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Debaixo da Cidade do México existe uma capital asteca inteira soterrada, e tudo começou quando operários encontraram um disco de pedra de 3,25 metros com uma deusa desmembrada, revelando templos, crânios e palácios sob 22 milhões de pessoas

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 02/04/2026 às 18:42
Atualizado em 02/04/2026 às 18:45
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Templo Mayor é revelado sob a Cidade do México após descoberta em 1978 e escavações mostram cidade asteca enterrada com milhares de artefatos
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Templo Mayor é revelado sob a Cidade do México após descoberta em 1978 e escavações mostram cidade asteca enterrada com milhares de artefatos

Em 21 de fevereiro de 1978, operários da companhia de eletricidade da Cidade do México encontraram acidentalmente um monólito de pedra vulcânica enquanto instalavam cabos no centro histórico. O objeto, com 3,25 metros de diâmetro e cerca de 8 toneladas, exibia a imagem esculpida de Coyolxauhqui, deusa da lua na mitologia asteca. Segundo a Archaeology Magazine e a BBC Travel, a descoberta confirmou a localização exata do Templo Mayor, principal estrutura religiosa de Tenochtitlán, a capital do Império Asteca, enterrada sob camadas de construção colonial e moderna.

A descoberta marcou um dos momentos mais importantes da arqueologia urbana moderna, revelando que uma das maiores cidades da história das Américas permanece soterrada sob uma das maiores metrópoles do mundo.

Cidade do México foi construída sobre Tenochtitlán após conquista espanhola em 1521

Quando Hernán Cortés chegou a Tenochtitlán em 1519, encontrou uma cidade com população estimada entre 200 mil e 300 mil habitantes, número superior ao de qualquer cidade europeia da época. A capital asteca foi construída sobre uma ilha no lago Texcoco, conectada ao continente por calçadas elevadas e com uma complexa rede de canais navegáveis.

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Após a conquista espanhola em 1521, a estratégia adotada foi inédita: em vez de fundar uma nova cidade, os colonizadores destruíram a estrutura existente e utilizaram suas próprias pedras para erguer a nova capital colonial. Igrejas, palácios e edifícios administrativos foram construídos diretamente sobre templos e palácios astecas.

Esse processo resultou no soterramento completo de Tenochtitlán, criando uma cidade invisível sob a atual Cidade do México.

Templo Mayor tinha 27 metros de altura e múltiplas camadas arqueológicas preservadas

O Templo Mayor era uma pirâmide dupla com cerca de 27 metros de altura, equivalente a um edifício de nove andares, com base de aproximadamente 100 metros por 80 metros. No topo, duas escadarias levavam a templos dedicados a Huitzilopochtli e Tlaloc, representando guerra e agricultura.

Ao longo de dois séculos, o templo foi reconstruído seis vezes, com novas estruturas erguidas sobre as anteriores. Quando os espanhóis destruíram o complexo, apenas a camada mais externa foi removida.

Isso permitiu a preservação de múltiplas fases da construção, criando uma sequência arqueológica única composta por sete templos sobrepostos.

Escavações no Templo Mayor revelaram mais de 40 mil artefatos do Império Asteca

Desde 1978, escavações conduzidas pelo Programa de Arqueologia Urbana (PAU) já cobriram cerca de 500 metros quadrados, área equivalente a aproximadamente sete quarteirões. Nesse espaço, arqueólogos encontraram mais de 40 mil artefatos.

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Entre os itens identificados estão espelhos de obsidiana, conchas marinhas do Pacífico, dentes de tubarão do Caribe, máscaras de jade, objetos de ouro e prata, além de sementes preservadas por milhares de anos.

A diversidade dos materiais comprova a extensão das redes comerciais do império, que alcançavam diferentes regiões da América Central e do México.

Lei mexicana exige supervisão arqueológica em obras no centro histórico

Atualmente, qualquer intervenção no solo do centro da Cidade do México exige a presença do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH). A legislação estabelece prioridade para a preservação arqueológica.

Essa regra garante que novos achados não sejam destruídos por obras de infraestrutura. Fragmentos de cerâmica, ossos e estruturas antigas continuam sendo encontrados regularmente sob ruas e edifícios.

A cidade opera como um dos maiores sítios arqueológicos ativos do mundo, com descobertas frequentes durante obras urbanas.

Afundamento do solo na Cidade do México revela estruturas astecas enterradas

A Cidade do México sofre um processo contínuo de subsidência devido à extração de água subterrânea. Em algumas regiões, o solo pode afundar até 50 centímetros por ano.

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Esse fenômeno cria rachaduras em edifícios, que acabam revelando estruturas arqueológicas enterradas. Elementos rígidos, como pirâmides e fundações antigas, resistem ao afundamento, causando deformações nos edifícios acima.

Essas rachaduras funcionam como indicadores geológicos que ajudam arqueólogos a localizar construções astecas sob a cidade moderna.

Catedral Metropolitana afunda devido a estruturas astecas sob suas fundações

A Catedral Metropolitana da Cidade do México, construída a partir de 1573, apresenta inclinação visível devido à diferença de sustentação do solo.

Parte da estrutura está apoiada sobre fundações astecas, enquanto outras áreas repousam sobre solo mais instável. Essa diferença gera deformações e exige constantes intervenções de engenharia.

O fenômeno ilustra como estruturas antigas continuam influenciando a estabilidade da cidade moderna séculos após sua construção.

Templos astecas foram encontrados sob metrô, edifícios e áreas urbanas

Diversos templos foram identificados em locais inesperados, incluindo sob estações de metrô e edifícios comerciais. O templo de Ehécatl, por exemplo, foi preservado em uma estrutura subterrânea acessível ao público.

Outros sítios foram descobertos sob áreas destruídas pelo terremoto de 1985, revelando a profundidade e extensão da cidade enterrada.

Essas descobertas demonstram que a Cidade do México moderna está construída diretamente sobre um complexo urbano pré-colombiano ainda em grande parte intacto.

Apenas 0,2% de Tenochtitlán foi escavada até hoje

Apesar de décadas de pesquisa, apenas 0,2% da antiga capital asteca foi escavada. O recinto sagrado original, com cerca de 500 metros de lado, permanece quase totalmente sob construções modernas.

Relatos históricos do século XVI, como os de Bernardino de Sahagún, indicam a existência de dezenas de estruturas ainda não localizadas.

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A limitação das escavações está diretamente ligada à necessidade de preservar a infraestrutura urbana atual, tornando impossível explorar totalmente a área.

Palácio Nacional foi construído sobre residência do imperador Moctezuma II

O atual Palácio Nacional do México ocupa o mesmo local onde ficava o palácio de Moctezuma II, governante que recebeu os espanhóis em 1519.

Essa sobreposição não foi acidental, mas uma estratégia simbólica de continuidade de poder adotada pelos colonizadores. A localização reforça a permanência de centros de poder no mesmo espaço geográfico ao longo de séculos.

A organização da Cidade do México mantém traços da antiga Tenochtitlán. Algumas ruas seguem exatamente o percurso das antigas calçadas que conectavam a ilha ao continente.

A divisão em quadrantes também reflete a cosmologia asteca, com o Templo Mayor no centro. Mesmo após séculos de transformação, a estrutura urbana original ainda influencia o desenho da cidade contemporânea.

Monólito de 13 toneladas pode indicar primeira tumba imperial asteca

Em 2006, arqueólogos descobriram um monólito de 13 toneladas representando a deusa Tlaltecuhtli. O objeto foi encontrado próximo ao Templo Mayor e apresenta inscrições que indicam o ano de 1502.

Escaneamentos com radar identificaram possíveis câmaras subterrâneas sob o local, sugerindo a existência de túmulos imperiais. Caso confirmado, o achado pode representar a primeira tumba de um imperador asteca já descoberta.

A antiga capital asteca não desapareceu, mas foi soterrada. Sob ruas, prédios e infraestruturas modernas, permanecem estruturas, artefatos e vestígios de uma das civilizações mais avançadas das Américas.

A cada nova escavação, fragmentos dessa cidade emergem, revelando camadas de história que continuam a desafiar arqueólogos.

A Cidade do México é, ao mesmo tempo, uma metrópole contemporânea e um dos maiores sítios arqueológicos ocultos do planeta.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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