Trump abriu investigação contra o Brasil e colocou o Pix no centro da disputa global, evidenciando impacto político, econômico e tecnológico
Não é só o tarifaço que faz Donald Trump voltar os olhos para o Brasil. O presidente dos Estados Unidos abriu uma investigação sobre práticas comerciais que considera nocivas às empresas norte-americanas. Nesse processo, incluiu uma tecnologia com DNA brasileiro: o Pix.
O sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central revolucionou o mercado nacional e chamou a atenção do mundo.
Hoje, segundo dados oficiais, 93% da população adulta do Brasil já utiliza o Pix em seu dia a dia. A dimensão alcançada pelo método, em pouco tempo, o transformou em referência global.
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Sucesso e impacto do Pix
Sebastian Fantini, diretor de produto do Ebanx, avalia que o Pix tem características que o tornam único. O executivo participou do podcast “Deu Tilt”, do UOL, e destacou que a base de sucesso está no modelo gratuito, fácil de usar e disponível em qualquer horário.
Segundo ele, isso foi fundamental para incluir mais de 70 milhões de brasileiros no sistema bancário. Fantini lembra que o Ebanx, unicórnio avaliado em mais de US$ 1 bilhão, atua em 20 países e acompanha a busca internacional por modelos semelhantes. Até agora, nenhum outro país alcançou o mesmo êxito.
O mais importante é que o Pix nasce digital, com grande foco em transferências de pessoa para pessoa. Mas também se expandiu para negócios: hoje, 42% das operações são de pessoas para empresas.
Reclamações das big techs
O sucesso, porém, trouxe resistência. Empresas que oferecem outras formas de pagamento enxergam no Pix uma ameaça.
A Meta já sentiu isso quando o WhatsApp Pay foi suspenso em 2020 pelo Banco Central e pelo Cade, medida que acabou favorecendo o uso do Pix.
Mais recentemente, foi a vez do ITI, conselho que representa big techs e bandeiras de cartão de crédito, reclamar ao USTR, órgão norte-americano que conduz a investigação aberta por Trump.
Apesar das críticas, Fantini defende que o Pix não substitui cartões, boletos ou transferências. Na avaliação dele, a tecnologia complementa o ecossistema de pagamentos.
Diferentes modalidades
Atualmente, o Pix permite transações em várias frentes. As operações podem ser feitas de pessoa para pessoa, de pessoa para empresa, de empresa para empresa (B2B) e também de empresas ou pessoas para o governo (B2G).
Fantini ressalta que o Banco Central foi essencial para estruturar a tecnologia de forma robusta, segura e acessível.
Para ele, a experiência de usuário pensada desde o início, sem intermediários, foi decisiva para conquistar agilidade.
Comparação com outros sistemas
Um dos pontos de destaque é a velocidade. Uma transação via Pix leva até 10 segundos. Já no sistema Swift, usado em transferências internacionais, as operações podem ser caras e demoradas. Isso explica o interesse de outros países em conhecer melhor o modelo brasileiro.
A Colômbia, por exemplo, criou o Bre-B, considerado o “Pix local”. A proposta é estimular pagamentos instantâneos, reduzir o uso de dinheiro em espécie e ampliar o acesso ao sistema financeiro.
Portanto, o Pix está no centro de uma tendência mundial. Para Fantini, o próximo passo será a interoperabilidade entre sistemas, permitindo que as transferências internacionais também se tornem instantâneas.
Evolução constante
Desde que foi lançado em 2020, o Pix não parou de evoluir. O método ganhou funções que ampliam ainda mais sua relevância no cotidiano dos brasileiros.
A novidade mais recente é o Pix automático, criado para facilitar pagamentos recorrentes, como contas de água, energia, mensalidades e assinaturas.
Diferente do débito automático, que varia de banco para banco, o Pix automático é padronizado e mais transparente.
Segundo Fantini, o usuário tem controle total sobre o processo. A empresa envia um pedido de autorização com valor, frequência e limites definidos. A qualquer momento, o consumidor pode cancelar a cobrança.
Uma tecnologia em expansão
A expansão do Pix mostra como uma iniciativa nacional pode influenciar o cenário global. No Brasil, a adesão massiva da população consolidou o método como parte da rotina.
No exterior, o interesse crescente indica que outras nações buscam seguir o mesmo caminho.
Além disso, a investigação aberta por Trump reforça o peso político e econômico do sistema brasileiro. O debate não se restringe ao campo financeiro, mas alcança o comércio internacional e a disputa entre diferentes modelos tecnológicos.
Enquanto isso, o Pix continua a crescer. Sua simplicidade, rapidez e alcance já mudaram a forma como milhões de brasileiros lidam com dinheiro.
E, diante do olhar atento do mundo, a tecnologia pode se transformar em referência definitiva para os pagamentos do futuro.
Com informações de UOL.
