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Escavado a mais de 30 metros dentro de uma montanha de granito, protegido por camadas de rocha natural e operando abaixo do nível do solo, este data center subterrâneo reutilizou uma antiga base militar e se tornou uma das infraestruturas digitais mais seguras do planeta

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 02/01/2026 às 14:44
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Data center Pionen opera a mais de 30 m sob rocha de granito, reutiliza base militar e oferece uma das maiores proteções físicas do mundo digital.

Durante a Guerra Fria, governos europeus investiram pesado em estruturas capazes de resistir a ataques nucleares, bombardeios e sabotagens. Uma dessas instalações, escavada profundamente em uma montanha de granito em Estocolmo, parecia condenada ao abandono após o fim das tensões militares. Décadas depois, esse “buraco estratégico” ganhou uma nova função: abrigar dados digitais críticos em um dos ambientes mais protegidos já criados pela engenharia moderna.

Assim nasceu o Pionen White Mountains, um data center que transformou uma antiga base militar subterrânea em infraestrutura digital de alta segurança.

Uma montanha inteira como blindagem física

O Pionen está localizado a mais de 30 metros abaixo da superfície, totalmente envolvido por rocha de granito maciço.

Diferente de data centers convencionais, que dependem de muros reforçados e vigilância externa, aqui a principal camada de proteção é natural: toneladas de rocha sólida funcionando como um escudo permanente contra explosões, impactos e até pulsos eletromagnéticos.

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Essa profundidade não foi escolhida ao acaso. A instalação original foi projetada para resistir a cenários extremos, incluindo ataques diretos e ondas de choque, o que tornou o local ideal para hospedar servidores sensíveis décadas depois.

Infraestrutura militar reaproveitada

A base original contava com túneis de acesso restritos, portas blindadas, sistemas de ventilação independentes e redundância energética.

Ao ser convertida em data center, essa infraestrutura foi mantida e modernizada, reduzindo drasticamente a necessidade de novas escavações ou grandes obras civis.

Portas de aço com toneladas de peso, corredores escavados diretamente na rocha e áreas internas compartimentadas criam um ambiente onde o controle físico é tão importante quanto a segurança digital.

Clima estável como vantagem técnica

Um dos grandes trunfos do Pionen é o ambiente térmico. A rocha de granito mantém a temperatura interna naturalmente estável ao longo do ano, reduzindo a necessidade de sistemas de refrigeração intensivos. Isso não apenas diminui o consumo energético, como também aumenta a confiabilidade dos equipamentos.

Enquanto data centers convencionais precisam combater variações extremas de calor externo, o Pionen opera em um ambiente protegido das oscilações climáticas, algo que só estruturas subterrâneas profundas conseguem oferecer.

Energia, redundância e autonomia

O complexo foi projetado para operar mesmo em situações críticas. Sistemas de energia redundantes, geradores próprios e múltiplas rotas de alimentação elétrica garantem funcionamento contínuo. Em caso de falha externa, a instalação pode permanecer ativa de forma autônoma por longos períodos.

Esse nível de resiliência faz com que o data center seja escolhido para hospedar informações críticas, onde a interrupção de serviço não é uma opção aceitável.

A combinação de profundidade, rocha natural, acesso restrito e infraestrutura herdada da era militar coloca o Pionen em um patamar raríssimo. Poucos data centers no mundo contam com proteção física real contra ataques diretos, e menos ainda utilizam uma montanha inteira como barreira.

Além disso, o acesso ao interior é controlado por múltiplas camadas de autenticação física, tornando praticamente impossível qualquer tentativa de invasão não autorizada.

Do segredo militar ao coração da internet

O que antes servia para proteger governos e operações estratégicas passou a proteger algo igualmente valioso no século XXI: dados. O Pionen simboliza uma mudança importante na engenharia moderna, onde antigas estruturas militares não são demolidas, mas reinterpretadas para novas funções críticas.

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Em vez de construir do zero, a solução foi reaproveitar um espaço já extremo, já protegido e já testado contra os piores cenários imagináveis.

Quando a engenharia do passado sustenta o mundo digital

O data center subterrâneo de Estocolmo mostra que a infraestrutura digital não depende apenas de cabos, servidores e software. Em casos extremos, ela depende de geologia, profundidade e decisões tomadas décadas atrás.

Escavado em granito, escondido sob uma montanha e blindado pela própria natureza, o Pionen White Mountains não é apenas um data center. É um exemplo de como a engenharia pesada do século XX acabou se tornando a fortaleza silenciosa do mundo digital do século XXI.

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Zeno E. S. Munhoz
Zeno E. S. Munhoz
03/01/2026 10:36

As novas construções de datacenters no Brasil podem migrar para locais mais adequados e seguros onde a guerra, a natureza ou o clima extremo não será capaz de deteriora-los, afinal são os cérebros e os corações das Internetes nacionais…
Serão?

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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