Em missão à China, o Paraná se reuniu com companhias aéreas em Xiamen para tentar atrair turistas chineses, que têm um dos maiores gastos médios do planeta. O estado negocia voos charter e estuda uma ligação aérea direta com Foz do Iguaçu, porta de entrada para as Cataratas.
O Paraná foi à China atrás de um público cobiçado pelo turismo mundial: os turistas chineses, que estão entre os que mais gastam em viagens. Nesta sexta-feira (29), uma comitiva do Viaje Paraná, órgão ligado à Secretaria do Turismo do estado, reuniu-se com companhias aéreas e aeroportos em Xiamen, na província de Fujian, para tentar abrir novas rotas e trazer mais visitantes.
A motivação é econômica. Segundo o órgão, só no ano passado a China injetou cerca de 20 milhões de dólares na economia paranaense, e o país asiático emite por volta de 150 milhões de viajantes ao exterior por ano. A ideia é negociar voos charter e estudar uma possível ligação aérea entre Xiamen e Foz do Iguaçu, que dá acesso às Cataratas.
Por que o Paraná foca nos turistas chineses
A aposta tem números por trás. A China é um dos maiores emissores de turistas do mundo, com cerca de 150 milhões de viagens ao exterior por ano, e seus turistas estão entre os que mais gastam: segundo dados da Embratur, o ticket médio dos turistas chineses chegou a cerca de 5,2 mil dólares por pessoa no ano passado. Para um estado que quer movimentar sua economia com moeda estrangeira, é um mercado difícil de ignorar.
-
O mega plano de R$ 526,3 bilhões da FIRJAN para o Rio de Janeiro mira reerguer a maior indústria do Brasil, com dois terços dos investimentos indo para petróleo e gás
-
Depois de devolver cerca de 20 navios com soja brasileira, China surpreende ao sinalizar aumento das compras de proteína animal, enquanto Brasil já consumiu 70% da cota de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina
-
A inflação de alimentos subiu 302% em 20 anos no Brasil, mas o supermercado mudou: o poder de compra rendeu 87% mais mortadela e 31% menos fruta, e os ultraprocessados tomaram o carrinho
-
Gigante do agro foca no Brasil e anuncia fábrica colossal automatizada de R$ 100 milhões no interior de SP
O interesse do Paraná também se apoia em sinais recentes de crescimento. As buscas de chineses por viagens ao Brasil dispararam, e o fluxo já aparece nos atrativos paranaenses: em 2025, mais de 21 mil turistas chineses visitaram o Parque Nacional do Iguaçu. Sem a necessidade de visto para estadias de até 30 dias, a expectativa do estado é de que esse público cresça ainda mais nos próximos anos.
As reuniões em Xiamen com companhias aéreas

Foto: Viaje Paraná
A agenda incluiu encontros estratégicos em Xiamen, na província de Fujian. A comitiva do Viaje Paraná conversou com a Xiamen Airlines, companhia com base na cidade e uma frota de cerca de 140 aeronaves, e também com equipes do Aeroporto Internacional de Xiamen Gaoqi, um dos 16 mais movimentados da China, em um país que tem cerca de 480 aeroportos, mais da metade deles certificados para voos comerciais regulares.
Nessas conversas, o Paraná apresentou sua estrutura e sondou a possibilidade de uma rota ligando Xiamen a Foz do Iguaçu. A comitiva também pediu o contato das operadoras de turismo que atuam no aeroporto, com o objetivo de discutir a oferta de voos charter para o estado. A intenção, segundo o órgão, é transformar interesse em conexões reais.
Voos charter e a ligação aérea com Foz do Iguaçu
Boa parte da estratégia gira em torno de dois caminhos. O primeiro são os voos charter, modalidade em que uma aeronave é alugada para uso exclusivo, geralmente para grupos de turistas, o que permite testar rotas sem depender de uma linha regular. O segundo é uma ligação aérea mais estável, que conecte diretamente a China ao estado.
Para isso, o diretor de Operações do Viaje Paraná, Marcelo Martini, destacou que o Paraná tem aeroportos preparados para voos intercontinentais, como o Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na região de Curitiba, e o de Foz do Iguaçu. A aposta em voos charter aparece como um primeiro passo para medir a demanda antes de uma eventual rota fixa, reduzindo o risco para as companhias aéreas.
Cataratas e natureza como vitrine do Paraná na China
A negociação com as companhias aéreas faz parte de um esforço maior de aproximação com o mercado asiático. Ainda nesta semana, o estado levou o turismo paranaense ao estande da Embratur na ITB Xangai e à 11ª Feira Internacional de Turismo e Lazer de Xiamen, com as Cataratas do Iguaçu como principal cartão de visitas, ao lado de roteiros de natureza como a Grande Reserva da Mata Atlântica.
Para o Viaje Paraná, a presença nesses eventos ajuda a posicionar Foz do Iguaçu e Curitiba como portas de entrada dos turistas chineses no estado. A leitura do órgão é que o asiático aprecia a cultura e a natureza da América do Sul, e que o ingresso de moeda estrangeira pode impulsionar a economia local. Por isso o Paraná trata a conectividade aérea como peça central para transformar esse potencial em fluxo concreto de visitantes.
A corrida do Paraná para atrair turistas chineses levanta uma boa pergunta: vale a pena investir em voos charter e numa ligação aérea com a China para encher Foz do Iguaçu, ou o estado deveria priorizar primeiro o turista que já tem por perto?
Conte nos comentários se você acha que as Cataratas têm fôlego para virar um destino de peso na Ásia.

Seja o primeiro a reagir!