o Oceano Ártico.

O destino final foi Svalbard, arquipélago norueguês situado próximo ao Polo Norte. Ali estão estruturas criadas para preservar recursos essenciais da humanidade por milhares de anos.

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Svalbard e o isolamento que protege o banco de sementes

Longyearbyen é o último local habitado antes do Polo Norte. Cerca de dois mil moradores vivem permanentemente na região, convivendo com temperaturas extremamente baixas e ventos polares intensos durante todo o ano.

O clima do arquipélago é considerado hostil. A temperatura média anual gira em torno de 30 graus abaixo de zero, enquanto rajadas de vento podem ultrapassar 130 quilômetros por hora.

Essas condições severas ajudam a manter o isolamento da região. Foi justamente essa característica que levou à escolha do local para instalar projetos ligados ao futuro da humanidade.

Outro detalhe incomum chama atenção. Há décadas ninguém é enterrado na cidade, pois o solo congelado impede a decomposição dos corpos. Os sepultamentos precisam ocorrer no continente.

O cofre do fim do mundo e o banco de sementes global

Entre as montanhas congeladas foi construída uma fortaleza conhecida como Cofre do Fim do Mundo. O complexo abriga o maior banco de sementes do planeta, responsável por armazenar cópias de plantas cultivadas em diversas regiões.

A entrada leva a um túnel de concreto que avança cerca de 120 metros para dentro da montanha. A estrutura foi projetada para resistir a terremotos, inundações, ataques e até radiação.

O túnel atravessa o permafrost, camada permanente de solo congelado. Esse ambiente natural ajuda a manter a estabilidade térmica necessária para conservar o material armazenado.

Dentro do complexo, as câmaras são mantidas a uma temperatura constante de 18 graus negativos. Três portas de aço protegem o acesso ao salão principal, onde ficam as salas do banco de sementes.

Cada câmara possui capacidade para armazenar até três mil caixas especiais. Nessas caixas estão sementes preservadas para permanecer viáveis durante centenas de anos.

O trabalho de preservação conduzido por especialistas

O acervo é supervisionado por Asmund Asdal, biólogo e agrônomo considerado um dos idealizadores do projeto. Ele está entre as poucas pessoas com acesso irrestrito ao local.

O objetivo do banco de sementes é garantir que plantas importantes possam ser recuperadas caso guerras, crises ambientais ou outros eventos destruam coleções agrícolas ao redor do mundo.

Em 2015, esse sistema foi utilizado pela primeira vez. A guerra civil na Síria destruiu o banco nacional de sementes do país, e as cópias guardadas em Svalbard permitiram recuperar o material.

Atualmente, o cofre conserva aproximadamente 1,4 milhão de amostras de sementes pertencentes a cerca de seis mil espécies de plantas. Esse acervo representa uma reserva essencial para a humaindade.

Um segundo cofre guarda memória e conhecimento

A poucos quilômetros do banco de sementes, outra estrutura também funciona como cofre global. Instalado em uma antiga mina de carvão desativada, o local preserva registros culturais e científicos.

A mina forneceu energia e aquecimento para Longyearbyen durante décadas. Em 2017, o espaço foi transformado em um depósito seguro para arquivos históricos e digitais.

O projeto é coordenado por Heron Werner e inclui reconstruções digitais de peças do Museu Nacional do Brasil, destruídas no incêndio de 2018 no Rio de Janeiro.

Entre os registros preservados estão o crânio de Luzia, considerado o fóssil humano mais antigo das Américas, além da Constituição brasileira, obras de Chopin e documentos da Unesco.

Tecnologia e preservação de longo prazo

A tecnolgia utilizada para armazenar esses arquivos foi desenvolvida por uma empresa especializada em preservação digital. O sistema foi projetado para garantir autenticidade e integridade dos dados.

Segundo Mônica Trindade, sócia da empresa responsável, a solução foi criada para enfrentar riscos modernos, como ciberataques e manipulação de dados no ambiente digital.

No coração do Ártico, entre gelo e silêncio, duas fortalezas guardam recursos essenciais. De um lado, o banco de sementes preserva plantas que podem alimentar futuras gerações.

Do outro, um cofre de memória conserva registros culturais e científicos. Juntos, esses arquivos representam uma reserva criada para garantir que a história e os recursos da humanidade não se percam com o tempo.

Com informações de R7.

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Romário Pereira de Carvalho

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